Agência de notícias chinesa investe em drones e sensores para medir emoções

Xinhua investe alto, mas não divulga o quanto, em aparelhos para auxiliar na agricultura, nas comunicações e para saber reação de público em eventos culturais e propaganda de produtos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 25/10/2017 12:19

Paulo de Tarso /CB/D.A.Press
Uma das maiores agências de notícias da China, a Xinhua, com seus 130 milhões terminais espalhados pelo país e outros 220 milhões terminais móveis extrapolou os limites do jornalismo em tempo real e no impresso e transita em áreas audaciosas, algumas com orçamentos secretos e outras em áreas discretas e isoladas. Sensores de batimento cardíaco e que captam sinais da íris e treinamentos de pilotos de drones em instalações cujas placas na entrada indicam ser uma área de plantação de tomates.

“I Know how you feel” (Eu sei o que você sente) é o slogan final de uma apresentação feita pela pesquisadora do Future Media Convergence Institute Wang Chen. Simpática, direta e didática, ela explica que a Xinhua fez uma IPO em 2015, embora tenha um braço diretamente conectado ao governo central. Mas questionada quanto ao orçamento dos serviços e produtos desenvolvidos pela área dela, esquiva-se e afirma que “o melhor é pensar nos ganhos que eles podem trazer para o entretenimento, a indústria e a tecnologia”.

Um dos produtos é um sensor, que mais parece um relógio, que, ao ser colocado no braço e conectado às pontas dos dedos mede a frequência cardíaca do pesquisado durante uma apresentação de teatro, de música ou diante da propaganda de um novo produto. Apesar de não ter sido dito, elas podem ser usadas, também, em pesquisas qualitativas sobre ações políticas e sociais, para medir o nível de aceitação das propostas em um determinado grupo de pessoas.

“Eu estou aqui, diante de vocês, dando essa pequena palestra. Mas eu não sei o quanto dela vocês estão gostando, qual parte lhes chamou mais atenção, que pontos despertou mais seus interesses”, explicou Wang. Esse medidor de frequência cardíaca é enviado para o centro da Xinhua e é capaz de distinguir as reações por faixa etária, por gênero e por trechos de uma exposição, por exemplo.

Outra possibilidade deste sensor é medir o nível de fadiga e cansaço de um motorista a partir de sinais emitidos pela íris. O aparelho consegue codificar informações enviadas pelo globo ocular e quando chegam a um nível alarmante – 80% por exemplo – pessoas ligadas ao motorista e cadastradas com base em um aplicativo específico, com um parente próximo, a esposa ou o marido, são contactados por telefone para entrar em contato com o condutor do veículo e evitar um acidente. “Isso pode trazer mais segurança e nossas estradas”, completa Wang.

A Xinhua também tem um centro de treinamento de pilotos de drones, localizado em uma região afastada de Pequim. O ônibus deixou os jornalistas na entrada e andamos um longo trecho a pé, por entre prédios baixos e de média estatura, com esculturas de ovelhas em fibra de vidro e plantações de caqui e diversas estufas. Após uma caminhada de cerca de 15 minutos a um frio que não chegava ao 10 graus, encontra-se o centro de treinamento.

Lá, diversos drones, de vários tamanhos e modelos, estão à espera dos interessados em aprender a manejá-los. Segundo os instrutores, eles são bastante utilizados na agricultura e nas comunicações e os veículos mais ágeis podem chegar a 170 km/h. Há uma oficina para reparo das pequenas aeronaves,  um conjunto de simuladores para que os interessados possam treinar sem causar prejuízos à empresa e um espaço que parece uma quadra de squash, cercado de redes de proteção para que os futuros manejadores possam testar as habilidades aprendidas nas linhas de formação.

O jornalista viajou a convite da Embaixada da China
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.