Museu coloca um dos autores dos ataques de Paris em lista de 'mártires'

A lista de mártires que contém um dos autores dos ataques de Paris em 2015 causou indignação da embaixada da França na Alemanha

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postado em 04/12/2017 15:36 / atualizado em 04/12/2017 15:57

Martyrmuseum/Reprodução


Uma exposição em Berlim sobre os "mártires" na história, que inclui em sua lista um dos autores dos ataques de Paris em 2015, provocou polêmica na Alemanha e um protesto oficial da França. Intitulada "O Museu dos Mártires", a exposição apresenta fotografias afixadas em duas paredes acompanhadas de curtas biografias de 20 figuras históricas apresentadas como "mártires", pessoas "mortas por suas convicções".

Nesta lista heterogênea estão o filósofo grego Sócrates, o ativista americano dos direitos civis Martin Luther King, mas também o francês Ismaël Omar Mostefaï, um dos três autores do massacre jihadista na casa de espetáculos Bataclan em Paris, em novembro 2015, que fez 90 mortos.

Um ingresso de entrada para o Bataclan foi afixado ao lado de sua foto. O egípcio Mohammed Atta, um dos principais responsáveis pelos ataques suicidas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, bem como um adolescente suicida do Daguestão, autor de um atentado no metrô de Moscou em 2010, também estão incluídos nesta exposição.

A mostra foi organizada por um coletivo dinamarquês chamado "The Other Eye of the Tiger" ("O Outro Olho do Tigre"). Pode ser visitada no Kunstquartier Bethanien, um local cultural alternativo de Berlim. Inaugurada na semana passada e programada para durar até quarta-feira, a exposição despertou indignação na Alemanha, bem como na França, especialmente nas redes sociais.



A embaixada francesa em Berlim expressou sua "consternação", considerando tal "viés (...) profundamente chocante". "Lembrando o nosso apego à liberdade de criação artística, denunciamos fortemente a confusão assim feita entre o martírio e o terrorismo", disse em comunicado. Todos os personagens citados "foram designados como 'mártir' por um Estado, uma religião ou uma organização, nenhum deles pelos próprios artistas", insistiram em uma declaração os autores da exposição, que afirmam repudiar qualquer tipo de violência e terrorismo.

A exposição quer mostrar "a extensão do uso do termo 'mártir' e sua inconsistência em função dos diferentes contextos e posições geográficas ao longo da história", acrescentem. A prefeitura de Berlim assegurou que não "apoia nem financia" a exposição. Membro do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), a deputada Beatrix von Storch anunciou no Twitter ter apresentado uma queixa "por apologia pública ao homicídio".
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