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Oposição questiona a presidente da Petrobras, Graça Foster, no Senado "Não foi um bom negócio porque algum estelionatário enganou o conselho e não demonstrou estas cláusulas? Porque não foi um bom negócio?", érguntou o senador Pedro Taque (PDT-MT)

Étore Medeiros

Publicação: 15/04/2014 16:30 Atualização: 15/04/2014 16:30

Assim como vários outros senadores de situação e oposição, Pedro Taque (PDT-MT) ressaltou a trajetória de Foster na Petrobrás, iniciada como estagiária e que culminou com a presidência. Depois do elogio, foi para o ataque: “Não foi um bom negócio porque algum estelionatário enganou o conselho e não demonstrou estas cláusulas? Porque não foi um bom negócio?”. “Não está em discussão só Pasadena, mas a governança da Petrobras. Me parece que (Pasadena) não é só um ponto fora da curva”, complementou.

Taques citou relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) que indicam grande prejuízo aos cofres públicos devido a irregularidades no funcionamento da Petrobras. “Não estamos tratando de uma quitanda, mas da maior empresa do Brasil. Uma empresa deste porte, como comete erros desta ordem?”, questionou Taques. O senador citou, por exemplo, um contrato para terraplenagem que previa indenização à empresa contratada por cada dia chuvoso, No total, a “verba de chuva”, como chamou o senador, totalizou R$ 454 milhões, em um contrato de R$ 1,2 bilhão. “É um ponto fora da curva? Leio os relatórios do TCU e eles mostram total falta de competência, de zelo com a coisa pública. Citamos dois casos, poderíamos citar (a refinaria) Abreu e Lima (em Pernambuco), dentre outros casos”.

A senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) criticou aqueles que “querem comprometer ou jogar na lata do lixo a Petrobras”. Disse que a ida de Foster ao Senado é estritamente política. “(Os senadores da oposição) Não têm coragem nem disposição para enfrentar o verdadeiro embate político. Eleição vem e passa, mas o Brasil é um só. Quem ganha com o fortalecimento da Petrobras é o povo brasileiro”, frisou.

Os ataques à oposição continuaram no pronunciamento do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM). “Atingir a Petrobras da forma politiqueira, como alguns querem atingir, é um desserviço à nação brasileira. A Petrobras é algo que nós brasileiros temos como alguém da nossa família, e é por isso que não podemos deixar de tratar toda e qualquer denúncia da Petrobras com transparência e verdade”. Braga defendeu a atuação de Dilma, no caso, que admitiu recentemente erros na compra de Pasadena: “O que a presidente fez foi revelar com verdade, transparência e humildade de quem reconhece uma falha, os erros que aconteceram (...) Nos mercados econômicos não há erros? Claro que há”.

Braga argumentou ainda que algumas críticas da oposição deveriam se voltar a gestões anteriores às do PT na Presidência da República, como no caso do sistema de compras da empresa. “Se a Petrobras tem um sistema simplificado de licitação, esse sistema foi aprovado por um decreto aprovado por Fernando Henrique Cardoso”. O líder do governo relativizou ainda os prejuízos com a compra de Pasadena, citando alterações no panorama energético mundial. “Depois da compra de Pasadena, não tivemos apenas a crise de 2008. Descobriu-se uma tecnologia inovadora de xisto. Não vi nenhum senador da oposição (falar) o quanto impactou no mercado de refino o xisto americano; o quanto impactou na Rússia com o mercado comum europeu… porque isso não diz respeito à questão eleitoral do Brasil.”

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O tucano Cássio Cunha Lima (PB) defendeu a oposição das críticas governistas. “Estamos aqui não para fazer joguete político”. “Hoje, fica mais do que evidente a necessidade desta CPI. US$42,5 ou US$$360? (valor da compra de Pasadena pela Anglo Oil, um ano antes da operação com a Petrobras) Vá lá que sejam os US$ 360 milhões… Mas foi comprado logo adiante por quatro vezes mais”, criticou. O paraibano disse ainda que as desculpas dadas pela base e por Graça Foster não justificam o prejuízo causado na operação. “O argumento de desconhecimento do contrato, ao invés de atenuar a situação, é um agravante. O conselho existe e é remunerado para isso. Com uma compra que totaliza US$ 1,2 bilhões, simplesmente se alega, como defesa, o desconhecimento? Mas vamos lá, não tomaram conhecimento… o que foi feito com o responsável por tal omissão (Nestor Cerveró)? Se em 2008 houve a constatação da omissão, porque só seis anos após Cerveró foi demitido?”, questionou. Com ironia, Cunha Lima finalizou com uma ironia. “Dilma defendeu publicamente uma rigorosa apuração, só esqueceu de dizer que pediu à base do governo para melar a CPI.”

Graça Foster concordou com Taques, enfatizando que “a Petrobras não é uma quitanda”. Explicou que no caso da petrolífera os serviços de terraplenagem são muito específicos, mas que, ainda assim “não justificam os custos adicionais” do contrato. Admitiu a necessidade de a empresa “ir para a rua com projetos que tenham um nível de maturidade adequado”.

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