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Estado de Minas

Salah Abdeslam, suspeito dos atentados em Paris, é julgado na Bélgica

Participante de célula jihadista está sendo julgado por participação em atentado a investigadores franceses e belgos em março de 2016


postado em 05/02/2018 10:10 / atualizado em 05/02/2018 10:22

Salah Abdeslam se recusa a falar sobre os atentados desde sua prisão em 2016(foto: Emmanuel Dunand/AFP)
Salah Abdeslam se recusa a falar sobre os atentados desde sua prisão em 2016 (foto: Emmanuel Dunand/AFP)

 

Bruxelas, Bélgica - Salah Abdeslam, único integrante vivo das células jihadistas que atacaram Paris em novembro de 2015, compareceu nesta segunda-feira (5/2) a um tribunal de Bruxelas por sua suposta participação em um tiroteio em 2016, na Bélgica, que acabou com sua fuga.

 

O julgamento começou pouco antes das 6h (horário de Brasília) no Palácio da Justiça de Bruxelas, aonde o réu chegou após uma viagem de quatro horas em um comboio policial escoltado por unidades de elite.

 

No início do julgamento, quando questionado, Abdeslam afirmou que não responderia a perguntas. O réu se recusou, ainda, a ficar de pé quando solicitado pela juíza que preside o processo, Marie-France Keutgen.

 

Desde sua detenção na França, em abril de 2016, Abdeslam mantém silêncio diante dos investigadores. O processo julga um tiroteio ocorrido na cidade de Forest, em março do mesmo ano, que deixou três policiais feridos. As autoridades o consideram um preâmbulo do julgamento que acontecerá na França, pelos atentados de Paris que deixaram 130 mortos.

 

O francês de 28 anos é de origem marroquina e fazia parte de uma célula jihadista envolvida em ao menos três grandes operações terroristas nos últimos anos.

 

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Atentados

Abdeslam está sendo julgado por um fato ocorrido em 15 de março de 2016, quando investigadores franceses e belgas foram surpreendidos por tiros durante uma operação de rotina em um dos abrigos da célula em Forest.

 

Na ocasião,  um jihadista de origem argelina, de 35 anos, Mohamed Belkaid,  morreu ao tentar encobrir a fuga de Abdeslam e de um cúmplice, Sofiane Ayari, um tunisiano de 24 anos, que também será julgado em Bruxelas. Os dois jihadistas foram detidos três dias depois, em Molenbeek.

 

Uma associação de vítimas de atentados, V-Europe, que diz representar cerca de 200 pessoas dos atentados de Bruxelas, reclamou ser parte civil no julgamento.

 

A defesa dos acusados poderá aceitar de mau grado esta constituição em parte civil de última hora, apesar de várias fontes relacionadas com o caso excluírem qualquer novo adiamento.

 

A audiência, que deveria ter acontecido em meados de dezembro no tribunal correcional de Bruxelas, foi adiada para dar tempo a Sven Mary, o novo advogado de Abdeslam, preparar sua defesa. Um renomado criminalista belga acompanhou o jihadista logo depois de sua prisão, mas desistiu sete meses depois, criticando a incompreensível atitude de seu cliente.

 

Salah Abdeslam e Sofiane Ayari devem responder pelas acusações de "tentativa de assassinato de vários policiais" e "posse de armas proibidas", tudo em "um contexto terrorista". Eles podem pegar até 40 anos de prisão.

Paris

Abdeslam também será julgado pelos atentados de 13 de novembro de 2015, num processo ainda sem data definida.

 

Segundo a procuradoria federal belga, os atentados de Paris em novembro de 2015, o de março de 2016 em Bruxelas e o de um trem entre Amsterdã e Paris em agosto de 2015, que fracassou, foram de responsabilidade “talvez, unicamente da organização Estado Islâmico".

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