Confirmado por mais 5 anos no poder, presidente da China apresenta equipe

Xi Jinping lidera uma equipe sem sucessor aparente e pode mirar novos mandatos

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postado em 26/10/2017 06:00

Wang Zhao/AFP

 

Pequim — O Partido Comunista da China (PCC) está com sua cúpula dirigente completa para os próximos cinco anos. Após reconduzir o presidente da República, Xi Jinping, para o cargo de secretário-geral, os 2.300 delegados ao 19º Congresso do PCC elegeram os 204 membros efetivos e os 172 suplentes do Comitê Central, de onde são selecionados os sete integrantes do todo-poderoso Comitê Permanente do Politburo. “Todos os camaradas do partido devem, para sempre, respirar no mesmo ritmo, compartilhar o mesmo destino com o povo, coração com coração, e tomar para sempre a aspiração do povo por uma vida melhor como meta de luta”, discursou Xi.

 

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“Assumo minha reeleição não apenas como uma aprovação ao meu trabalho, mas também com um estímulo para seguir avançando”, prosseguiu o líder, em pronunciamento exibido ao vivo pela tevê. Ele apareceu ao lado dos demais seis membros do Comitê Permanente (leia quadro), que detém o poder cotidiano. E a ausência de um nome que pudesse ser identificado como possível sucessor alimentou a impressão de que Xi, 64 anos, cogita driblar a regra não escrita dos dois antecessores, que cumpriram dois quinquênios. O presidente e secretário-geral também foi eleito para comandar a Comissão Militar Central, que controla as Forças Armadas.

Xi inicia o segundo mandato mais forte do que nunca, depois de ter inscrito o próprio nome nos estatutos do partido, como formulador de uma teoria política própria. O 19º Congresso acrescentou ao patrimônio ideológico do PCC o “pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para a nova época”. Esse prestígio equipara o status de Xi ao de Mao Tse-tung, o “Grande Timoneiro” que levou os comunistas ao poder, em 1949, e a Deng Xiaoping, sucessor de Mao e patrono das reformas econômicas iniciadas nos anos 1980.

Enquanto os observadores buscam indicações sobre um possível sucessor, ou sobre planos do líder para quebrar a escrita dos dois mandatos, ele apenas elogia as resoluções aprovadas pelos delegados. “Acreditamos que todas as decisões e planos que o Congresso elaborou e todos os resultados que ele obteve desempenharão um papel muito importante para guiar e garantir o sucesso em nossos empreendimentos importantes”, disse Xi, no encerramento do discurso no Grande Salão do Povo.

O novo Comitê Central (CC) realizou ontem sua primeira reunião, um dia após o encerramento do encontro. O estatuto do partido define que cabe ao novo  CC eleger o secretário-geral, o Politburo e a Comissão Permanente.

Toda a fala do líder reeleito reforça as propostas feitas por ele para emendar o estatuto do partido. “Desde há muito temos estado unidos e temos liderado o povo e a nação chinesa a lutar incansável e determinadamente, alterando totalmente a situação trágica da velha China de ser submetida à humilhação,  após a Guerra do Ópio, assim como a situação trágica da pobreza acumulada e da debilidade de nosso povo”, disse.

O presidente lembrou que a discussão dos novos rumos do partido não interessa apenas os chineses. “Líderes, partidos políticos, organizações e personalidades de diversos setores de muitos países também enviaram mensagens para se congratular com o evento. O presidente do Congresso gostaria de apresentar os sinceros agradecimentos a todos eles.”

Por definição, o congresso do Partido Comunista da China se reúne a cada cinco anos. Segundo os integrantes do partido, o deste ano- foi realizado em um momento crucial, no qual o país “está construindo uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, um momento importante para a implantação do socialismo com características chinesas”.

 

Conversa com Trump

Entre as mensagens de felicitações pela reeleição, Xi Jinping recebeu um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que visitará a China no começo de novembro, como parte de uma viagem com escalas na Coreia do Sul e no Japão. A crise nuclear com a Coreia do Norte deve dominar a pauta dos encontros entre os líderes das duas maiores potências econômicas mundiais.

 

 
“Assumo minha reeleição não apenas como uma aprovação ao meu trabalho, mas também com um estímulo para seguir avançando”
Xi Jinping, presidente da China e secretário-geral do Partido Comunista

 

 

Os homens do presidente

Li Keqiang
O primeiro-ministro chinês tem 62 anos, é doutor em economia e fluente em inglês. Quando assumiu a chefia do governo, em 2012, prometeu ambiciosas reformas estruturais, liberalização dos mercados e equidade para o capital externo. Mas Xi ofuscou a imagem do premiê.

 


Li Zhanshu
Diretor da influente divisão de Administração Geral, que gerencia os assuntos internos do partido, Li Zhanshu, 67, é muito próximo do presidente, com quem trabalha desde os anos 1980. Ele acompanha o líder regularmente nas viagens ao exterior.

 

Wang Yang
Um dos quatro vice-premiês, tem 62 anos e dirigiu o partido na rica província de Guangdong (sul), entre 2007 e 2012. Anunciou reformas e defendeu o mercado e os sindicatos. É considerado uma das vozes mais liberais no partido, contrariando a corrente estatista, identificada com o presidente.


Wang Huning
Jurista de 62 anos, é o principal teórico do PCC: ajudou na concepção das “três representações”, do ex-presidente Jiang Zemin, e na da “perspectiva científica do desenvolvimento”, de Hu Jintao, que sucedeu Jiang. Partidário de um poder central forte, deve ajudar a dar forma ao “Pensamento Xi Jinping”.


Zhao Leji
Chefia desde 2012 o poderoso Departamento da Organização do partido, que determina as indicações para os quadros dirigentes. Zhao, 60, é próximo a Xi e acaba de ser nomeado para chefiar a Comissão de Inspeção Disciplinar, encarregada de conduzir a campanha contra a corrupção no PCC.


Han Zheng
Construiu a carreira em Xangai, capital econômica do país, e sobreviveu à queda, em 2006, de seu superior, Chen Liangyu, envolvido em corrupção. Prefeito da cidade por quase uma década, Han, 63, supervisionou as obras para a Exposição Universal de 2010 e assumiu a direção local do partido em 2012.

 

O jornalista viajou a convite da Embaixada da China 

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