EUA aumentam pressão sobre Venezuela, com novas sanções a funcionários

O Departamento do Tesouro americano anunciou sanções contra 10 funcionários, aos quais responsabiliza por irregularidades eleitorais, censura à imprensa e corrupção na distribuição de alimentos

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postado em 09/11/2017 18:53

Os Estados Unidos aumentaram nesta quinta-feira (9/11) as pressões sobre o governo da Venezuela ao anunciar um novo pacote de sanções a funcionários oficiais, em meio à possibilidade crescente de moratória da dívida venezuelana.


O Departamento do Tesouro americano anunciou sanções contra 10 funcionários, aos quais responsabiliza por irregularidades eleitorais, censura à imprensa e corrupção na distribuição de alimentos.

Os afetados por este novo pacote de sanções incluem Sandra Oblitas, vice-presidente do Conselho Nacional Eleitoral, os ministros Ernesto Villegas Poljak (Cultura), Freddy Bernal (Agricultura Urbana) e Jorge Márquez Monsalve (Gabinete Presidencial), bem como o presidente da empresa de telecomunicações venezuelana CANTV, Manuel Fernández, entre outros.

Também estão entre os sancionados dois membros do Conselho Nacional Eleitoral, Socorro Hernández e Carlos Quintero; o atual embaixador da Venezuela na Itália, Julián Rodríguez; o vice-presidente da Assembleia Constituinte, Elvis Hidrobo Amoroso, e o titular da Missão Transporte, o general Carlos Osorio.

Praticamente todos os principais funcionários do governo da Venezuela são alvo de sanções por parte de Washington.

"Vigorosos esforços"


Em nota oficial, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que "enquanto o governo da Venezuela continuar ignorando o desejo de seu povo, nossa mensagem é clara: os EUA não vão permanecer de braços cruzados".

Por isso, disse Mnuchin, o governo americano manterá seus "esforços vigorosos para sancionar funcionários do governo da Venezuela que são cúmplices" do presidente Nicolás Maduro.

 

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Os Estados Unidos adotaram este ano um extenso pacote de sanções contra altos funcionários venezuelanos.

No entanto, a medida de efeito mais devastador foi adotada em 25 de agosto, quando, mediante um decreto assinado pelo presidente Donald Trump proibiu-se a cidadãos e empresas americanas negociar novos bônus soberanos e da estatal petroleira PDVSA.

Na sexta-feira, o governo venezuelano notificou seus credores para comparecerem na segunda-feira, 13, em Caracas, a fim de iniciar uma renegociação da dívida do país.

Três agências de classificação de risco -Moody's, Fitch e Standard & Poor's- já rebaixaram suas notas da dívida da estatal petroleira PDVSA por considerar que uma moratória é praticamente iminente.

O quebra-cabeças


O governo de Trump anunciou várias sanções a funcionários venezuelanos este ano, mas a mais severa foi a adotada em agosto, depois da instalação da questionada Assembleia Constituinte na Venezuela.

Essas sanções na prática bloquearam a possibilidade de investimentos estrangeiros diretos na Venezuela e ao mesmo tempo criam barreiras ao governo de Caracas para obter o tão necessitado financiamento externo.

Com capacidade limitada para obter novas linhas de crédito, com as reservas internacionais do país drasticamente reduzidas, assim como a sua capacidade de pagamento, a economia venezuelana caminha para a moratória.

O empenho do governo venezuelano de negociar uma reestruturação da dívida encontrou apoio na Rússia, um dos credores de Caracas, já que Moscou aceitou discutir uma renegociação dos vencimentos com seu principal associado na América Latina.

A China, outro importante credor, ainda não se posicionou sobre o tema.

De qualquer forma, a dívida acumulada da Rússia e da China representa aproximadamente um terço do total da dívida venezuelana.

Segundo o governo venezuelano, desde 2014 o país cancelou 71,7 bilhões de dólares de capital e juros da dívida.

No entanto, o parlamento venezuelano, de maioria opositora, adiantou que não reconhecerá uma reestruturação que não se submeta à sua aprovação, apesar de a justiça local ter anulado seus poderes.
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