Politica

O palanque ainda é um adversário para a Dilma superar

Tranquilidade na relação com representantes de partidos aliados contrasta com as dificuldades de Dilma para se comunicar com o eleitor em eventos abertos ao público

postado em 15/07/2010 07:15
Candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff conseguiu estreitar os laços políticos com aliados, mas ainda não domina os palanques. A ex-ministra da Casa Civil ; que na década de 1990 fez curso de dramaturgia grega, repaginou o visual recentemente para a campanha e sorri constantemente para câmeras ; está distante do povo. Durante a inauguração do comitê central, em Brasília, a petista não atendeu aos apelos da pequena militância, que aguardou duas horas por fotos. Também não cumprimentou o grupo quando subiu ao palco. Apenas sorriu. Nem o jingle: ;Ela sabe bem o que faz, ela já mostrou que é capaz;, que gruda como chiclete, a ex-ministra cantou. Entretanto, fez questão de cortejar quase que um por um os políticos que estavam no palanque representando os nove partidos da base de apoio. Citou todos, alguns nominalmente, como o deputado federal Eduardo Vieira da Cunha (PDT-RS), a quem Dilma chamou de Vieirinha. Exaltou também o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e lembrou a luta do vice-presidente José Alencar contra o câncer ao falar sobre o PRB.

;Nunca percebi problemas no jeito da candidata. Nem antes e nem agora. Às vezes, as pessoas falam coisas que não são adequadas. Mas o (José) Serra comete muito mais erros;, afirma o líder do governo na Câmara, deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP). A candidata, segundo ele, demonstra intimidade com as pessoas. ;Cada um tem discurso de um jeito. Acho que ela passa mais consistência e seriedade.;

Em treinamento para evitar saias justas, a ex-ministra nem sempre consegue manter o sorriso. Geniosa, subiu o tom anteontem com um assessor que trouxe água numa taça. Em instantes, ele surgiu com um copo descartável. Recentemente, a coordenação da campanha tirou Dilma de uma tumultuada caminhada em Porto Alegre. Em São Paulo, ela foi poupada do corpo a corpo no Centro da cidade.

Humor
A fama de exigente e mal-humorada está sendo trabalhada pelos coordenadores de campanha. A ministra abriu seu discurso com ;meus queridos e minhas queridas;. Em seguida, contou histórias, como uma repetida em outros eventos, sobre as mulheres. ;Somos 52% da população. Os outros 48% são nossos filhos;, diverte-se.

;Dilma conseguiu dialogar bem com os aliados, respondeu à questão da experiência com um palanque amplo e fez questão de conversar com governadores de estado que estavam ali;, analisa a deputada federal Manuela D;Ávila (PCdoB-RS), sobre o evento em Brasília. Segundo a parlamentar, candidatos precisam explorar características pessoais num palanque. Nesse ponto, a deputada, que começou a carreira no movimento estudantil e em 2008 foi candidata à prefeitura de Porto Alegre, acredita que Dilma impressionou. ;Traquejo no palco não é necessário para ser bom ou mau presidente. Cada pessoa ocupa o palanque da sua maneira.;

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