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Veja os cinco desafios do próximo presidente do Chile

Pesquisas apontam o ex-presidente Sebastián Piñera como favorito na sucessão de Michelle Bachelet

Agência France-Presse
postado em 19/11/2017 11:36
Santiago, Chile - Reforma da Educação, conflito mapuche, reforma dos sistemas de Saúde e Previdência, além do casamento igualitário e um litígio marítimo com a Bolívia em Haia, são alguns dos desafios que aguardam o próximo presidente do Chile.

O ex-presidente de direita Sebastián Piñera é o favorito para as eleições de domingo (19/11), segundo pesquisas e analistas.

Aqui estão alguns dos principais assuntos que o sucessor da socialista Michelle Bachelet deverá lidar a partir de 11 de março:


Reforma da Educação

Bachelet vai deixar em aberto grande parte da ambiciosa reforma educacional que impulsionou no início de seu governo e que, ao final de seu mandato, permitirá que cerca de 280 mil jovens estudem gratuitamente na Universidade.

Mas a lei que estabelece a gratuidade universal permanente ainda é discutida no Congresso.

Piñera anunciou que, caso seja eleito, manterá a educação gratuita para 60% dos alunos com menos recursos, mas com condições. Ele também expressou sua intenção de estabelecer a possibilidade de os pais contribuírem financeiramente para a educação de seus filhos nas escolas que recebem fundos do Estado.

As organizações estudantis, que há anos reivindicam nas ruas reformas no sistema educacional, acreditam que as modificações introduzidas por Bachelet são insuficientes.

Conflito Mapuche

Centenas de caminhões e maquinaria foram incendiados nos últimos anos no sul do Chile, onde templos religiosos também foram atacados, como forma de protesto das comunidades indígenas mapuches que reclamam a restituição de suas terras ancestrais.

O conflito se concentra nas regiões de La Araucanía e Biobío, onde vive a maioria dos 700.000 mapuches de um total de 17 milhões de habitantes do país, com níveis de pobreza duas vezes mais elevados que o resto da população.

Grupos radicais, como a Coordenadora Arauco Malleco, reivindicam ações de resistência para a recuperação das terras, atualmente em mãos de empresas privadas.

No contexto desses ataques, dezenas de mapuches foram presos e julgados por uma lei antiterrorista, que endurece as sentenças. Por essa razão, o Estado chileno tem recebido muitas críticas de organizações como a Anistia Internacional.

A justiça não conseguiu provar que grupos terroristas operam na área.


Saúde e Previdência

Com uma despesa em saúde por família de 32%, superior à média dos países da OCDE (20%), o Chile é um dos países mais caros em atenção médica.

Cerca de 80% da população recorre ao sistema público, criticado pelas longas filas de espera e pela falta de médicos, particularmente em áreas remotas do país, enquanto 20% da população tem planos privados.

Já o atual sistema previdenciário, herança da ditadura de Augusto Pinochet, está em debate. O que rege hoje é um sistema de capitalização absolutamente individual que - quase quatro décadas após sua criação - fornece aposentadorias muito baixas aos aposentados.

Bachelet enviou ao Congresso um projeto de lei que, pela primeira vez, introduz uma contribuição de 5% das empresas. Desta forma, visa aumentar em 20% o montante da aposentadoria, que atualmente representam uma média de 241 mil pesos (cerca de 380 dólares).

Casamento igualitário

Após aprovar a lei do aborto terapêutico, e a aprovação de um Acordo de União Civil para as pessoas do mesmo sexo, Bachelet enviou ao Congresso um projeto de lei para estabelecer o casamento igualitário, com a possibilidade de adoção, ao que Piñera já fechou a porta diante da enorme oposição dos setores mais conservadores da sociedade.

Litígio boliviano

O Chile não consegue resolver uma disputa marítima com a Bolívia, que perdeu seu acesso ao mar em uma guerra no final do século 19.

O próximo presidente chileno enfrentará o final da fase oral da queixa apresentada pela Bolívia contra o Chile no Tribunal Internacional de Justiça de Haia, que deve emitir seu veredicto antes de 2020.

O Chile também apresentou uma queixa contra a Bolívia ante o Tribunal de Haia pelo uso das águas do rio Silala, no norte do país.

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