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Manifestações e investigação anticorrupção enfraquecem o governo turco Também foram feitas convocações para novos protestos nesta sexta-feira em Ancara e na praça Taksim, em Istambul, epicentro das grandes manifestações registradas no último verão (do hemisfério norte)

France Presse

Publicação: 27/12/2013 10:22 Atualização:

Ancara - O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que enfrenta a maior crise política desde que chegou ao poder, estava diretamente ameaçado nesta sexta-feira (27/12) por uma ampla investigação anticorrupção, poucas horas antes de novas manifestações da oposição.

Apesar de ter remodelado amplamente seu gabinete na noite de quarta-feira, após a renúncia de três importantes ministros, diretamente vinculada a esta investigação anticorrupção, Erdogan continua provocando críticas e manifestações da oposição.

Na noite de quarta-feira, milhares de manifestantes pediram a renúncia de todo o governo em várias cidades do país e gritaram novamente os slogans da onda de protestos sem precedentes que atingiu o país nas primeiras três semanas de junho.

Também foram feitas convocações para novos protestos nesta sexta-feira em Ancara e na praça Taksim, em Istambul, epicentro das grandes manifestações registradas no último verão (do hemisfério norte).

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A disputa entre o governo e a justiça voltou para o primeiro plano, depois que um procurador que buscava realizar novas análises nesta ampla investigação judicial foi declarado incompetente.

"Todos os meus colegas e o público têm que saber que eu, como procurador, fui impedido de lançar uma investigação", afirmou o procurador Maummer Akkas na quinta-feira, acrescentando que a justiça estava sendo pressionada por meio da polícia.

Segundo Akkas, a polícia se negou a deter 30 suspeitos, principalmente membros do governante Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) de Erdogan.

A imprensa já havia começado a afirmar antes desta declarações de Akkas que Erdogan havia dito que os procuradores planejavam investigar os filhos do primeiro-ministro, que dirigem grandes empresas, e inclusive o chefe de Estado.

"O principal alvo desta operação sou eu", teria declarado Erdogan, segundo pessoas próximas citadas pela imprensa, que segue afirmando que pesariam suspeitas sobre um de seus filhos, Bilal Erdogan.

"Quebram a justiça", afirmava o jornal Hurriyet em sua primeira página. Um de seus editorialistas condenou "a inaceitável intervenção contra o poder judicial".

Erdogan afirmou que as investigações formam parte de um complô e criticou os ataques da confraria de Fethullah Gulen, que era até agora um de seus partidários, acusada implicitamente de planejar este suposto complô com o objetivo, segundo ele, de destruir os avanços políticos e econômicos alcançados nos últimos dez anos.

Esta guerra fratricida mudou o panorama político nacional, diante das eleições municipais e presidenciais de 2014.

"Não haverá trégua. Pelo contrário, esta guerra se tornará cada vez mais violenta até se transformar em uma luta pela sobrevivência de cada uma das partes", havia estimado Rusen Cakir, editorialista liberal e especialista do AKP de Erdogan e de Gulen.

Por sua vez, a mobilização nas ruas pode crescer, assim como ocorreu em junho passado.

Em junho, as manifestações no parque Gezi e na praça Taksim de Istambul, com o objetivo de salvar as árvores deste parque, ameaçadas por um projeto urbanístico impulsionado pelo governo, se converteram em protesto geral contra Erdogan.

Esta onda de manifestações de junho terminou com cinco mortos e quase 8.000 feridos, segundo um balanço da Associação de Médicos.

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