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Ex-diretor da Petrobras teria omitido da PF que possui cidadania portuguesa Ex-diretor da Petrobras encaminha documento português ao Supremo depois da descoberta de que ele possui dupla cidadania

Étore Medeiros

Publicação: 27/05/2014 06:00 Atualização: 27/05/2014 13:03

Preso em 20 de março na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF), e solto na semana passada pelo ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Roberto Costa omitiu da PF e da Justiça que possui cidadania portuguesa. O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras entregou ao Poder Judiciário somente o passaporte brasileiro, e continuou de posse do similar português — com o qual a poderia sair do Brasil. Ontem, no entanto, um dos advogados de Costa, Nélio Machado, entregou o documento ao STF. O ex-dirigente é considerado peça-chave de um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado cerca de R$ 10 bilhões com o doleiro Alberto Youssef.

Costa deixa a sede da PF em Curitiba: suspeito de participar de esquema que movimentou R$ 10 bilhões (Daniel Castellano/Gazeta do Povo - 19/5/14)
Costa deixa a sede da PF em Curitiba: suspeito de participar de esquema que movimentou R$ 10 bilhões


“Quando houve ordem de soltura, ele estava no Paraná, mas mora no Rio de Janeiro. O passaporte à mão era o brasileiro. Quando eu soube da existência de um passaporte de Portugal, imediatamente fiz chegar ao Supremo. Não tinha nenhuma razão para ele ficar com isso”, explica Machado, que assumiu integralmente a defesa de Costa há pouco tempo. Segundo ele, o cliente está à disposição “da PF, de CPI, CPMI, seja o que for. Nem de longe ele tinha qualquer intenção de deixar o país”, complementa.

Na semana passada, outro advogado de Costa, Cássio Quirino Norberto, entregou à Justiça o passaporte brasileiro do cliente. À reportagem, ele alegou desconhecer a existência do documento português. “Toda a documentação relacionada ao Paulo Roberto foi entregue à Justiça Federal de Curitiba, pelo menos o que era de nosso conhecimento”, diz Norberto.

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Collor

O ex-presidente da República e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) refutou ontem que tenha qualquer tipo de relação com Alberto Youssef. Da tribuna do plenário do Senado, Collor atribuiu as denúncias de que teria recebido R$ 50 mil do doleiro, em 2013, como uma “desmesurada tentativa de criminalização de quem não cometeu a aludida ilegalidade”. Collor lembrou que o ofício enviado pelo juiz federal de Curitiba, Sergio Moro, ao ministro Teori Zavascki foi taxativo ao afirmar que não há qualquer envolvimento do senador nos oito inquéritos da PF vinculados à Lava-Jato.

“Foi o juiz Sérgio Moro quem se debruçou sobre os autos. É ele quem mais conhece os fatos, os inquéritos, as investigações e tudo o que se descobriu desse suposto esquema. E é ele mesmo quem afirma que não há qualquer indício do meu envolvimento”, alegou o parlamentar. Collor disse ainda que vai pedir acesso aos documentos nos quais é citado.

O senador assegurou que não conhece e jamais teve “qualquer relacionamento de ordem pessoal ou política” com Youssef. “O mesmo afirmo em relação ao senhor Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras.” Quanto a outro envolvido na Lava-Jato, Pedro Paulo Leoni Ramos — dono de empresa suspeita de ter pago R$ 4,3 milhões ao doleiro —, o senador não negou conhecê-lo. Ramos foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da gestão de Collor na Presidência da República. “Mantenho com ele e a família, há mais de 30 anos, relação de amizade e respeito.”

PT quer a perda do mandato de Vargas

O PT pediu ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que decrete a perda do mandato do deputado federal André Vargas (sem partido–PR), por desfiliação partidária. Há um mês, Vargas deixou a legenda após ter o nome envolvido na trama do doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava-Jato. O deputado responde a processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara pelo relacionamento com Yousef. O PT alega que Vargas não justificou a desfiliação, o que, pela Resolução n° 22.160 de 2007, do próprio TSE, seria motivo suficiente para a perda do mandato.

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