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Mais imagens devem ajudar a identificar responsáveis por vale-claque Gravações do circuito interno da Câmara serão utilizadas para identificar os responsáveis por distribuir dinheiro a manifestantes que aplaudiram votação

Andre Shalders - Correio Braziliense

João Valadares

Amanda Almeida

Publicação: 06/05/2014 07:37 Atualização: 06/05/2014 08:06

As imagens do circuito interno de segurança da Câmara e as gravações feitas pela reportagem do Correio serão as principais ferramentas para a apuração do pagamento de supostos manifestantes que aplaudiram, na noite de terça-feira da semana passada, na galeria do plenário, a votação de um projeto de lei que amplia a jornada de trabalho dos caminhoneiros. A Corregedoria Parlamentar da Casa aguarda a chegada de representação para pedir as gravações, para ajudar na identificação dos responsáveis.

Manifestantes: pagamento para garantir aplausos aos deputados que votaram a favor do aumento da jornada de trabalho dos motoristas (Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
Manifestantes: pagamento para garantir aplausos aos deputados que votaram a favor do aumento da jornada de trabalho dos motoristas


O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolará, na manhã de hoje, representação na Mesa Diretora da Câmara para cobrar a apuração dos fatos e a possível ocorrência de quebra de decoro do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) — cerca de 30 pessoas que estavam na galeria subiram ao gabinete dele, no 9º andar do Anexo IV da Câmara, para receber dinheiro. No escritório, foram orientadas a seguir para o 10° pavimento, onde não há gabinetes parlamentares. No local, uma fila se formou para o pagamento, feito por duas moças com crachás da Câmara. A representação do MPT é assinada por dirigentes sindicais de entidades de transporte contrárias ao projeto que aumenta a jornada de trabalho dos caminhoneiros. O encontro está marcado para às 10h30 de hoje.

O MPT também ingressará com representação no Ministério Público Federal (MPF). O procurador do trabalho Paulo Douglas de Almeida disse que o objetivo, além de promover a apuração, é evitar que o debate sobre a revisão na lei do descanso continue sendo feita de forma açodada. “Nosso objetivo é reabrir a discussão sobre o projeto. Esse é um debate muito importante para que seja feito dessa forma, com uma fraude dessas. Esperamos que o Senado (para onde a matéria será encaminhada) tenha mais serenidade”, diz.



“Não podemos permitir que o interesse geral, de todos os que usam as estradas, seja sacrificado em nome dos interesses de alguns”, argumenta o procurador Almeida, alegando que, ao permitir que caminhoneiros trabalhem até 12 horas diárias, a segurança nas rodovias diminui para todos os usuários. De acordo com o texto da representação, a que o Correio teve acesso, o uso da claque paga acabou “passando a impressão de que a defesa do interesse econômico de poucos seria, na verdade, a defesa dos interesses dos maiores prejudicados com a mudança: os motoristas profissionais e a sociedade”.

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Também hoje, a bancada do PSol na Câmara deve se reunir para discutir o tema e ingressar com uma representação similar. “As galerias, repletas de ‘defensores’ desse projeto que possibilita a jornada diária de 12 horas para motoristas de caminhões e ônibus, e que vaiaram bastante a mim e a Ivan Valente (PSol-SP) por criticarmos a proposta, receberam grana para acompanhar a votação. Logo mais, postaremos aqui as cenas deprimentes de anticidadania”, registrou o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), em sua página em uma rede social.

A abertura de investigação sobre o caso é dada como certa por fontes da direção da Câmara. Na semana passada, o titular da Corregedoria, deputado Átila Lins (PSD-AM), e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), manifestaram interesse em dar prosseguimento às apurações. O secretário-geral da Mesa, Mozart Vianna, disse que o pagamento de claques não é situação cotidiana no Congresso. “Não é um fato comum. Tanto não é que vamos dar seguimento à apuração para determinar o que de fato ocorreu”, afirmou.

Memória

O mercado do protesto

No Congresso Nacional, em comícios políticos, na inauguração de obras, eles quase sempre estão lá. Aliciados para aplaudir ou vaiar, grupos de falsos militantes entram em cena gritando em nome de interesses alheios sobre os quais sabem pouco ou nada. As galerias da Câmara dos Deputados, de onde o povo pode acompanhar as votações e pressionar os parlamentares, tornaram-se lugar cativo desses manifestantes de aluguel, como mostrou o Correio na terça-feira da semana passada. Vídeos e fotos flagraram a claque, que se passou por caminhoneiros em apoio a um projeto de lei sobre a categoria, recebendo notas de R$ 20 e de R$ 50 no 10º andar da Casa, depois que a matéria foi aprovada.

Em outra reportagem, publicada em 19 de agosto, o Correio mostrou que as galerias da Câmara dos Deputados, onde cabem cerca de 400 pessoas, recebem gente que mal sabe o motivo de estar ali. Na ocasião, agentes comunitários de 20 estados ocupavam o espaço para reivindicar a votação do piso nacional para a categoria. A viagem de ônibus, bancada pelas prefeituras, não vingou. Só em Brasília, eles souberam que a pauta estava trancada. Hospedagem e alimentação também ficaram por conta de terceiros. Os profissionais da saúde dividiam espaço com alunos de uma academia de arte marcial. Muitos confessaram à reportagem que foram à Câmara por solicitação do mestre para “pedir para melhorar o país”. Poucos souberam explicar que apoiavam a proposta de canalizar os royalties do petróleo para a educação.

Em setembro de 2012, o Correio também mostrou que o Sindicato dos Bancários pagava R$ 40 por dia para um exército de piqueteiros — gente que não pertencia à categoria, mas se fazia passar por funcionários de bancos para dar visibilidade ao movimento e, ao mesmo tempo, pressionar os patrões. O aliciamento incluía, além da quantia em dinheiro, alimentação. Aos contratados, cabia fazer muito barulho em frente às agências bancárias e impedir que funcionários entrassem para iniciar o expediente. No fim do dia, o pagamento era feito em espécie, nas redondezas dos pontos de piquete. O Sindicato dos Bancários considerou, à época, que terceirizar as manifestações fazia parte do jogo. Mas alegou que os contratados não faziam piquete, ao contrário do flagrante feito pela reportagem.

Com Renata Mariz.

Esta matéria tem: (4) comentários

Autor: Moretzsohn Eugenio
Fácil de resolver: sempre que as pessoas entrarem nos plenários, deverão ter seus dados pessoais registrados (RG, CPF, nome da mãe etc). De vez em quando, alguém cruza esses registros destacando aqueles que são "arroz de festa", ou seja, que estão em todas. Em cima deles, a polícia. Simples assim. | Denuncie |

Autor: Ton MarMel
ESSA PRÁTICA DE PAGAR POR PLATEIA É COISA ANTIGA QUE A MÍDIA E PROGRAMAS DE AUDITÓRIO FAZEM TODOS OS DIAS PARA APARENTAR POPULARIDADE, PARTICIPAÇÃO E ACEITAÇÃO PÚBLICA. | Denuncie |

Autor: Manoel Silva
que vergonha, corrupção/fraude EM TUDO. Quem poderá nos defender???? | Denuncie |

Autor: gomes santos santos
so ladrao... | Denuncie |

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