Trump defende relação com Rússia e diz que China pressionará Coreia

Putin e Trump falaram brevemente sobre a Síria e concordaram em que "o conflito não tem uma solução militar"

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postado em 12/11/2017 11:04 / atualizado em 12/11/2017 11:16

AFP/ KHAM
Em sua turnê asiática, o presidente americano, Donald Trump, defendeu neste domingo (12/11) a utilidade de uma boa relação com a Rússia e enalteceu os resultados de sua recente visita à China, garantindo que Pequim endurecerá as sanções contra a Coreia do Norte.

Em declarações à imprensa, ou retomando seus tuítes habituais, Trump destacou os desmentidos de seu colega russo, Vladimir Putin, sobre as acusações de ingerência russa na campanha eleitoral dos Estados Unidos, dando a entender que o considera sincero.

"Me disse que, de modo algum, se intrometeu nas nossas eleições", declarou Trump aos jornalistas que o acompanhavam no avião presidencial Air Force One rumo a Hanói.

Segundo Putin, são "fantasias". "Tudo o que está ligado ao suposto caso de ingerência russa nos Estados Unidos está ligado à luta política interna nesse país", declarou Putin em Danang, onde participou da cúpula da Apec.

No Congresso dos EUA, os chefes dos serviços de Inteligência americanos afirmaram que a Rússia havia tentado influenciar a campanha presidencial para favorecer Trump.

No sábado (11), inclusive, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), Mike Pompeo, manteve suas acusações sobre a ingerência de Moscou na campanha eleitoral dos Estados Unidos.

Prejudicial para os EUA

Segundo Trump, Putin "se sentiu insultado" com as acusações. "E isso não é bom para o nosso país", insistiu o republicano, ressaltando que ter boas relações com Moscou pode permitir avançar em temas cruciais como a Coreia do Norte.

Horas mais tarde, Trump voltou ao tema. "Em que momento os 'haters' e tolos que andam por aí vão-se dar conta de que ter uma boa relação com a Rússia é algo bom, e não algo ruim? Sempre estão fazendo manobras políticas, o que é ruim para o nosso país. Quero resolver Coreia do Norte, Síria, Ucrânia, o terrorismo, e a Rússia pode ser útil", tuitou.

Em entrevista coletiva em Hanói, penúltima etapa de sua viagem, Trump reafirmou, porém, seu apoio às agências de Inteligência dos Estados Unidos. Ao ser questionado sobre as afirmações de Putin, esclareceu:

"Se eu acredito nisso, ou não, estou com nossas agências. Eu acredito... nas nossas agências de Inteligência", disse à imprensa já em Hanói. 

Na cidade vietnamita de Danang, durante a cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), foram intensas as especulações sobre um encontro reservado entre os dois.

Até hoje, a única reunião bilateral entre ambos foi na Alemanha, em julho passado, no âmbito da cúpula do G20.

"As relações entre Rússia e Estados Unidos ainda não saíram, porém, da crise", admitiu o presidente russo, acrescentando que "estamos dispostos a virar a página e seguir adiante".

"Queremos ter relações harmoniosas com os Estados Unidos", completou Putin.

Síria, Coreia do Norte e Filipinas

Putin e Trump falaram brevemente sobre a Síria e concordaram em que "o conflito não tem uma solução militar", conforme o comunicado conjunto divulgado.

Uma posição comum que "salvará muitas vidas", garantiu Trump, ressaltando que ficou "muito rápido de acordo" com seu homólogo russo.

Trump, que também visitou a China esta semana, garantiu no domingo que o presidente Xi Jinping aceitou endurecer as sanções contra a Coreia do Norte em resposta ao programa proibido de armas nucleares desenvolvido por Pyongyang.

"O presidente Xi da China disse que aumentará as sanções", tuitou Trump, acrescentando, em outra mensagem que nunca chamaria o líder norte-coreano, Kim Jong-un, de "baixo e gordo".

"Por que Kim Jong-un me insulta me chamando de 'velho' quando eu NUNCA o chamaria de baixo e gordo? Bem, eu me esforço tanto para ser seu amigo e, talvez, algum dia isso aconteça!", completou.

Em Hanói, Trump ofereceu a seu colega vietnamita, Tran Dai Quang, mediação na disputa sobre o Mar da China Meridional, cuja soberania é reivindicada em larga medida por Pequim.

"Se puder ajudar a mediar, ou a arbitrar, por favor, me digam... Sou um ótimo mediador", afirmou.

Em sua passagem pelo Vietnã, vários contratos, nos setores da aviação e de energia, foram firmados. Trump não tratou, porém, da questão dos direitos humanos neste país comunista de partido único, que conta com inúmeros dissidentes presos.

A última escala da viagem de Trump é nas Filipinas, onde já se encontra.
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