Senadores rebateram nesta sexta-feira as críticas da revista britânica "The Economist", que chamou o Senado brasileiro de "casa dos horrores". Para os parlamentares, a reportagem é preconceituosa e os ingleses deveriam se preocupar com os problemas internos do Parlamento britânico. O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), disse que seria um gesto de cortesia respeitar a autonomia dos países. "São dois Parlmentos distintos, completamente diferentes. Lá é monarquia, aqui é República. É uma matéria preconceituosa e elitista. Eu acho que os jornalistas ingleses deveriam estar preocupados com escândalos semelhantes que aconteceram no parlamento deles. Cada um toma conta de seus problemas, respeitando a autonomia dos países", afirmou.
PSDBO líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), reconheceu que o Congresso não pode servir de exemplo para outros Parlamentos, mas afirmou que o britânico, mesmo sendo o mais antigo do mundo, também enfrenta problemas. "A Câmara dos Comuns não precisa aprender muito pelo o que estou vendo aqui [no Brasil] não. A gente viu coisas terríveis lá também. Eles surpreenderam muito, porque é o parlamento mais experiente do mundo e, no entanto, revelou práticas típicas de países que não chegaram ao desenvolvimento democrático pleno, como é o caso do Brasil", disse. Virgílio foi citado na reportagem pelo empréstimo que teria contraído com o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, apontado como o principal articulador das denúncias da Casa , para pagar uma viagem a Paris, na França.
Segundo o tucano, as críticas internacionais reforçam o pedido de afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do cargo para dar credibilidade às investigações sobre as denúncias de irregularidades que atingem o comando da Casa. "Por outro lado, eu concordo: isso aqui tem sido uma casa dos horrores mesmo. E nós precisamos fazer uma investigação profunda", afirmou.
Abuso inglêsO Parlamento britânico enfrentou nos últimos dois meses uma crise na Câmara dos Comuns --equivalente a Câmara dos Deputados no Brasil-- por denúncias de gastos abusivos dos deputados. A imprensa destacou os abusos cometidos por grande parte dos 646 deputados britânicos. A imprensa criticou em especial alguns gastos considerados absurdos financiados pelos contribuintes: batons, comida para cães, um vaso sanitário, entre outros. O escândalo obrigou à renúncia de 15 deputados e de vários ministros do gabinete do primeiro-ministro Gordon Brown.
Casa dos horroresA edição da "Economist" diz que os escândalos do Senado brasileiro são um lembrete das falhas cometidas por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da "disposição de Lula em fechar os olhos para escândalos quando lhe convém". De acordo com a BBC Brasil, o artigo é intitulado "Casa dos Horrores", em uma referência ao Senado, "que tem 81 membros mas, de algum modo, requer quase 10 mil funcionários para cuidar deles".
Esta matéria tem: (3) comentários
Autor: Douglas Carvalho
A diferença é que lá fora pesa o que se diz daqui. Não há mentira, nem inverdades escritas. Lamentável o que o nosso legislativo reflete. | Denuncie |
Autor: Aloisio Antonio Cabral
A publicação inglesa está correta,apesar de um pouco camarada.O Senado brasileiro não é uma casa somente de horrores, na verdade é um lixão,um esgoto politico | Denuncie |
Autor: Ricardo Cubas
É, a verdade é uma coisa que dói mesmo. A diferença daqui pra lá é que qualquer irregularidade mínima, e eles renunciam, aqui não. Nosso senado poderia ser extinto. | Denuncie |