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Candidatos à presidência escalam interlocutores para corrida eleitoral A necessidade de diálogo aumenta a cada dia e se intensificará quando a campanha esquentar de fato, após a Copa

Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense

Publicação: 09/07/2014 06:00 Atualização: 09/07/2014 08:11

Iniciada a fase do pé no chão da campanha eleitoral, mais do que nunca os presidenciáveis precisarão de interlocutores com os diversos setores da sociedade para ouvir queixas, demandas e levar a eles as propostas de cada uma das campanhas. Os times não estão completos, alguns porta-vozes ainda dividem o tempo entre os atuais afazeres e as missões futuras. Estruturas ainda seguem sendo montadas. Mas a necessidade de diálogo aumenta a cada dia e se intensificará quando a campanha esquentar de fato, após o término da Copa do Mundo.

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Candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves (MG) tem dois importantes porta-vozes para reforçar o discurso econômico que tem impregnado a candidatura tucana nos últimos meses. Ao escolher o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como seu escudeiro fiel, atraiu para si a simpatia do setor financeiro nacional. “Eduardo estava bem à vontade nessa área. Quando Aécio trouxe Fraga (que é dono da Gávea Investimentos) oficialmente para seu lado, os investidores vieram como um imã”, confirmou um investidor.

Dentro da campanha, Fraga é visto como um importante avalista. Mas é outro nome que atrai os olhos do empresariado: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ministro da Fazenda responsável pela criação do Plano Real, eleito e reeleito presidente na esteira da estabilidade econômica, FHC dá o peso institucional na relação com o setor produtivo nacional. “A presença de Fernando Henrique na nossa campanha transmite a imagem de seriedade, de competência e de uma pessoa que sabe montar uma equipe qualificada a serviço do país”, justificou Aécio, em conversa recente com o Correio.

Na área sindical, Aécio escolheu o presidente do Solidariedade e ex-presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. O deputado federal tentou emplacar Miguel Torres, atual presidente da Força, como vice de Aécio, mas o mineiro optou pelo colega de Senado Aloysio Nunes Ferreira. Há duas semanas, o presidenciável tucano anunciou que Júnior, da ONG Afrorreggae, faria a ponte com os movimentos sociais. Integrantes da campanha afirmam que outros nomes serão agregados ao longo do processo, principalmente nessa área. “Da mesma forma que precisamos intensificar as pontes com a área social, os petistas buscam aliados no setor econômico”, constatou um estrategista de Aécio.

O PT, aos poucos, vai montando seu staff. Mas o estilo Dilma Rousseff de governar fez com que a presidente se afastasse do setor produtivo, que a considera centralizadora. Presidente da Câmara de Gestão e Competitividade, o empresário Jorge Gerdau chegou a participar de encontros com a presença de Aécio Neves e outros empresários. Mas os tucanos não acreditam que ele fará campanha para o PSDB. “A relação dele com Lula e Dilma é forte. Uma vitória do Aécio não seria lamentada por ele. Mas, daí a se engajar em nosso time, há uma distância enorme”, disse um aliado do tucano.

Para tentar reaproximar Dilma dos empresários, os encontros promovidos por Lula em seu Instituto, em São Paulo, têm sido essenciais. Nas campanhas anteriores do PT, Antonio Palocci e Henrique Meirelles exerciam com desenvoltura esse papel. Mas, hoje, Palocci está mais preocupado com as consultorias privadas do que em envolver-se diretamente na política. E Meirelles afastou-se da presidente. Além de Lula, outros representantes do setor produtivo que estão buscando essa ponte entre Dilma e os empresários são Abílio Diniz e Josué Gomes — curiosamente, ambos recusaram o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Movimentos sociais
O comando de campanha do PT anunciou ontem como um dos coordenadores o secretário Nacional da CUT, Jacy Afonso. Ele será o responsável pela ligação com o movimento sindical, área que os petistas dominam há muito tempo, embora tenham visto a defecção da Força Sindical para o PSDB e de outras centrais, como a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) para o PSB. Na área social, além da facilidade de ter pastas ministeriais com esse canal de diálogo, a campanha de Dilma poderá contar com Gilberto Carvalho, que ainda não se licenciou, mas é aguardado com ansiedade por estrategistas dilmistas.

Gilberto, inclusive, foi o responsável pela inflexão no discurso em relação às vaias e aos xingamentos direcionados a Dilma na abertura da Copa. Discurso endossado pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. “Um partido de esquerda que conseguiu mudar tanta coisa como nós mudamos no país, para melhor, não pode sentar sobre essas mudanças e dizer que está tudo resolvido. Não podemos ter ilusão de que vivemos em uma situação de social-democracia europeia”, declarou o ministro.

O PSB anunciará, ainda este mês, um Conselho de Política e Cidadania incluindo nomes da sociedade civil e políticos de peso, como Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos. Os grandes responsáveis pela ponte com os movimentos sociais são Milton Coelho e Pedro Ivo. Na área sindical, o nome é Jailson Cardoso, secretário-geral da CTB. “Com os empresários, o principal interlocutor é o próprio Eduardo Campos. Ele transita com desenvoltura no setor produtivo brasileiro”, elogiou o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira. “Os parceiros nessa tarefa são escolhidos diretamente por ele”, completou o socialista.

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