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Cabral e aliados tinham costume de realizar pagamentos com dinheiro vivo

Prática chamou a atenção do juiz Sérgio Moro. Ex-governador do Rio divide cela em Bangu com mais cinco presos na Operação Calicute, um desdobramento da Lava-Jato

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postado em 19/11/2016 09:00 / atualizado em 19/11/2016 09:11

Eduardo Militão

PF/Reprodução

Quebras de sigilo bancário do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), da mulher, Adriana Ancelmo, e do ex-assessor considerado seu operador, Carlos Emmanuel Miranda, mostram compra de bens com “vultosos” pagamentos em dinheiro vivo — mesmo expediente usado pela Andrade Gutierrez para repassar propinas ao peemedebista, segundo relataram executivos da empreiteira. A prática foi considerada suspeita pelo juiz Sérgio Moro, que, assim como o colega Marcelo Bretas, determinou a prisão preventiva do político. Ontem, Cabral passou o segundo dia na cadeia de Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, de cabelos cortados e uniforme de presidiário. Ele divide cela com mais cinco presos na Operação Calicute, fase da Lava-Jato que atingiu negócios do ex-governador considerados ilícitos. Um cenário bem diferente do que costumava frequentar em Paris, com farras regadas a espumantes caros e muito guardanapo na cabeça.

Segundo o despacho de prisão do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Cabral, Adriana e Miranda tinham, “por padrão de conduta a aquisição de bens mediante pagamentos vultuosos em espécie”. Os valores somaram R$ 949 mil entre 2009 e 2015. Sérgio Moro desconfiou. “Pagamentos vultosos em espécie, embora não sejam ilícitos, constituem expediente comumente utilizado para prevenir rastreamento e ocultar transações financeiras”, destacou. “Causa certa estranheza, por exemplo, a frequência de aquisições vultosas de bens móveis em espécie, como as feitas por Adriana Anselmo.”

Além disso, os pagamentos ainda eram feitos de maneira fracionada, em valores abaixo de R$ 10 mil. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, exige que saques e transferências acima de R$ 100 mil sejam comunicadas imediatamente pelos bancos; as movimentações suspeitas acima de R$ 10 mil, também. Por isso, Sérgio Moro estranhou o fato de as compras serem feitas em parcelas abaixo desse limite.

A então primeira-dama do Rio comprou R$ 56 mil em móveis em uma marcenaria no fim de 2010: uma mesa de trabalho, duas estantes para livros e dois escritórios volantes. Para pagar, pediu que os boletos fossem cancelados, segundo informou a loja ao Ministério Público. Preferiu fazer depósitos em espécie na conta da empresa — alguns no mesmo dia, mas sempre abaixo dos R$ 10 mil. Procedimento semelhante foi feito por Cabral. Durante seis dias em novembro de 2007, recebeu pouco mais de R$ 59 mil em sua conta bancária, divididos em seis depósitos de exatos R$ 9.900, abaixo do limite do Coaf. O escritório de advocacia de Adriana ainda blindou um veículo com sete pagamentos em 15 de agosto de 2014, usando a mesma prática.

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