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Decisão do Banco Central de elevar taxa selic faz dólar cair a R$ 2,18 Com a perspectiva de a taxa básica, que subiu a 9,50% ao ano, chegar a dois dígitos, investidores se desfazem da moeda

Deco Bancillon

Publicação: 11/10/2013 09:03 Atualização: 11/10/2013 16:31

O dia seguinte à decisão do Banco Central (BC) de elevar a Selic pela quinta vez consecutiva no ano, para 9,5%, foi de indefinição nos mercados. Como a instituição deixou em aberto a possibilidade de subir a taxa pelo menos mais uma vez até o fim de 2013, a dúvida geral de analistas e até de membros do governo Dilma Rousseff passou apenas uma: até onde vai o juro básico no Brasil?

Como a percepção é de que talvez esse processo se estenda até o início de 2014, o que resultaria em levar a Selic para acima da barreira simbólica de 10% ao ano, um grande número de operadores da bolsa passou a postar, nos chamados mercados futuros de juros, em pelo menos mais uma alta de 0,5 ponto na última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o fim de novembro.

O movimento provocou também reflexos no dólar, que caiu ontem para o menor patamar em quatro meses. Com juros maiores, o Brasil passa a ficar mais atraente para o investidor estrangeiro, que poderá lucrar com operações de arbitragem, que consiste em tomar dinheiro emprestado a taxas menores em nações avançadas e aplicar em títulos do governo de economias em desenvolvimento. Como vieram mais dólares para o país, a oferta de moeda no Brasil aumentou, levando a cotação da divisa norte-americana a recuar 1,13%, para o patamar de R$ 2,181 para a venda, o menor valor desde 18 de junho. Refletindo o bom humor com o país, o Ibovespa, o principal índice de desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, voltou a subir ontem, ao marcar 53 mil pontos, alta de 0,85%.

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Os mercados têm apostado que a elevação nos juros tende a conseguir frear, ainda que não muito, a escalada da inflação, que, pela primeira vez no ano, em setembro, ficou abaixo de 6%. Com inflação menor e juros mais altos, o país tende a se tornar mais atraente ao investimento, avaliou ontem o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Em Washington, nos Estados Unidos, onde participou do encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, o executivo ponderou que a alta dos juros “cria confiança na estabilidade”, e reforçou que, apesar de taxas maiores de juros significarem um custo a mais para que empresas possam tomar dinheiro e aplicar em projetos de expansão da capacidade produtiva, a elevação da Selic servirá para melhorar a “confiança do setor privado” no país. “O investimento depende de confiança no futuro”, assinalou.

Essa confiança só não é maior, diz o ex-diretor de Mercado de Capitais do BC Keyler Carvalho Rocha, porque nem o governo, nem a autoridade monetária parecem estar preocupados em trazer a inflação pra o centro da meta de 4,5%. Na avaliação dele, esse número tem servido apenas como uma referência, não consistindo no verdadeiro alvo a ser a ser perseguido pelo BC. “É como se você falasse para seu filho que ele tem que tirar 10 na escola, mas se ele tirar 8,5 já está de bom tamanho”, disse. Keyler, hoje professor de finanças da Universidade de São Paulo (USP), acredita que qualquer resultado abaixo de 6% “já é suficiente” para o governo, que sabe que, para conseguir reduzir a inflação abaixo desse patamar, teria que fazer um grande esforço fiscal, cortando despesas de custeio da máquina pública. “Mas não vejo essa possibilidade tão cedo”, disse.

Para o economista Mansueto de Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), lembra que, a partir de 2014, mesmo com juros maiores, o governo terá um novo desafio para trazer o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta: controlar os chamados preços administrados, como contas de água, luz, telefone e passagens de transportes públicos. “O que está segurando a nossa inflação são os preços administrados, que são controlados pelo governo. É como os reajustes de passagens, que várias prefeituras seguraram neste ano. Em algum momento isso vai ter que ser revisto, e essa pressão será um outro grande desafio para o BC no ano que vem”, disse.

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