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Operação da Polícia Federal atinge cúpula política de Mato Grosso Esquema envolve integrantes dos Três Poderes. Ex-presidente da Assembleia Legislativa e deputado estadual estão entre os presos

Renata Mariz

Naira Trindade

Publicação: 21/05/2014 06:00 Atualização: 21/05/2014 10:06

Deflagrada ontem, a quinta fase da Operação Ararath, que investiga crimes financeiros e lavagem de dinheiro praticados por pelo menos 59 pessoas, entre físicas e jurídicas, resultou na prisão de dois importantes políticos de Mato Grosso. O deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa mato-grossense, e o ex-secretário da Fazenda Éder Moraes foram detidos em Cuiabá pela Polícia Federal (PF) e trazidos para Brasília. O governador do estado, Silval Barbosa (PMDB), também recebeu voz de prisão, em flagrante, por posse ilegal de uma pistola calibre .380 descoberta pelos agentes durante uma busca no apartamento onde mora. Depois de quatro horas detido, pagou R$ 100 mil de fiança e foi liberado.

O governador Silval foi detido por portar uma pistola calibre .380 com registro vencido: fiança de R$ 100 mil (Marcos Oliveira/Agência Senado)
O governador Silval foi detido por portar uma pistola calibre .380 com registro vencido: fiança de R$ 100 mil

Riva e Moraes prestarão depoimento em Brasília sobre o esquema de desvio de recursos públicos. Também estão na mira dos investigadores outras transações anômalas, como a emissão de cartas de crédito do governo estadual a servidores públicos e o pagamento de precatórios milionários a empresas citadas no inquérito. A suspeita é de que o grupo criminoso — com o uso de factorings (empresas que compram duplicatas e cheques com deságio) de fachada — tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões nos últimos seis anos. O esquema pode ter a participação de membros do Legislativo, do Executivo, do Judiciário, do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e até do Ministério Público (MP) local.

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A PF realizou ontem apreensões no gabinete do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSD), e na sala do promotor de Justiça Marcos Regenold, integrante do grupo que investiga crime organizado no estado. Em nota, o MP admitiu que os mandados cumpridos, até na casa do governador, “visam buscar e apreender eventuais documentos que possam elucidar possível relação do membro do MP com o investigado Éder de Moraes Dias”. Entre dezembro e fevereiro passados, o ex-secretário da Fazenda estadual, agora preso, procurou Regenold para apresentar documentos e a própria versão dos fatos. Além deles, o atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Sérgio Ricardo e seu antecessor no posto, Alencar Soares, foram alvo de buscas ontem. A PF suspeita de “venda” de vaga no TCE.

Sigilo
Como o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a divulgação de informações sobre a Operação Ararath (leia mais na página 3), as suspeitas que pesam contra os dois presos e as 30 pessoas conduzidas e obrigadas a prestar depoimento são preservadas pela PF. Quanto a Éder Moraes, recaem desconfianças de que ele seja peça central no esquema criminoso. Foi secretário da Fazenda e da Casa Civil, é filiado ao PMDB e teve participação no governo do senador licenciado Blairo Maggi (PR), além do atual, de Silval Barbosa. Em 2011, deixou o primeiro escalão do governo mato-grossense para presidir a extinta Agência de Execução de Projetos da Copa (Agecopa), transformada em Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa). Hoje, atua como apresentador de um programa de televisão. O outro preso, Riva, tem longo histórico de problemas com a Justiça.

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Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: GILMAR DA SILVA
CUSTO BRA$IL É repugnante. O país sangra e temos que "cortar a propria carne". Felizmente, homens honrados previram o Conselho da Republica na magna carta!!! | Denuncie |

Autor: José Morais
Ele deve ter um bom patrimonio, paga 100mil de fiança, parabéns. | Denuncie |

Autor: José Ferreira Ferreira
HUmmm. R$ 100 mil para esses caras é como se fosse o valor de uma balinha, não afetam os bolsos deles. | Denuncie |

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