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Ex-contadora de doleiro Youssef desmente acusações de extorsão Meire afirmou que tornaria pública parte da conversa com o advogado de Argôlo para se defender

Naira Trindade

Publicação: 03/09/2014 14:39 Atualização: 03/09/2014 14:59

Um dia após o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) acusar a ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, de tentar extorqui-lo para não prestar depoimento ao Conselho de Ética, a "mulher bomba" desmentiu as denúncias e ameaçou processá-lo pelas “calúnias”.

Em coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara, nesta quarta-feira (3/9), Meire distribuiu parte da gravação de uma conversa com o advogado de Argôlo, Aluísio Lundgren Corrêa Régis, em 17 de julho, num restaurante argetino no bairro Alameda, em São Paulo.

Meire Poza era esperada para depor nesta quarta-feira como testemunha de defesa do deputado no Conselho de Ética. Ontem, no entanto, o advogado tentou substituir o depoimento dela pelo do chefe de gabinete de Argôlo, Vanilton Bezerra. O pedido foi rejeitado porque Bezerra já havia sido ouvido pelos membros do Conselho.

A contadora afirmou que tornaria pública parte da conversa com o advogado para se defender das acusações de extorsão. “Eu quis ter o direito de resposta. Eu lamento o deputado tenha preferido esse caminho ao da dignidade de ter saído de cena”, disse.

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Meire questiona a divergência de valores do deputado no depoimento e contrapõe com o desejo do advogado de defendê-la na justiça. “Ele começou falando R$ 300 mil, baixou para R$ 275 (mil) e depois chegou a R$ 250 (mil). Eu tenho a gravação de quase quatro horas do jantar que tive com o advogado, que disse que tinha muito interesse de entrar na Lava-Jato e se ofereceu para ser o meu advogado”.

A contadora afirma que procurou o deputado Argôlo após receber um recado do doleiro Albeto Youssef, que está preso pela Polícia Federal devido à Operação Lava-Jato, para “resolver o problema” da Grande Moinho Cearense. “Ele me mandou falar com o deputado Luiz Argôlo e quem me retornou foi o doutor Aluísio”.

Com uma folha na mão, Meire descreve parte da conversa com o advogado. Diz ter sido abordada para tê-lo como advogado; disse que Aluísio sabe que os deputados sabem do envolvimento de Argôlo com Youssef; afirma ter recebido “cantada” do advogado e ainda diz ter ouvido proposta para passar seis meses viajando pela Europa.

“O deputado foi leviano, inconsequente e irresponsável”, afirmou. “Eu pretendo processá-lo sim, porque ele mentiu descaradamente. Eu tenho a prova de que ele mentiu. Eu jamais o extorqui e jamais extorquir ninguém. Ele foi aquém a minha imaginação”.

Meire conta que, a pedido de Youssef, ela precisaria emitir notas falsas para “resolver” questões do Grande Muinho Cearense relativo a R$ 986 mil que “foram repassados ao deputado Luiz Argôlo”. “Quem fez os repasses ao Argolo fui eu”. Meire diz que o Argôlo ia arrumar a documentação fria para regularizar o repasse de quase R$ 1 milhão.

Meire Poza acredita que queriam mandá-la para a Europa para impedi-la de prestar novos depoimentos. “Foi um comentário infeliz. Eu entendi como sugestão para não dar nenhum tipo de declaração ao deputado Luiz Argolo”.

O advogado Aluísio Lundgren negou ter tentado subornar a contadora e disse que estava “blefando” no diálogo gravado no restaurante.

"Ela blefou de um lado e eu blefei do outro. Eu sabia o que ela queria e entrei no jogo dela. Ela queria gravar o deputado e eu não deixei. Eu fui conversar com ela. É uma conversa cheia de blefes", defendeu-se Aluísio Régis.

Leia os dois minutos de áudio cedido por Meire Poza, ex-contadora do Alberto Youssef, da conversa com o advogado de Luiz Argolo, Aluísio Lundgren Corrêa Régis:

Aluísio: Sei quem é não. E qual o vínculo que ela tem com o Argôlo? Nenhum. Manda ela passar seis meses na Europa e pronto. Entendeu? Não é assim. Rapaz, sei não. Eu sei quem é esse aqui. Este aqui é o pai dele, foi 60 mil e ainda depositou uma parte em outro lugar. Você está entendendo?

Meire: Mas em momento algum... Isso que eu quis me justificar com você logo que a gente se encontrou. Porque isso é péssimo. Isso é humilhante.

Aluísio: Escuta meu amor, escuta. Eu to dando aqui a você -- porque eu gostei de você pra caramba -- eu to lhe dizendo aqui que não é bom a gente pegar isso pra frente, mas que tem saída para isso aí. A gente tem saída para isso aí. Ta entendendo? A gente tem saída para isso aí. Certo? Ele, pelo menos, tem saída. Porque os deputados sabem que o Argolo não é santo. Os deputados sabem que ele tem envolvimento com o Youssef (Alberto, preso pela Polícia Federal), mas se for puxado o fio da meada não tem um santo. O que está fudido mesmo é o André Vargas. Este ninguém salva. Concorda?

Meire: Concordo. Mas eu só queria deixar isso claro. Em momento algum eu propus. Eu queria tentar amenizar o meu problema. Você entendeu?

Aluísio: Entendi.

Meire: Eu toco a minha vida, doutor, eu tenho, graças a Deus, eu tenho negócio. Graças a Deus a minha vida é estável.

Aluísio: E pessoa bonita, nova gostosa, nossa..

Meire: Obrigada (risos). Eu não preciso extorqui-lo. Pedir nada pra ninguém. Eu acho humilhante.

Aluísio: Até porque com jeito a pessoa consegue muito mais.

Meire: Eu não tenho nenhuma intenção disso. Pelo amor de Deus, nunca. Eu só quero resolver. Eu só quero tentar sair desse imbróglio da melhor forma.

Aluísio: Eu pediria a ninguém que conversou comigo. Nem com o seu advogado.

Meire: Tá, tá. É, eu não falei com ele porque ele tava viajando (risos)

Aluísio: E também eu não dei tempo, né.

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