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Com confirmação de Marina, integrantes da Rede ocupam espaços do PSB Nomes ligados a Marina viram protagonistas na campanha. Ela, entretanto, rechaça desconforto com antigos aliados de Campos

Naira Trindade

Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense

Publicação: 21/08/2014 08:28 Atualização: 21/08/2014 09:36

Feldman, assessor pessoal de Marina, a partir de agora vai cuidar da coordenação executiva da campanha (Carlos Cecconello/Folhapress)
Feldman, assessor pessoal de Marina, a partir de agora vai cuidar da coordenação executiva da campanha


Oficializada candidata na chapa do PSB, Marina Silva fez mudanças significativas na coligação que até oito dias atrás era encabeçada pelo socialista Eduardo Campos. Ratificou que só estará presente nos palanques estaduais com os quais já concordava, transferindo para o candidato a vice, Beto Albuquerque, a tarefa de pedir votos nos locais em que ela não se sentir confortável. Emplacou dois de seus mais próximos aliados — Walter Feldmann e Bazileu Margarido — em postos-chaves da campanha (coordenação-geral e comitê financeiro) e, a partir de agora, não aceitará mais doações que venham de empresas de armamentos, fumo, agrotóxicos e bebidas.

“Essa era uma restrição presente no estatuto da Rede e que, a partir de agora, estará presente na campanha do PSB”, confirmou Bazileu. A campanha de Eduardo já recebera doações da Ambev, mas, a partir de agora, esse tipo de apoio não será mais aceito. Marina também conseguiu transformar uma carta de princípios com os compromissos do PSB em um documento um pouco mais palatável, que não parecesse uma imposição feita por uma legenda que, em certa medida, precisa muito de Marina para seguir com esperanças de chegar ao Planalto.

Foi omitida ainda qualquer menção de adiamento no processo de criação da Rede Sustentabilidade. O acerto dos ponteiros da campanha aconteceu em uma reunião tensa na Fundação João Mangabeira, do PSB, no Lago Sul, enquanto os demais integrantes da Executiva Nacional do PSB aguardavam Marina e a cúpula socialista na sede do partido, na Asa Norte. Sucessivamente, o início da executiva vinha sendo adiado.

Quando o presidente interino do PSB, Roberto Amaral, e o secretário-geral Carlos Siqueira chegaram à sede da legenda, Marina ainda estava no hotel, esperando que as últimas arestas fossem aparadas. “É um processo complicado, todos querem falar. Não há dúvida que a chapa é Marina e Beto (Albuquerque). O que está faltando são questões políticas envolvendo a campanha”, disse o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande. Ele deixou o encontro antes da chegada de Marina, alegando compromissos inadiáveis no estado.

Na hora que Marina apareceu na sede do PSB, os contratempos já estavam amenizados e ela foi recebida aos gritos “Eduardo, presente; Marina presidente”. Emocionado, Amaral afirmou que a ex-ministra do Meio Ambiente e Beto deveriam “dar continuidade ao legado de Eduardo Campos”. Beto acrescentou que estava muito honrado em assumir o posto de vice na chapa e que o grande desafio, nos próximos 45 dias, será rodar o país para reafirmar o discurso de renovação, contra “as velhas raposas da política”.

Marina declarou que a própria separação entre a velha e a nova política aconteceu no velório e enterro de Eduardo Campos. “Todos que ali estiveram presentes, mesmo aqueles com os quais temos divergências ideológicas, têm alguma contribuição a dar ao país”, disse ela, acrescentando que os representantes da velha política ficaram constrangidos de participar da cerimônia. “O velório de Eduardo contrariou a tese da descrença das pessoas com a política. Eduardo mostrou que era apenas uma questão de tempo para que as pessoas conhecessem nossas ideias”, completou Marina.

Autonomia do BC

A ex-ministra também foi confrontada com as divergências em relação ao PSB. Lembrou que houve consenso em torno de 14 candidaturas estaduais e que, nessas, não há restrições. “Onde não houve, Eduardo já sabia que eu me preservaria. Beto vai no meu lugar”, completou. Ela também rebateu possíveis restrições do setor do agronegócio à sua candidatura. “Não acredito nesse veto homogêneo. Existem vários setores modernos do agronegócio, que estão esperando como vamos implantar as propostas de sustentabilidade com aumento de produtividade e desenvolvimento econômico”.

No campo econômico, reforçou a manutenção do câmbio flutuante, da responsabilidade fiscal, das metas de inflação. “Já tínhamos discutido a questão da autonomia do Banco Central. Eduardo achou importante anteciparmos esse debate e essa proposta está mantida”, reiterou, como um recado ao mercado financeiro, que também tem receios com a troca na titularidade da chapa.

Marina e Roberto Amaral também terão de administrar uma crise com os aliados. O presidente do PSL, Luciano Bivar (RJ), anunciou ontem que romperá com a coligação por não ter sido consultado sobre o processo de mudanças. Uma reunião com os representantes dos partidos aliados está marcada para a manhã de hoje. “Eu espero, politicamente, contornar essa questão. Juridicamente, tenho dúvidas se existe tempo hábil para que qualquer legenda anule a convenção partidária realizada em junho”, completou Amaral.

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Marina viajará hoje à tarde para gravar a propaganda eleitoral. O marqueteiro da campanha, Diego Brandy, afirmou que, como não houve ainda o registro da candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — o que deve acontecer até sábado —, Marina ainda não pode ser apresentada como candidata a presidente no horário eleitoral. Também no sábado a campanha conjunta será oficialmente iniciada, com um grande ato em Pernambuco.

“Existem vários setores modernos do agronegócio, que estão esperando como vamos implantar as propostas de sustentabilidade com aumento de produtividade e desenvolvimento econômico”
Marina Silva, candidata do PSB ao Planalto

Aliados indesejáveis

Estados onde Marina não fará campanha para os candidatos apoiados pelo PSB

São Paulo
» O deputado Márcio França (PSB) é vice na chapa do candidato à reeleição, Geraldo Alckmin. Marina também não fará campanha para o petista Eduardo Suplicy, candidato ao Senado, que disputa a vaga com o tucano José Serra

Rio de Janeiro
» O deputado Romário (PSB) é candidato ao Senado ao lado do petista Lindbergh Farias, que disputa o governo estadual pelo PT

Paraná
» O PSB apoia a candidatura do governador Beto Richa (PSDB) à reeleição

Rio Grande do Norte
» O PSB apoia a candidatura de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) ao governo potiguar

Mato Grosso do Sul
» O PSB apoia a candidatura de Nelson Trad Filho (PMDB) ao governo estadual. Ele é aliado do agronegócio

Alagoas
» O PSB apoia a candidatura de Benedito de Lira (PP) ao governo estadual

Goiás
» O PSB lançou para o governo o nome de Vanderlan Cardoso, ligado ao agronegócio

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