Palestinos declaram "três dias de fúria" contra reconhecimento de Jerusalém

Líder americano telefona para o colega palestino, Mahmud Abbas, e anuncia transferência da embaixada para Jerusalém. Palestinos declaram "três dias de fúria", e árabes condenam os planos do republicano de reconhecer a cidade como capital do Estado de Israel

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postado em 06/12/2017 09:36 / atualizado em 06/12/2017 10:05

AFP / Musa AL SHAER


O movimento fundamentalista islâmico Hamas prometeu uma terceira intifada (levante palestino). A Turquia avisou que romperá as relações diplomáticas com Israel. O mundo árabe reagiu com revolta e indignação. Na manhã de ontem, o presidente norte-americano, Donald Trump, telefonou para o líder palestino, Mahmud Abbas, e para os reis Abdullah II (Jordânia) e Salman (Arábia Saudita). “Trump disse a Abbas que pretende transferir a Embaixada dos Estados Unidos em Tel Aviv para Jerusalém. A liderança palestina se reunirá em breve para tomar decisões importantes”, afirmou ao Correio Saeb Erekat, secretário-geral da Organização para  a Libertação da Palestina (OLP) e ex-negociador-chefe nos acordos de paz.


A Casa Branca confirmou que Trump fará, hoje, um anúncio formal sobre a posição de seu governo em relação ao estatuto de Jerusalém. A expectativa é de que o republicano reconheça Jerusalém como capital do Estado judeu e confirme a mudança da sede da representação diplomática — a transferência provavelmente ocorrerá dentro de seis meses. Os palestinos entendem que o reconhecimento de Trump equivaleria a reconhecer a “ocupação israelense”.

“Abbas conversou com vários líderes internacionais e estamos fazendo de tudo em nossas mãos, em coordenação com nossos parceiros, para prevenir tal manobra prejudicial, infame e ilegal”, acrescentou Erekat. O presidente palestino apelou ao papa Francisco e aos colegas Emmanuel Macron (França) e Vladimir Putin (Rússia) para que tentem demover Trump do anúncio. O Vaticano confirmou que o pontífice e Abbas conversaram por telefone, embora não tenha fornecido detalhes do diálogo.

Facções palestinas na Cisjordânia convocaram “três dias de cólera” em protesto contra as intenções do magnata. Em carta enviada a dirigentes árabes e muçulmanos, Ismael Haniyeh, um dos dirigentes máximos do Hamas, alertou que  “o reconhecimento da administração americana de Jerusalém ocupada como a capital da ocupação e a transferência da embaixada para Jerusalém ultrapassaria todas as linhas vermelhas”. Ele denunciou a “judaização” da cidade sagrada. Ontem, os EUA proibiram funcionários do governo americano de realizarem qualquer deslocamento na Cidade Velha de Jerusalém. A interdição também vale para a Cisjordânia.

Professor da Universidade de Belém e da Universidade de Al-Quds, o palestino Bishara Bahbah explicou à reportagem que a atitude de Trump seria um “erro histórico” e uma “ruptura com a política americana” desde a criação do Estado de Israel, em 1948. “A comunidade internacional tem defendido o consenso de que o status de Jerusalém somente pode ser determinado quando for alcançado um acordo final entre os judeus e os palestinos”, observou. “Todos os ex-presidentes, sejam eles republicanos ou democratas, se recusaram a reconhecer Jerusalém como capital de Israel enquanto não houvesse um acordo de paz”, lembrou.

Repúdio global

Turquia
» O presidente Recep Tayyip Erdogan anunciou que romperá relações diplomáticas com Israel, caso os EUA reconheçam Jerusalém como capital do Estado judeu. “Senhor Trump! Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos”, advertiu o líder turco, também presidente em exercício da Organização para a Cooperação Islâmica.


Arábia Saudita
» Principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, a Arábia Saudita advertiu que uma eventual transferência da embaixada americana para Jerusalém poderia desatar “a ira dos muçulmanos de todo o mundo”. A advertência foi feita durante conversa telefônica do rei Salman com Trump. “É uma iniciativa perigosa”, avisou o monarca ao republicano.


Liga Árabe
» Ahmed Abul Gheit, secretário-geral, classificou de “perigosa” a provável decisão de Trump e alertou para “consequências negativas”. Para o chefe da organização pan-árabe, isso “colocaria fim ao papel dos Estados Unidos com mediador de confiança entre os palestinos e as forças (israelenses) de ocupação”.


França
» Na segunda-feira à noite, o presidente Emmanuel Macron (foto) “expressou sua preocupação sobre a possibilidade de que os EUA reconheçam unilateralmente Jerusalém como capital do Estado de Israel”. De acordo com o Palácio do Eliseu, Macron lembrou que “a questão do status de Jerusalém deverá ser regulada no marco das negociações de paz entre israelenses e palestinos”.


União Europeia
» Federica Mogherini, chefe de política externa do bloco, alertou para as “graves repercussões” da decisão americana e pediu a manutenção dos esforços para o relançamento do processo de paz. “Devemos encontrar um caminho mediante negociações para resolver o status de Jerusalém como futura capital de ambos os Estados (israelense e palestino)”, declarou.
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