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MP apura discurso de Dilma sem tradução para deficientes auditivos O pronunciamento, feito em 21 de junho do ano passado, não contou com legendas ou intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Amanda Almeida

Daniela Garcia - Correio Braziliense

Publicação: 10/01/2014 06:02 Atualização: 10/01/2014 10:40

A presidente Dilma Rousseff usou, em meio às manifestações de junho de 2013, a cadeia nacional de rádio e televisão para dizer que “ouviu as vozes da rua”. Mas nem todos os brasileiros puderam afirmar também que entenderam as promessas da chefe de Estado sobre as reivindicações. Restou aos cerca de 9 milhões de deficientes auditivos apenas a tentativa de uma leitura labial para decifrar o recado da presidente. O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DP) abriu inquérito para investigar por que essa parcela da população, não raro, é excluída da comunicação oficial.

O pronunciamento, feito em 21 de junho do ano passado, não contou com legendas ou intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). No mesmo dia, numa reação imediata, deficientes auditivos foram às redes sociais. “Surdos não são brasileiros?”, questionaram, em um vídeo no qual reproduziram o discurso da presidente, exibido na tevê, mas sem áudio ou legenda, para que os que podem ouvir sentissem o mesmo drama. A especialista em Libras Ângela Suassuna estava entre os insatisfeitos on-line: “A presidente disse que falou para os manifestantes e para os não manifestantes. E o surdos? Será que a presidente não sabe que tem 9 milhões de surdos no Brasil? Que esses surdos votam e pagam impostos?”.

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Ao todo, Dilma usou a rede de televisão 17 vezes. Não houve intérprete de Libras em nenhum dos pronunciamentos do ano passado. A diretora de Políticas Educacionais da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), Patrícia Rezende, diz que o uso de legendas não é suficiente para garantir a acessibilidade aos deficientes auditivos. “Temos que atender a pluralidade de surdos brasileiros. Há uns que preferem intérpretes de Libras, há outros que preferem legenda.”

Em 21 de junho, antes do pronunciamento, a Feneis procurou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para pedir acessibilidade aos surdos. A chefe da pasta respondeu horas depois da exibição do discurso “silencioso” de Dilma, com uma promessa. “Vou falar com a ministra Helena (Chagas, da Secretaria de Comunicação da Presidência) para providenciar para os outros pronunciamentos”, escreveu Gleisi. Nos seguintes, houve legenda, mas sem intérprete.

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