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Da vida para a história em 24 horas: os últimos momentos de Getúlio Vargas Confira os últimos acontecimentos políticos que levaram o então presidente da República ao ato extremo do suicídio, para evitar um golpe

Étore Medeiros

Publicação: 23/08/2014 15:26 Atualização:

Cortejo fúnebre do ex-presidente reuniu milhares de pessoas (Antonio Rudge/O Cruzeiro/Arquivo Estado de Minas)
Cortejo fúnebre do ex-presidente reuniu milhares de pessoas


Às 8h35 de 24 de agosto de 1954, há 60 anos, Getúlio Vargas atirou contra o próprio peito, no quarto que lhe era reservado no Palácio do Catete, então sede do Poder Executivo, no Rio de Janeiro. Pressionado pela oposição e pelos militares, Vargas corria o risco de deposição do poder, naquele dia. Ao puxar o gatilho, Vargas adiou em 10 anos o intento militar. Veja como foram as últimas horas do maior político brasileiro de todos os tempos.


23 de agosto
  • 11h – A alta oficialidade da Marinha lança o manifesto dos Almirantes, exigindo a renúncia de Vargas. No dia anterior, o manifesto dos Brigadeiros já declarava a mesma intenção.

  • 23h – O Exército adere ao movimento golpista, com a chegada ao Catete de manifesto assinado por 27 generais, também pedindo a saída de Getúlio.
Getúlio ao tomar posse na única vez em que chegou ao poder pelo voto, em 1951 ( Arquivo/O Cruzeiro/EM/D.A Press)
Getúlio ao tomar posse na única vez em que chegou ao poder pelo voto, em 1951


24 de agosto
  • 0h – O ministro da Guerra, Zenóbio da Costa, e o marechal Mascarenhas chegam ao Catete e comunicam a Vargas que a deposição é inevitável. Enquanto Vargas conversava com os dois militares, aviões da Aeronáutica davam rasantes sobre o Palácio do Catete. Devido à hora avançada, Getúlio vestia trajes informais: calça esporte de mescla e blusão.

  • 0h30 – Aconselhado por Mascarenhas, Getúlio chama os ministros ao Catete. Tancredo Neves, que já estava no palácio, recebe de Vargas uma caneta-tinteiro: “Guarde isso, como lembrança destes dias”, disse Vargas, para o espanto do ministro da Justiça.

  • 2h – Começa a reunião no Salão Ministerial. Getúlio vestia um terno cinza-azulado. Sereno e firme, pede que cada um dos ministros civis e militares opinem sobre a situação. O manifesto dos generais, que só seria publicado pela manhã, já chegara a 37 assinaturas, informou Zenóbio.

    Tancredo Neves, ministro da Justiça, defende a manutenção da ordem legal: “Se aparecerem soldados para depor o presidente, a solução é resistir”. A posição foi seguida por alguns ministros civis, que recuaram ante o cenário de insubordinação das tropas descrito pelos militares.

    A filha e conselheira de Vargas, Alzira, toma a frente e analisa a tal revolta militar: “Dos 13 generais”, começou, corrigindo e provocando Zenóbio, “só um tem comando de tropa e não é aqui na capital; os outros exercem funções burocráticas”. O salão ficou inflamado. Ernani do Amaral Peixoto achou a solução conciliadora: o licenciamento temporário do presidente.

  • 4h20 – Vargas se pronuncia: “Já que os senhores não decidem, vou decidir”. O presidente ordenou aos militares a manutenção da ordem e dos preceitos constitucionais. “Se quiserem impor a violência e chegar até o caos, daqui levarão apenas o meu cadáver”, anuncia antes de se retirar do salão e subir para o quarto, no terceiro andar.

  • 5h30 – Os ministros concluem a redação da nota oficial com o posicionamento do governo: a licença temporária de Vargas. O major Ene Garcez dos Reis, chefe do pessoal do Gabinete Militar da presidência, distribui fuzis e metralhadoras aos subordinados que protegiam o Catete. Lutero, filho de Vargas, comunica ao pai: “Estamos prontos para a luta”, ao que Vargas, mais uma vez, responde insinuando o suicídio: “Não vai haver luta. Nenhum sangue será derramado aqui hoje. Se algum sangue for derramado, será o de um homem cansado e enojado de tudo isso”.

  • 7h – Chega ao Catete a notícia de que os militares rejeitam a licença temporária.

  • 8h30 – Vargas dispensa o camareiro Barbosa, que todos os dias lhe fazia a barba. Alegou querer dormir mais um pouco. Usava um pijama listrado em bordô, cinza e branco.

  • 8h35 – Ecoa pelo Palácio do Catete o tiro dado por Vargas contra o próprio peito, direto no coração. Tão logo a carta-testamento deixada por ele foi levada ao conhecimento da população pelo rádio. As ruas do Rio de Janeiro foram tomadas de comoção. Getúlio estava morto, e o golpe que o tiraria do poder, fracassado.

    A comoção gerada pela morte de Vargas impediu um golpe de Estado (Reprodução)
    A comoção gerada pela morte de Vargas impediu um golpe de Estado

Fonte: GETÚLIO – Da volta pela consagração popular ao suicídio (1945-1954), de Lira Neto


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