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Estado de Minas

'Curso para mulheres' que ensina a limpar e se calar é suspenso na China

Essas aulas começaram em 2011 por iniciativa da 'Associação de Pesquisa sobre a Cultura Tradicional de Fushun' para defender os valores tradicionais chineses


postado em 04/12/2017 14:49 / atualizado em 04/12/2017 15:04

'As mulheres têm que falar menos, limpar mais e se calar', assegura uma professora a um grupo de estudantes(foto: AFP PHOTO/GOH CHAI HIN)
'As mulheres têm que falar menos, limpar mais e se calar', assegura uma professora a um grupo de estudantes (foto: AFP PHOTO/GOH CHAI HIN)


Limpar, cozinhar e, sobretudo, não falar nada: esses eram os preceitos de um "curso de moral para mulheres", que as autoridades chinesas acabaram suspendendo depois da divulgação de um polêmico vídeo com uma de suas aulas. "As mulheres têm que falar menos, limpar mais e se calar", assegura uma professora a um grupo de estudantes, no vídeo que se tornou viral nas redes sociais.

"As mulheres não deveriam se esforçar para subir na escala social, e sim ficarem sempre no nível mais baixo", continua, em um curso organizado na cidade de Fushun, no nordeste do país. "Se você encomenda comida ao invés de cozinhá-la, está desobedecendo as regras das mulheres", afirma depois um instrutor.

Essas aulas começaram em 2011 por iniciativa da "Associação de Pesquisa sobre a Cultura Tradicional de Fushun" para defender os valores confucianos. Mas as imagens causaram grande revolta. "É a escravidão para as mulheres, não a moral para as mulheres", critica um internauta na rede social Weibo.

A Prefeitura de Fushun assinalou que as aulas começaram sem o aval das autoridades e, portanto, seriam suspensas, informou a agência oficial Xinhua, detalhando que foram abertas filiais em outras três cidades do país. Nos últimos anos, os cursos de moral tradicional se multiplicaram na China, fundando-se nos princípios da filosofia de Confúcio para propagar os valores de obediência e conservadorismo.

O confucionismo, venerado na época imperial, foi combatido pelos comunistas após sua chegada ao poder em 1949. Mas esta filosofia volta a estar em voga há cinco anos, sob a Presidência de Xi Jinping, que não hesita em citar o famoso pensador para defender a cultura chinesa tradicional com fins patrióticos.

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