Alemanha envia ex-nazista de Auschwitz de 96 anos para prisão

Atualmente com 96 anos, Gröning é um dos últimos ex-nazistas a responder por suas ações perante os tribunais, mais de 70 anos após o final da Segunda Guerra Mundial

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postado em 29/11/2017 11:29

AXEL HEIMKEN/AFP


Berlim, Alemanha -
A Justiça alemã decidiu nesta quarta-feira (29/11) ordenar a prisão de um idoso de quase 100 anos, Oskar Gröning, ex-contador do campo de extermínio de Auschwitz, para cumprir sua sentença de quatro anos de prisão.

Atualmente com 96 anos, Gröning é um dos últimos ex-nazistas a responder por suas ações perante os tribunais, mais de 70 anos após o final da Segunda Guerra Mundial. Nenhum dos condenados mais velhos está preso atualmente. Em 2015, ele foi sentenciado a quatro anos de prisão por "cumplicidade" no assassinato de 300 mil judeus. Na ocasião, o acusado pediu desculpas e evocou uma "falha moral".

Ainda assim, apresentou recurso contra sua condenação, confirmada no ano passado pelo Tribunal Federal. Nesta quarta-feira, a Justiça considerou que ele está "apto" para cumprir sua sentença. "Com base na opinião de peritos, o tribunal presume que o condenado está apto a cumprir a sentença, apesar de sua idade avançada", afirmou, em um comunicado, o Tribunal de Apelação de Celle, centro da Alemanha.


Igualdade para cumprir pena 

O tribunal confirmou assim um primeiro julgamento proferido na mesma direção em meados de agosto. O condenado tem a possibilidade de iniciar um último recurso, mas a decisão sobre esta apelação não tem efeito suspensivo. O Estado tem a obrigação de garantir aos cidadãos "a confiança no funcionamento das instituições e assegurar a igualdade de tratamento de todas as pessoas declaradas culpadas nos processos penais", afirmou o tribunal.


No entanto, devido à idade avançada de Gröning, o centro de detenção terá de fornecer equipamentos adequados e cuidados médicos. Durante seu julgamento em julho de 2015, o ex-contador foi censurado por aceitar "um trabalho de escritório seguro" em uma "máquina destinada a matar pessoas" e "insuportável para o espírito humano".

Em suas requisições, o promotor colocou na balança a "contribuição menor" de Oskar Gröning para o funcionamento de Auschwitz, que se tornou símbolo do inferno vivido nos campos de concentração, com um número "quase inimaginável" de vítimas.

Enquanto o homem assumiu uma "falha moral" e pediu desculpas, sua defesa implorou a absolvição, justificando que ele não "contribuiu" de forma concreta para o Holocausto. Muito antes de ser pego pela Justiça, este ex-voluntário no Waffen SS havia contado sua experiência em Auschwitz, de 1942 a 1944, em um livro de memórias para seus familiares e em longas entrevistas para "lutar contra o negacionismo".

"Auschwitz é um lugar, no qual ninguém deveria ter-se envolvido", admitiu ele. As partes civis comemoraram que, "pela primeira vez depois de meio século de julgamento de crimes nazistas, um acusado reconhece oficialmente sua culpa e pede desculpas por isso".

- Processos tardios -

As acusações contra o ex-SS foram baseadas em dois pontos: na acusação de ter apoiado o regime financeiramente, enviando dinheiro dos deportados para Berlim, e por ter assistido três vezes à separação na entrada do campo dos recém-chegados entre os considerados aptos ao trabalho e aqueles imediatamente mortos.

Ele se defendeu, assegurando que seu único papel era evitar o roubo da bagagem dos deportados, sem qualquer ligação com o extermínio, e lembrou seus três pedidos infrutíferos de transferência para a frente de combate.

O ex-contador de Auschwitz é um dos últimos nazistas a comparecer perante os tribunais. Da mesma forma, outros três réus - John Demjanjuk, Reinhold Hanning e Hubert Zafke - foram todos condenados nos últimos anos, ilustrando a severidade, mas muito tardia, da Justiça alemã.

No caso de Hubert Zafke, um ex-enfermeiro de Auschwitz de 96 anos, a Justiça alemã arquivou o processo em setembro, considerando que ele não era mais "apto a comparecer diante do tribunal", uma decisão que chocou as famílias das vítimas. Cerca de 1,1 milhão de pessoas, judeus em sua maioria, morreram no campo de Auschwitz-Birkenau entre 1940 e 1945.
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