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Resultados das eleições mostram que políticos precisam se reinventar

Proibição das doações eleitorais também influenciaram na forma de fazer campanha

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postado em 19/10/2016 06:00

Paulo de Tarso Lyra /Correio Braziliense

João Doria Júnior (PSDB) eleito, em primeiro turno, em São Paulo. Marcelo Crivella (PRB), consolidando-se como favorito na disputa do segundo turno do Rio de Janeiro. Um empresário do ramo de comunicação e um ex-bispo da Universal — que, justiça seja feita, é senador há um bom tempo — têm chances reais de administrar as duas principais capitais do país a partir de 1º de janeiro de 2017. “O recado é claro de que precisamos nos reinventar. O povo brasileiro queria e votou em nomes novos para mudar o cenário”, disse o líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF).

Crivella, embora tente se descolar ao máximo do discurso limitador de ex-bispo — tanto que pediu desculpas sobre o seu livro, publicado em 2002, intitulado Evangelizando a África — acabou sendo beneficiado pelo “eleitor fiel” da Igreja Universal. Milionário, Doria tirou do próprio bolso boa parte do dinheiro para a campanha municipal. Acabou virando exemplo para outras campanhas políticas encabeçadas por empresários.

Na primeira campanha eleitoral com a proibição de doações eleitorais por empresas e sindicatos — o que prejudicou, e muito, o êxito de candidatos ligados aos partidos de esquerda — quem conseguiu amealhar recursos por outros caminhos levou vantagem. Os dois casos citados conseguiram arrecadar montantes de fontes regulares. Mas o próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, alertou para os riscos de que algumas campanhas tenham sido bancadas pelo dinheiro do crime organizado.

Só que apenas a fonte de financiamento não explica o fenômeno. No Sudeste, o eleitorado demonstrou, de maneira geral, uma fadiga maior diante do modelo político vigente. No Nordeste, por exemplo, os nomes eleitos ou que estão em disputa no segundo turno ainda mantêm vínculos políticos claros. “A criminalização da política levou a isso. E não foram apenas os caciques do PT que foram prejudicados”, afirmou o senador Paulo Rocha (PT-PA).

“No Nordeste, os vínculos com os caciques locais é mais explícito. São os irmãos Gomes (Ciro e Cid) apoiando Roberto Cláudio em Fortaleza; o governador Flávio Dino (PCdoB-MA) por trás do prefeito Edivaldo Holanda em São Luís”, enumerou Rocha.

Negação
No caso de Doria, não há como negar que a máquina do governador Geraldo Alckmin ajudou a cacifá-lo. Doria aproveitou-se da estrutura, mas não a alardeou como fundamental ao longo da campanha. Ao contrário. “Ele proferiu, o tempo todo, o discurso de negação da política. É algo falso, mas soou bem. Assim como Crivella, que disputou todas as eleições majoritárias desde que deixou de ser bispo, mas está perto de ser eleito embalado pela Igreja, não pelo PRB”, afirmou o deputado Chico Alencar (PSol-RJ).

Para o deputado Ricardo Trípoli (PSDB-SP), a derrocada do PT ajudou a arrastar para a vala comum todos aqueles que adotavam um discurso político. “O carimbo ficou muito forte para quem se apresentava como um político tradicional”, acredita ele.

O tucano cita o exemplo do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que sequer conseguiu chegar ao segundo turno. “Ele não foi um mau administrador. Pesou contra ele a marca da estrela vermelha na campanha”. Para Trípoli, o eleitor deixou claro que deseja alternância. “O eleitor é sábio, nós não somos. São eles que nos escolhem, não o inverso”, brincou.

 

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