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Comissão Municipal faz audiência sobre ataques a bancas de jornal Segundo a CMV, havia uma cadeia de comando oficial, e nenhum dos órgãos de repressão tinha autonomia para agir à revelia dos militares

Agência Brasil

Publicação: 22/04/2014 20:12 Atualização:

A Comissão Municipal da Verdade (CMV) Vladimir Herzog fez nesta terça-feira (22/4), na Câmara Municipal de São Paulo, uma audiência pública para ouvir o depoimento de pessoas que acompanharam os atentados à bomba contra bancas de jornal, no início da década de 1980, na capital paulista. Foram pelo menos três casos promovidos pelos militares que não queriam o fim da ditadura. Os atentados aconteceram em todo o país.

Segundo a CMV, havia uma cadeia de comando oficial, e nenhum dos órgãos de repressão tinha autonomia para agir à revelia dos militares. Os jornais da imprensa alternativa eram os principais espaços de denúncia e havia em circulação cerca de 160 publicações regulares contrárias à ditadura, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP). A estratégia era a de sufocar economicamente essas publicações, inviabilizando a distribuição nas bancas com ameaças aos jornaleiros.

Paolo Pelegrini, proprietário de uma banca de jornais na Praça da República, ressaltou o caso de uma banca explodida, no Itaim Bibi, que causou pânico entre os jornaleiros e gerou dúvidas sobre como vender um produto que na época era muito procurado, por ser a única maneira de a população conhecer a verdade. “O mercado exigia que nós continuássemos fazendo com que tudo chegasse ao leitor, de qualquer maneira, até que alguém nos proibisse. Isso provocava medo na classe. Alguns recuavam e não vendiam os jornais. Havia medo entre os jornaleiros”.

Lia Ribeiro Dias, ex-dirigente do SJSP, avaliou que a imprensa alternativa foi extremamente relevante, por ser a única fonte verdadeira de informação, já que a grande imprensa se rendia à ditadura. “Ela era uma imprensa crítica, que apontava todas as atrocidades da ditadura e ajudava na mobilização das massas. Os ataques foram uma operação orquestrada do regime para tentar segurar o acesso das massas [à imprensa alternativa] e fazer um processo de transição controlada, com domínio conservador. Temos que entender os atentados nesse contexto”.

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A jornalista Vilma Amaro, que trabalhava no jornal Em Tempo, disse que sentiu os efeitos dos ataques às bancas de jornais, devido à publicação ser corajosa e ter denunciado o nome de 233 torturadores em ações do Exército. “Nós éramos comprometidos com a transformação social do país. Nós sofríamos ameaças constantes tentando calar o jornal. Houve um atentado próximo do local onde ficava o jornal, mas não nos sentíamos intimidados em nenhum momento”.

Além de ouvir os depoimentos sobre os atentados às bancas de jornais, o presidente da CMV, Gilberto Natalini, comentou o fato de a Comissão Nacional da Verdade ter concluído que o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu, de fato, em um acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, como já é reconhecido na versão oficial, e não em um atentado político, como concluíram as investigações da CMV.

“Tivemos a notícia extraoficial e estamos reafirmando a convicção no relatório que produzimos. Não abrimos mão da conclusão a que chegamos, baseada em muito trabalho e investigação. Foi um trabalho muito meticuloso e técnico. Ficamos muito surpresos com o anúncio, sem que tenham falado conosco. Vamos mandar um ofício para solicitar uma reunião para saber como eles chegaram a essa conclusão”, disse Natalini.

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