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Lideranças do PT e do PMDB conversam para manter a aliança Reuniões de caciques do partido, e de Michel Temer com Dilma Rousseff tentam conter a rebelião da sigla na Câmara. Deputados reforçam ataques à articulação do Palácio

Grasielle Castro - Correio Braziliense

Publicação: 09/03/2014 07:41 Atualização: 09/03/2014 08:15

Michel Temer, Dilma Rousseff, Renan Calheiros e Aloizio Mercadante: palanques estaduais ameaçam aliança (Breno Fortes/CB/D.A Press - 3/2/14)
Michel Temer, Dilma Rousseff, Renan Calheiros e Aloizio Mercadante: palanques estaduais ameaçam aliança


A estratégia da presidente Dilma Rousseff de receber o vice-presidente Michel Temer, hoje, para discutir a crise com o PMDB desagradou aos deputados rebeldes do partido. Em vez de ser entendida como um sinal de interesse em resolver a relação, a reunião foi vista como um enfrentamento à bancada peemedebista na Câmara dos Deputados. Isso porque, mesmo que Dilma também receba o presidente em exercício do partido, Valdir Raupp (RO), e os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves (RN) e Renan Calheiros (AL), os deputados reclamam que os interlocutores da Casa onde há conflito ficaram de fora. A tentativa de isolar o líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) — que trocou farpas com o presidente do PT, Rui Falcão, no carnaval — gerou uma rebelião de peemedebistas nas redes sociais ontem. O próprio líder continuou a protagonizar a crise. “Achar que vão me isolar é um erro de avaliação de quem não tem noção do problema real. Apenas verbalizo o que escuto da bancada”, reagiu.

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A posição de Cunha reforça o atrito entre o governo e a base aliada, intensificado nos últimos meses. A extensa lista de reclamações tem como ponto alto a demora da presidente em decidir o posicionamento do governo em relação aos palanques estaduais, atrelados à reforma ministerial. A ideia da presidente era resolver como acomodar os partidos na Esplanada até o fim do carnaval. A troca no comando das pastas, no entanto, ainda é incerta. O recuo da presidente na decisão de dar mais um ministério ao PMDB no início do ano e a incerteza sobre o destino dos cargos adicionaram mais lenha na fogueira. Para piorar, o Planalto sugeriu o nome do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) para o Ministério da Integração, enquanto o indicado do partido era o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A sugestão soou como uma afronta, pois tiraria Eunício da disputa pelo governo do Ceará e beneficiaria outro aliado do Planalto. Em outros momentos, foi proposto o nome de Vital para a vaga de um ministério comandado por um peemedebista da Câmara.

Os excluídos
Em outra frente, o PMDB na Câmara reclama da dificuldade de se relacionar com o Palácio. Para o deputado Danilo Fortes (PMDB-CE), o problema não é a divisão de cargos. “Falta diálogo. Queremos respeito, queremos participar da elaboração de políticas públicas, da execução”, resumiu. Fortes ressalta que, neste momento, o futuro do processo eleitoral é ainda mais importante. “É preciso ter uma posição política definida. Não podemos ser coadjuvantes, nosso papel é ser protagonista do projeto”, emendou. Segundo ele, a decisão de discutir essa insatisfação sem a presença dos líderes é imatura. “Se os problemas são com a Câmara e com o Senado, porque não chamar os líderes? Se são as composições estaduais, porque não chamar os diretórios? Sem ouvir os responsáveis pelas áreas, não adianta. Parece que o PT perdeu no escuro e foi procurar no claro porque era mais fácil”, criticou.

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