Mexicano de 47 anos executado em penitenciária do Texas

Rubén Cárdenas Ramírez, condenado à morte em 1997, pelo estupro e assassinato de sua prima de 16 anos, recebeu uma injeção letal durante a noite

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postado em 09/11/2017 12:12

Washington, Estados Unidos - Um mexicano de 47 anos foi executado na quarta-feira (9/11) em uma penitenciária do Texas, anunciaram as autoridades locais e o governo do México, que tentou sem sucesso impedir o procedimento na justiça americana.

Rubén Cárdenas Ramírez, condenado à morte em 1997, pelo estupro e assassinato de sua prima de 16 anos, recebeu uma injeção letal durante a noite. Foi declarado morto às 22h26 locais (2h26 de Brasília, quinta-feira), informou Jason Clark, vice-diretor do Departamento de Justiça Criminal do estado.

Em um comunicado, as autoridades mencionaram as últimas palavras de Cárdenas, que sempre alegou inocência. "Não posso nem pedir desculpas pelo crime de outra pessoa, mas voltarei por justiça! Podem contar com isso", afirmou. 

"Quero agradecer minha família por acreditar em mim e por estar comigo até o fim. Eu amo muito vocês! E sei que vocês também me amam! A vida continua", escreveu. "Depois de 21 anos de espera, finalmente se fez justiça. Não há palavras para descrever o alívio sentido ao saber que há verdadeira paz depois de tanta dor e tristeza", afirmou Roxana Jones, irmã da vítima, Mayra Laguna.


A execução aconteceu depois que o governo mexicano esgotou todos os recursos judiciais, que chegaram à Suprema Corte, que se recusou a revisar o caso. O presidente do México, Enrique Peña Nieto, expressou no Twitter a "mais firme condenação à execução do mexicano Rubén Cárdenas no Texas, que viola a decisão da Corte Internacional de Justiça". 

Peña Nieto se referia a uma decisão da Corte Internacional de 2004 que determinava aos tribunais estaduais dos Estados Unidos a "revisão dos casos de 51 mexicanos condenados à pena de morte", entre eles Cárdenas, pelo não cumprimento da lei de informar as autoridades consulares, um direito previsto na Convenção de Viena.

Cinco mexicanos, incluindo Cárdenas, foram executados desde então, 13 não enfrentam mais uma condenação à pena capital e um faleceu vítima de câncer. "O governo mexicano expressa o mais enérgico protesto pelo não cumprimento dos Estados Unidos à decisão", afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

A execução aconteceu em um momento de tensão entre México e Estados Unidos, após a proposta do presidente Donald Trump de construir um muro para impedir a entrada de imigrantes sem documentos e um forte discurso contra os mexicanos, que já foram chamados de estupradores, narcotraficantes e ladrões.

Atualmente há 75 cidadãos mexicanos em processos penais que podem resultar em penas de morte. Outros 54 já foram sentenciados.

Em um comunicado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) destacou que Cárdenas "não teve acesso a um advogado nos primeiros 11 dias de sua detenção" e que "algumas das declarações feitas nesse período foram usadas pelos procuradores durante o julgamento".
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