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Comissão da Verdade de Pernambuco recebe documentos inéditos da CPI do Ibad Integrantes do colegiado receberam um DVD com todos os documentos e apurações feitas pela comissão parlamentar de inquérito instalada em 1963 na Câmara dos Deputados para investigar o financiamento de campanhas eleitorais nas últimas eleições antes do golpe

Correio Braziliense

Publicação: 06/08/2014 18:17 Atualização: 06/08/2014 18:20

A participação do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) no golpe militar de 1964 pode estar perto de ser confirmada. Hoje (6), integrantes da Comissão da Verdade de Pernambuco, que tem o nome do arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Hélder Câmara (1909-1999), receberam um DVD com todos os documentos e apurações feitas pela comissão parlamentar de inquérito (CPI) instalada em 1963 na Câmara dos Deputados para investigar o financiamento de campanhas eleitorais nas últimas eleições antes do golpe.

O Ibad foi fundado em 1959, com contribuições de empresários brasileiros e estrangeiros. O instituto tinha o objetivo de influir nos rumos do debate econômico, político e social do país, usando uma estratégia anticomunista. Em 1962, o financiamento estrangeiro e a participação ostensiva do Ibad e suas subsidiárias na campanha eleitoral despertaram suspeitas no Congresso, o que levou à instalação da CPI no ao seguinte.

Os documentos apurados na época, que somam 14 volumes, no entanto, foram arquivados após golpe militar de 1964. Somente neste ano, os papéis foram obtidos e digitalizados pela presidência da Câmara. Entre os documentos, estão recibos, nomes e registros de empresas e de pessoas que tiveram algum envolvimento com o instituto.

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"Há dois anos, estamos buscando esses documentos, que revelarão parte da gênese do golpe de 64, que foi a atuação do Ibad para capitanear apoio político para fazer frente ao governo de João Goulart", diz o secretário-geral da Comissão Dom Hélder Câmara, Henrique Mariano. Segundo ele, entre os depoimentos, está o do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes.

Caso Rubens Paiva

A expectativa é que seja possível ter mais informações sobre casos como o do deputado Rubens Paiva, dado como desaparecido pela ditadura, e de Waldir Ximenes, que foi vítima de tortura e era amigo e conselheiro político de Arraes.

O material começa a ser analisando ainda esta semana. Segundo Mariano, o que for encontrado será divulgado pela comissão pernambucana. Ainda em Brasília, a comissão se reúne com a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Teixeira Rocha, na próxima semana. O objetivo é firmar acordo de cooperação para pesquisas no acervo do STM.

Os membros da comissão também buscarão acesso aos documentos do Ministério das Relações Exteriores. Por meio da pasta, pretendem obter pedidos de investigação feitas na ápoca pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. A comissão estadual vai se valer do acordo de cooperação firmado entre o Itamaraty e a Comissão Nacional da Verdade.

Com Agência Brasil

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