Europa e África tentam frear migração ilegal de pessoas

Ano passado, a Organização Internacional para Migração (OIM) contabilizou 7.253 migrantes mortos em todo mundo

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 04/12/2017 06:00 / atualizado em 04/12/2017 00:23

AFP/Taha Jawashi
A cada 96 minutos, em algum lugar do mundo, um migrante morre na tentativa de mudar de país para escapar de perseguições, guerras, fome, terrorismo e outras ameaças. O naufrágio em precárias embarcações é a principal causa das 5.136 mortes registradas neste ano, até 1º de dezembro, pela Organização Internacional para Migração (OIM), agência das Nações Unidas. São números de uma crise humanitária que persiste em desafiar a comunidade internacional desde a tragédia de Lampedusa, em outubro de 2013, quando cerca de 360 pessoas morreram em um naufrágio no Mar Mediterrâneo.

Embora a migração tenha sido uma das principais pautas da 5ª Cimeira União Africana-União Europeia (UA-UE), que reuniu mais de 80 chefes de Estado na Costa do Marfim, na semana passada, nenhuma medida concreta foi anunciada para atacar as causas do êxodo ou garantir a segurança dos migrantes. O tema da migração foi incluído na pauta de última hora, após a divulgação de um vídeo, pela rede americana CNN, que mostra cenas de um leilão de escravos na Líbia, onde a Guarda Costeira tem sido financiada e treinada por países europeus para barrar os migrantes antes mesmo de entrarem em águas europeias.

Em território líbio, os refugiados sofrem diferentes violações, que incluem tortura e abuso sexual. A Guarda Costeira do país africano é um grupamento descentralizado, frequentemente acusado de cumplicidade com milícias locais e contrabandistas e de violar os direitos humanos dos migrantes. Mesmo assim, firma-se como peça fundamental para a Europa bloquear as fronteiras marítimas.

A OIM informou que, no Mediterrâneo, 3.033 pessoas morreram em 2017 (até 26 de novembro). Há uma semana, foram pelo menos oito na rota do Mediterrâneo Ocidental, que liga o norte da África à Espanha. Na parte oriental, um menino afegão de 10 anos morreu asfixiado em um barco na ilha grega de Lesbos, durante o resgate de 66 migrantes por um navio da Agência Europeia de Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex).

Transparência

“A comunidade internacional precisa discutir formas de solucionar as causas da migração, melhorando a vida das pessoas nos países de origem. É fundamental também, ao mesmo tempo, dar transparência ao processo de imigração e, principalmente, garantir a segurança dos refugiados”, disse ao Correio Joel Millman, porta-voz da Organização Internacional para Migração (OIM). “Não adianta a Europa fechar as portas para os imigrantes, porque as pessoas não vão parar de se deslocar se não tiverem vida dígna e segura em seus países. Também não adianta bloquear uma rota de navegação, porque as pessoas vão buscar outras rotas, muitas vezes mais perigosas, ficando ainda mais expostas a naufrágios e outras ameaças”, acrescentou.

Para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), países como Itália e Grécia, principais portas de entrada na Europa para os que emigram da África e do Oriente Médio, têm tido um papel importante no resgate de náufragos e na recepção dos imigrantes. No entanto, a entidade considera que isso ainda é muito pouco para enfrentar os diversos fatores que envolvem a crise migratória.

“Só isso não basta. As pessoas, antes de deixar os países de origem, precisam ter a segurança de que seus pedidos de refúgio serão recebidos e analisados no destino pretendido. Se elas tivessem essa segurança, não se arriscariam tanto”, afirmou Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Acnur no Brasil. “É o desespero que as leva a correr tantos riscos, em embarcações precárias e lotadas, à mercê da ação dos coiotes do tráfico de pessoas”, ponderou. “Por sua vez, um imigrante que está na Europa precisa ter meios regulares para garantir que seus parentes possam entrar na Europa para visitá-lo. Ou seja, a regulamentação desse processo é fundamental.”

» Tragédia que se repete

Migrantes mortos em todo o mundo (período de 1º de janeiro a 1º de dezembro de cada ano):

2014 - 4.367
2015 - 5.623
2016 - 7.253
2017 - 5.136
Total = 22.379

Migrantes mortos no Mediterrâneo:

2014 - 3.283 (durante todo o ano)
2015 - 3.785 (durante todo o ano)
2016 - 5.413 (durante todo o ano)
2017 - 3.033 (até 26 de novembro)
Total = 15.514

Fonte: Organização Internacional para Migração (OIM)

Trump fora de pacto da ONU

Os Estados Unidos se retiraram do Pacto Mundial das Nações Unidas sobre proteção de migrantes e refugiados, por considerá-lo “incompatível” com a política migratória do governo de Donald Trump, informou a missão americana na ONU. A Assembleia Geral aprovou em setembro de 2016 a Declaração de Nova York, para melhorar a proteção e a gestão dos movimentos de migrantes e refugiados. O texto dá mandato ao Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) para propor, em 2018, um pacto com respostas para o problema e um programa de ação.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.