Trump pede ação rápida de Pequim na crise com a Coreia do Norte

Embora a China tenha aprovado as últimas sanções da ONU contra a Coreia do Norte, com a promessa de aplicá-las, Washington deseja mais medidas de Pequim para asfixiar economicamente Pyongyang

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postado em 09/11/2017 09:07 / atualizado em 09/11/2017 09:52



Pequim, China -
O presidente americano Donald Trump pediu nesta quinta-feira (9/11) ao colega chinês Xi Jinping um envolvimento maior para resolver a crise com a Coreia do Norte, ao mesmo tempo que destacou a necessidade de uma ação mais rápida.

"O tempo passa, temos que atuar rapidamente", disse o presidente americano durante o segundo dia de sua visita a Pequim. "Eu peço à China que se envolva de forma plena", completou, antes de pedir à Rússia que também pressione o líder norte-coreano Kim Jong-Un.

Embora a China tenha aprovado as últimas sanções da ONU contra a Coreia do Norte, com a promessa de aplicá-las, Washington deseja mais medidas de Pequim para asfixiar economicamente Pyongyang. "A China pode resolver este problema fácil e rapidamente", disse Trump.  

"Eu peço à Rússia ajuda para solucionar esta situação que é potencialmente dramática", completou Trump, que se reunirá na sexta-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, à margem de uma reunião de cúpula regional no Vietnã. Depois de visitar de forma privada a Cidade Proibida e assistir a uma ópera chinesa no primeiro dia de sua visita, nesta quinta-feira Trump foi recebido por Xi no imponente Grande Salão do Povo.

"Nossa reunião esta manhã foi excelente. Conversamos sobre a Coreia do Norte e acredito, como ele, que existe uma solução", declarou Trump dirigindo-se ao líder chinês. Os dois presidentes não economizaram na troca de elogios desde o início da visita, mas durante a reunião deveriam abordar temas delicados, como o superavit comercial da China e a crise com a Coreia do Norte. 


O líder chinês, que exortou em várias ocasiões Washington e Pyongyang a negociar para resolver a crise de forma pacífica, disse a Trump que seus países deveriam "fortalecer a comunicação e a coordenação nos principais temas internacionais e regionais, incluindo Coreia do Norte e Afeganistão".

Mas analistas duvidam que a China adotará as medidas drásticas desejadas por Trump, como a suspensão das exportações de petróleo para a Coreia do Norte, já que Pequim teme que uma pressão muito forte poderia provocar o colapso do regime de Pyongyang. 

"Xi poderia 'fazer mais' sobre a Coreia do Norte, mas nunca vai fazer tudo o que os Estados Unidos pedem porque tem um enorme interesse na manutenção da estabilidade do regime na Coreia do Norte", explica Sam Crane, especialista em história da China do Williams College. 

'Eu não culpo a China' 
As relações comerciais com a China eram o outro grande tema da visita. "Eu não culpo a China. Afinal, quem pode culpar um país por ter a capacidade de se aproveitar de outro país pelo bem de seus cidadãos?", afirmou Trump.

O presidente afirmou, no entanto, que culpa as administrações americanas anteriores por "permitirem que o déficit comercial fora de controle aconteça e cresça". Durante a campanha eleitoral, o republicano prometeu reduzir o desequilíbrio da balança comercial com a China e acusou Pequim de "roubar" milhões de empregos dos Estados Unidos. 

"Temos que solucionar isto porque não funciona para as grandes empresas americanas e não funciona para nossos grandes trabalhadores americanos. Simplesmente não é sustentável", completou no segundo dia de visita à China.

Nos 10 primeiros meses do ano, o déficit comercial americano com a China alcançou 223 bilhões de dólares. Em seu discurso, Xi disse que China dá boas-vindas à comunidade empresarial internacional. "Prosseguir com a abertura é nossa estratégia a longo prazo. Não vamos estreitar nem fechar nossas portas. Vamos abrir mais e mais", afirmou. 

Inesquecível 
Na quarta-feira (8/11), no primeiro dia da visitam, Trump foi homenageado após a ópera em uma grande recepção, quando um grupo de crianças afirmou: "Bem-vindo à China! Nós amamos você!". 

"Enfatizar na forma acima do conteúdo é o estilo chinês. Com o presidente Trump pensam que a visita de Estado e o tratamento concedido vão impressionar e ganhar assim uma boa vontade a respeito da China", explicou à AFP Bonnie Glaser, especialista no país asiático do Centro de Estudos Estratégicos e Internacional com sede em Washington.

Trump estava tão feliz em seu primeiro dia de visita à China que utilizou uma tecnologia especial para 'driblar' o "Great Firewall" chinês e usar o Twitter, uma rede social que, assim como o Facebook e o Google, está proibido no país. 

Em uma mensagem, Trump agradeceu ao colega chinês por "esta tarde e noite inesquecíveis na Cidade Proibida", retuitando uma mensagem da AFP (@AFP) com uma foto dos dois e suas esposas, de costas, olhando para a Cidade Proibida.  Os dois desenvolveram um diálogo desde que Trump recebeu Xi como um amigo na residência de Mar-a-Lago, na Flórida, em abril. 
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