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Em campanha na tevê, candidatos à presidência evitam ataques pessoais No primeiro dia de propaganda televisiva, os principais candidatos à Presidência destacaram promessas ao eleitorado

Naira Trindade

Julia Chaib

Andre Shalders - Correio Braziliense

Publicação: 20/08/2014 08:11 Atualização: 20/08/2014 09:40

A estreia da propaganda eleitoral gratuita na tevê e no rádio nesta eleição explorou um ingrediente diferente de anos anteriores: a amizade dos presidenciáveis com Eduardo Campos (PSB), que morreu na queda de uma aeronave em Santos (SP) na semana passada. Mais humanizada devido à perda do ex-governador de Pernambuco, a primeira peça exibida em cadeia nacional mostrou a relação dos candidatos com Eduardo. Os principais concorrentes ao Palácio do Planalto: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) — cuja candidatura ainda precisa ser confirmada — abriram mão de parte do programa para homenagear o socialista e as outras seis vítimas do acidente. Primeiro partido a veicular a peça eleitoral, o PSB se limitou a defender o legado de Eduardo nos dois minutos e três segundos de vídeo. A legenda entendeu que não era hora de falar em projetos nem pedir a confiança do eleitor. Como o momento é de indefinição, o nome de Marina Silva nem sequer foi mencionado no programa, embora ela tenha aparecido em imagens.

O presidenciável Aécio Neves lamentou o fato de a campanha começar marcada “por um sentimento de enorme tristeza”. O mineiro lembrou que conheceu Eduardo há mais de 20 anos e assumiu o compromisso de “colocar em prática as ideias e os ideais que tinham em comum”. O tucano aproveitou o programa eleitoral para alfinetar a gestão petista no governo federal ao afirmar que o país “piorou” nos últimos quatro anos, mas não subiu o tom das críticas. Candidata à reeleição, Dilma Rousseff abriu o programa apresentando-se como uma mulher de hábitos cotidianos. As imagens trouxeram Dilma cozinhando, passeando com o cachorro, lendo livros e cuidando do jardim. Em seguida, ela pedia outro mandato para conseguir “colher os frutos que plantou” nos quatro anos no poder. No fim, o x-presidente Luiz Inácio Lula da Silva despediu-se de Eduardo Campos, a quem disse considerar como “filho”. O Correio assistiu, ao lado de eleitores dos três presidenciáveis, ao primeiro programa eleitoral na tevê desta eleição. Confira abaixo as impressões que eles tiveram dos respectivos candidatos.

Eleitores de Marina Silva: Muriel Saragoussi, fundadora da rede e Marcos Woortmann, diretor da ONG Agre, na Asa Norte (Marcelo Ferreira/CB/D.A Pres)
Eleitores de Marina Silva: Muriel Saragoussi, fundadora da rede e Marcos Woortmann, diretor da ONG Agre, na Asa Norte


Sob a influência de Eduardo

A pesquisadora e doutora em genética Muriel Saragoussi, 58 anos, não conseguiu disfarçar o choro ao assistir à homenagem do PSB a Eduardo Campos ontem, na estreia da propaganda eleitoral gratuita. Ao lado do amigo cientista político Marcos Woortmann, 33, Muriel acompanhou os dois minutos e três segundos da inserção partidária sem desviar o olhar da tevê. “É uma bomba que caiu no colo de todos nós”, lamentou, com a voz embargada. Foi difícil tecer mais comentários após relembrar a perda do candidato em quem Muriel afirmou ter aprendido a gostar e a respeitar.
A primeira peça exibida pelo PSB foi toda dedicada ao candidato morto na semana passada, na queda de uma aeronave em Santos (SP). É a voz dele — por meio de frases repetidas ao longo de um mês de campanha, que narra a edição. As mensagens foram escolhidas a dedo pelo diretor argentino Diego Brandy para dar o tom do ex-governador pernambucano à campanha na tevê. “Não vamos desistir do Brasil, é aqui que vamos criar nossos filhos e uma sociedade mais justa”, frisou o pernambucano, em imagem gravada um dia antes da morte dele. A música Anunciação, do conterrâneo Alceu Valença, embalou a deferência na tevê.

Marina Silva (PSB) ficou em segundo plano na primeira inserção partidária. Antes da tragédia, a ideia era que ela apresentasse Eduardo Campos no programa eleitoral. Com o acidente que vitimou o presidenciável socialista e seis integrantes da equipe de campanha, a ex-ministra apareceu pouco, sendo abraçada por Eduardo. A falta de citação nominal a Marina na propaganda não irritou os eleitores que almoçaram juntos ontem para assistir à peça. “É um programa conjunto (de governo) que deve ser tocado conjuntamente”, defendeu Woortmann. (NT)

Renato Rabelo assiste a propaganda eleitoral do candidato a presidente Aécio Neves e diz o que achou (Breno Fortes/CB/D.A Press)
Renato Rabelo assiste a propaganda eleitoral do candidato a presidente Aécio Neves e diz o que achou


Tom emotivo no programa tucano


Entre uma aula e outra, o estudante Renato Rabelo, 21 anos, fez uma pausa na rotina para assistir à estreia da propaganda eleitoral dos candidatos à Presidência da República em uma televisão instalada no Centro Acadêmico de Economia da Universidade de Brasília (UnB). Rabelo já escolheu em quem votar: na chapa encabeçada pelo mineiro Aécio Neves (PSDB).
O programa eleitoral exibido ontem o surpreendeu pelo tom emotivo. “O PSDB é conhecido como um partido mais racional. Nessa propaganda, inverteu essa lógica ao colocar um pouco de emoção no programa e falar mais diretamente com o povo mais simples”, disse. “Dado os últimos acontecimentos, com a morte de Eduardo Campos, acho que era necessário esse tom”, completou — Aécio usou parte da primeira inserção para fazer uma homenagem ao presidenciável socialista. “Colocar em prática os ideais que tínhamos em comum é a melhor forma de homenagear o grande brasileiro que foi Eduardo Campos”, declarou o tucano na tevê.

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Rabelo também notou um aumento na qualidade técnica da peça, que teve pouco mais de 4 minutos de duração, em relação a campanhas anteriores da legenda. “Nesse primeiro momento, eu esperava que fosse apresentada a biografia de Aécio, a trajetória como deputado federal, senador e governador de Minas. Mas me surpreendeu muito positivamente, principalmente em relação às campanhas do PSDB, em termos de qualidade do que eu vi”, comentou.
No programa exibido, Aécio ainda adotou um tom otimista ao falar sobre o futuro do país, com críticas pontuais aos 12 anos das gestões petistas. “Bem vindo, Brasil, a um novo jeito de governar”, foi o bordão repetido nos segundos finais da propaganda. (AS)

Edina Santos, assiste ao programa político da Dilma Rousseff, no primeiro dia do horário político eleitoral em Aguas Lindas-GO (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Edina Santos, assiste ao programa político da Dilma Rousseff, no primeiro dia do horário político eleitoral em Aguas Lindas-GO


O medo de perder benefícios sociais

Ao assistir à estreia da propaganda eleitoral de Dilma Rousseff (PT) na televisão, a dona de casa Edina Lúcia dos Santos, 40 anos, moradora de Águas Lindas de Goiás, balançava a cabeça em sinal de aprovação ao discurso da petista: “Você não pode se abater por uma dificuldade. Todo dia você tem de matar um leão”, disse a presidente. Nos 11 minutos e 24 segundos a que teve direito, Dilma ressaltou que, nos 12 anos do partido no poder, mais de 30 milhões de brasileiros saíram da miséria e melhoraram de vida. Para Edina, a promessa de ampliação de programas sociais, como o Brasil sem Miséria, o Mais Médicos e o Bolsa Família — todos mencionados na propaganda —, são pontos fortes da candidata à reeleição.

No lote onde mora em Águas Lindas, entorno do Distrito Federal, Edina conta que, até 2006, nunca havia votado no PT. Ela diz que tinha um “pé atrás” com o partido, ao contrário do marido, cujo voto sempre fora de Luiz Inácio Lula da Silva. Após o primeiro mandato do ex-sindicalista, no entanto, ela notou melhorias na própria vida e na de “milhões de pessoas no Nordeste”. “Com o Lula os pobres conseguiram comprar suas coisinhas.” Por “coisinhas”, Edina se refere a móveis, geladeira, fogão e um boa televisão. “Parece que o dinheiro teve mais valor. Antes, não tinha tanto.”
E quando Lula apareceu no vídeo dizendo que o segundo mandato dele foi o melhor, e que o de Dilma também será, Edina novamente balança a cabeça em aprovação. “Tenho medo de perder o que conquistamos, apesar de ainda haver muita gente na miséria”, resume, ao explicar por que votará na petista. (JC)


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