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Cabral comprou joia em espécie 'quando era deputado e senador', diz gerente

De acordo com a gerente da joalheria Antônio Bernardo, não cabia a ela responder pela parte de pagamento, "razão pela qual não sabe dizer se houve ou não pagamento sem nota fiscal"

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postado em 24/11/2016 09:40

A gerente da joalheira Antônio Bernardo, Vera Lúcia Guerra, declarou à Polícia Federal que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) era seu "cliente pessoal" e afirmou que o peemedebista comprou joias em dinheiro vivo desde "quando era deputado e senador". Vera relatou que a última compra do peemedebista ocorreu há cerca de dois anos - na ocasião, adquiriu "um colar de ouro avaliado em cerca de R$ 10 mil pago em dinheiro".

Cabral foi deputado estadual de 1991 a 2003. Entre 1995 e 2003 ocupou a presidência da Assembleia Legislativa do Rio. Ele se elegeu senador em 2003 e ocupou o cargo até 2006, quando deixou a vaga para concorrer ao governo do Rio. Por dois mandatos, foi o chefe do Executivo fluminense (2007-2014).

"Quando era deputado e senador Sérgio Cabral procurou pessoalmente a declarante para comprar joias em dinheiro vivo; também os filhos de Sérgio Cabral chegaram a procurar a declarante para comprar joias com pagamento em espécie, sendo que nesses episódios o dinheiro era portado pelos próprios filhos de Sérgio Cabral", afirmou Vera Guerra em seu depoimento - prestado em 17 de novembro, quando foi deflagrada a Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato que prendeu Cabral.

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Vera declarou conhecer Carlos Miranda, apontado pela investigação como o "homem da mala" do ex-governador. "Neste episódio Sérgio Cabral escolheu a joia com a ajuda da declarante, sendo que o pagamento foi feito posteriormente em dinheiro por um homem desconhecido da declarante, sendo certo que não foi Carlos Miranda quem pagou este colar", disse.

A gerente deu detalhes sobre a atuação de Carlos Miranda. "Em datas comemorativas, aniversários, Natal, etc, era comum Carlos Miranda procurar a declarante por telefone ou pessoalmente em busca de joias, sempre femininas, para presente; que Carlos Miranda é cliente antigo da loja, lá comprando há cerca de dez a doze anos, não sabendo precisar quantas vezes vendeu joias ao mesmo; que o pagamento era feito quase sempre em dinheiro, sempre em moeda nacional", relatou.

Vera disse não se recordar "exatamente se e quantas vezes Carlos Miranda comprou joias com cartão". Segundo a gerente, "o valor das joias em espécie girava em torno de R$ 1 mil a R$ 10 mil, podendo ter vendido algo acima de R$ 10 mil. Ela disse, porém, que não se recordava precisamente dos valores.

De acordo com a gerente da joalheria Antônio Bernardo, não cabia a ela responder pela parte de pagamento, "razão pela qual não sabe dizer se houve ou não pagamento sem nota fiscal".

Vera Guerra explicou que os certificados das joias não têm o "nome do cliente para quem foram vendidas, traz apenas o código, o nome, a data e o prazo de troca, não constando material de fabricação, valor, peso e outras características do objeto".

Por Agência Estado

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