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Morte de Eduardo suspendeu campanhas e deixou adversários estarrecidos Dilma e Aécio cancelaram agendas assim que tiveram as primeiras notícias do acidente

Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense

Publicação: 17/08/2014 15:13 Atualização: 17/08/2014 16:01

No momento em que a notícia da queda de um avião em Santos, com a possibilidade da presença de Eduardo Campos na aeronave, começou a circular, os dois principais adversários do presidenciável socialista — Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) — também cumpriam agendas eleitorais. Dilma estava no Palácio da Alvorada, reunida com o staff de campanha, preparando-se para a entrevista no Jornal Nacional prevista para a noite daquela quarta-feira. Aécio tinha acabado de aterrissar em Natal para um giro na região em que o próprio Eduardo e Dilma têm mais presença política do que o tucano.

Ela soube da notícia pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito. Até aquele instante, as informações eram de que um avião havia caído no litoral paulista e que Eduardo poderia estar dentro. Em Natal, o coordenador de campanha do PSDB, senador José Agripino Maia (DEM-RN), leu uma mensagem na tela do celular enviada pelo filho. Assustado, avisou: “Acho que o avião do Eduardo Campos caiu”. A partir desse momento, a petista e o tucano suspenderam tudo que estavam fazendo em busca de notícias mais precisas.

Tão logo os militares confirmaram a morte de Eduardo — antes mesmo do anúncio oficial ao país — Dilma ligou para o governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PMDB), para colocar o governo federal à disposição da administração pernambucana. Em seguida, comunicou a notícia aos presidentes dos demais poderes — Renan Calheiros (PMDB-AL) e Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal.

Dilma cumpria os ritos de presidente, enquanto Aécio Neves (PSDB-MG) ligava para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para ouvir dele que os temores não eram mais subjetivos — Eduardo Campos de fato morrera na queda do avião. Segundo relato de repórter de um veículo de imprensa que acompanhava o tucano, Aécio ficou atordoado e pensou, de imediato, na família de Campos. “Que tragédia, que tragédia. Ele tinha uma família linda. Coitada da Renata”, dizia Aécio.

Segundo um interlocutor da campanha, Aécio perdeu o chão por alguns momentos. Para além da parceria política consistente e do discurso de oposição ao Planalto, as vidas pessoais dos dois candidatos se cruzam de maneira impressionante. “Ambos são praticamente da mesma geração. Os dois são netos de políticos importantes, têm filhos recém-nascidos. O filho de Aécio deixou a UTI neonatal no último domingo. O caçula de Eduardo nasceu com síndrome de Down em janeiro. São coincidências fortes demais para serem desprezadas”, declarou um aliado de Aécio.

Essas semelhanças não passaram despercebidas dos familiares do candidato tucano. Quando ele ligou o celular, viu que a esposa, Letícia, e a filha mais velha, Gabriela, haviam ligado várias vezes. Ao retornar as ligações, percebeu que ambas estavam aos prantos. Não apenas pela morte de um amigo, mas pelo fato de também ele, Aécio, estar sobrevoando o país em jatinhos para fazer campanha eleitoral.

Enquanto isso, no Alvorada, Dilma ordenava que o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante — um dos participantes da reunião — voasse imediatamente para Santos. O vice-presidente, Michel Temer, já estava em São Paulo. Ligou para Dilma para indagar: “O que acha de eu seguir para Santos?”, questionou. “Faça isso”, respondeu. A presidente conversou então com Lula e com Ana Arraes, colocando o avião da FAB à disposição da ministra do Tribunal de Contas da União e mãe do ex-governador de Pernambuco. Em Natal, Aécio lamentava. “Era um moleque. Mais novo que eu. Acabou de fazer 49 anos”, repetia.
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