Justiça espanhola se prepara para pedir captura de Puigdemont na Bélgica

A magistrada da Audiência Nacional tem que se pronunciar sobre a ação da Procuradoria, que na quinta-feira solicitou essa ordem de prisão dirigida particularmente à Bélgica, onde "se encontram ou ao menos viajaram" Puigdemont e quatro de seus conselheiros

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postado em 03/11/2017 18:30

A juíza espanhola Carmen Lamela se prepara para emitir nesta sexta-feira (3/11) uma ordem de captura internacional contra o presidente separatista destituído Carles Puigdemont, enquanto na Catalunha eram organizados protestos contra a prisão de boa parte de seu governo.



A magistrada da Audiência Nacional tem que se pronunciar sobre a ação da Procuradoria, que na quinta-feira solicitou essa ordem de prisão dirigida particularmente à Bélgica, onde "se encontram ou ao menos viajaram" Puigdemont e quatro de seus conselheiros.

Lamela agiu no mesmo dia contra oito dos nove membros do Executivo destituído, entre eles o vice-presidente Oriol Junqueras, que compareceram ao alto tribunal em Madri, enviando-os à prisão provisória sem fiança por considerar no auto que exerceram "um papel ativo, impulsionando o processo soberanista minuciosamente desenhado".

Em liberdade depois de pagar uma fiança de 50.000 euros está o nono ministro regional, Santi Vila, que se demitiu antes da proclamação de independência em 27 de outubro, feito que levou o governo central a assumir o controle da região, destituindo seu Executivo e convocando eleições para 21 de dezembro.

A juíza justificou a decisão de prender os demais por risco de fuga - citando, mas sem mencionar seu nome, Puigdemont e sua ida à Bélgica - pela probabilidade de continuarem cometendo crimes e destruindo provas.

Puigdemont e seu governo destituído são investigados por sedição e rebelião pelo processo que há uma semana levou à proclamação no Parlamento da República Catalã, crimes que podem render até 30 anos de prisão.

Protestos


Em uma curta mensagem emitida pela televisão pública catalã, Puigdemont exigiu na noite de quinta-feira "a libertação dos conselheiros e do vice-presidente" Junqueras e "o fim da repressão política".

 

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Irritados, grupos de manifestantes interromperam brevemente nesta sexta várias estradas da Catalunha e uma linha de trem em protesto pelas prisões.

O grupo Universitários pela República cortou a grande avenida da Diagonal de Barcelona, assim como uma rodovia em seus dois sentidos.

O organismo do governo catalão encarregado do tráfego anunciou em sua conta no Twitter impedimentos em quatro estradas, reabertas pouco depois.

O Ferrovias da Generalitat, serviço ferroviário catalão, informou sobre a ocupação das vias na estação de Sant Cugat, perto de Barcelona, o que provocou atrasos. A situação foi normalizada duas horas depois.

Um grupo de manifestantes paralisou uma das principais artérias de Barcelona, na entrada da cidade: "agora mesmo estamos impedindo a Grande Via!", anunciou no Twitter a Arran, organização juvenil separatista.

Na noite de quinta-feira, 20.000 pessoas se juntaram na frente do Parlamento de Barcelona gritando "não é justiça, é ditadura!".

Duas influentes organizações separatistas, a Assembleia Nacional Catalã (ANC) e a Òmnium Cultural, convocaram novas manifestações.

Os líderes dessas organizações, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, estão em prisão provisória por sedição desde 16 de outubro. Um recurso de seus advogados pedindo a sua libertação foi negado nesta sexta.

Os independentistas preparam um grande protesto em 12 de novembro em Barcelona.

Impacto econômico

 

 

Entretanto, muitas empresas continuam saindo da Catalunha em resposta à grave crise política: 2.066 se foram desde o início de outubro, segundo dados do Colégio de Registradores.

A Catalunha foi a região espanhola que teve pior desempenho em outubro em relação ao emprego, com um aumento de 14.700 desempregados, de acordo com cifras oficiais divulgadas nesta sexta.

"Esses dados mostram claramente que esta situação é de extrema gravidade", advertiu em coletiva o delegado do governo na região, Enric Millo, falando sobre os impactos negativos no setor turístico, que representa 12% do PIB regional.

A sete semanas das eleições regionais, as medidas judiciais reabrem o debate nas fileiras independentistas e da esquerda sobre a conveniência de participar dessa votação, convocada pelo presidente do governo central, Mariano Rajoy, em virtude da intervenção na administração de uma região que desobedece as leis, outorgada pelo Artigo 155 da Constituição.

Marta Pascal, porta-voz do partido de Puigdemont, o PDeCAT (conservador independentista), pediu a formação de uma frente comum secessionista.

"Pedimos a todos que sejamos capazes de entrar em acordo (...) por uma candidatura orgulhosa de tudo o que fizemos. Chegamos muito longe, esse país chegou mais longe do que nunca", disse Pascal.

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