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Nova delação da Lava-Jato resultará em inquérito contra Negromonte

Empresário Frank Abubakir trouxe informações sobre participação de ex-ministro no esquema de desvios da Petrobras pelo Partido Progressista. Defesa alega que colaboração não provará nada

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postado em 07/02/2016 15:26 / atualizado em 13/02/2016 19:39

Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press

Depoimentos de uma nova colaboração premiada da Operação Lava-Jato devem resultar em mais um inquérito, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), contra o ex-ministro, ex-deputado e conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia Mário Negromonte. Informações trazidas pelo empresário Frank Geyer Abubakir esclareceram fatos novos sobre a participação do ex-líder do Partido Progressista na Câmara no esquema de corrupção para distribuir dinheiro desviado da Petrobras à integrantes da legenda. A defesa do ex-ministro afirmou ao Correio que a nova delação não comprovará nada contra seu cliente. De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), que negociou o acordo com Abubakir, o PP obteve R$ 357.945.680,52 em subornos por meio de acordo com o ex-diretor de Abastecimento da petroleira Paulo Roberto Costa. Ex-líder do partido na Câmara, Mário Negromonte (BA) era um dos quatro responsáveis por administrar a bolada recebida  do doleiro Alberto Youssef e distribuir ao resto da bancada, de acordo com o ex-dirigente e o operador. Os outros responsáveis eram os ex-parlamentares João Pizzolatti (SC) e Pedro Corrêa (PE) e o deputado Nelson Meurer (PR). Todos negam as acusações.

Com a delação de Frank Abubakir, os investigadores entendem que há “fato novo” para descrever a participação de Negromonte no esquema. Por isso, pediram que a delação integrasse investigação sobre Pizzolatti no Supremo Tribunal Federal. Mas o ministro relator da Lava-Jato lá, Teori Zavascki, entendeu que havia pouca conexão com os demais parlamentares e remeteu a responsabilidade para o relator no STJ, Luis Felipe Salomão. Falta homologar a delação. Quando isso acontecer, o Ministério Público vai pedir a abertura de um novo inquérito contra Negromonte no STJ. Segundo a PGR, o ex-ministro era um dos quatro deputados que fazia a “manutenção e operacionalização do esquema de corrupção”. Yossef diz que cada fum ficava com R$ 250 mil a R$ 300 mil cada um por mês do esquema da Petrobras. Eles distribuíam o resto do dinheiro – R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão – para o resto da bancada, quando cada parlamentar recebia de R$ 30 mil a R$ 50 mil mensais. O entregador de dinheiro do doleiro, Carlos Alexandre “Ceará” de Souza disse que entregava valores em espécie ao quarteto em apartamento funcional da Câmara na 311 Sul, em Brasília. Geralmente, levava R$ 300 mil escondidos na roupa. “O declarante transportava o dinheiro no corpo, usando meias de futebol e calças próprias (mais folgadas), calças ‘de trabalho’”, disse ele perante a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República. “Ao chegar ao apartamento, o declarante ia ao banheiro para retirar o dinheiro das pernas, que estava embalado em filmes plásticos, e retornava com uma sacola de dinheiro e apresentava a todos que estavam à espera, na sala do apartamento”. Segundo ele, Negromonte, Pizzolati, Meurer e Corrêa reclamavam. “Os deputados federais sempre perguntavam para o depoente: ‘Cadê o resto?’.”

 

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O teor da delação de Abubakir é sigiloso. Por meio de assessores, o empresário disse ao jornal que não comentaria o caso. Carlos Fauaze, advogado do ex-ministro e conselheiro, disse ao Correio que não sabe se Negromonte e o empresário se conhecem. Apesar de já aguardar a colaboração de Abubakir, ele entende que ela não vai reforçar indício algum trazido por outros delatores. “A legislação é clara no sentido de que não poderá haver condenações baseadas apenas na palavra de delatores, de modo que a suposta ‘soma’ de versões não supre a necessidade de comprovação da materialidade de hipotéticos crimes”, disse ele. “Carlos Alexandre era subordinado do senhor Youssef, sendo crível conjecturar acerca da elaboração de versões coincidentes, de modo a obter benefícios legais, em detrimento da verdade.” João Pizzolatti, secretário do governo de Roraima, negou a existência de esquema distribuição de dinheiro desviado da Petrobras para o PP, segundo seu advogado, Michel Saliba. “Pizzolati já depôs sobre isso e negou de maneira veemente. Isso é uma ilação absurda”, declarou o defensor. Os demais parlamentares e também têm negado as acusações.

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