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Correio Braziliense

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"Quem manda é o povo. Não há anistia a caixa 2", diz Temer em entrevista

Presidente da República concedeu entrevista na tarde deste domingo (27/11), acompanhado dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros

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postado em 27/11/2016 15:08 / atualizado em 27/11/2016 15:41

Denise Rothenburg

AFP / EVARISTO SA
 
 
Dispostos a começar o primeiro útil desta semana longe das crises políticas, os presidentes da República, Michel Temer, da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros, chamaram a imprensa nacional para comunicar que não patrocinarão e nem deixarão passar qualquer medida que represente anistia ao caixa dois de campanhas passadas. 

O presidente aproveitou ainda para mandar um recado aos empresários que consideram que a lua de mel está no fim. Elencou todos os programas que o governo vem fazendo para tentar tirar o país do atoleiro. "Nunca tive lua de mel. Desde o primeiro momento, havia muito fel, não é verdade? Não houve isso, ah (sic), o Temer assumiu o céu ficou azul. Me lembro que na Constituinte, muitos diziam que o mundo mudaria. Não é assim. [No caso do governo atual] houve gente que fez campanha contra, não só negativa, mas física. Mas àqueles que achavam que ia melhorar, eu digo, vamos juntos. É preciso vir primeiro a esperança, que realmente, nasceu,depois a confiança, que vem paulatinamente. Como isso se consolidará? Temos uma equipe econômica da melhor disposição, que está trabalhando ativamente para sair da recessão. Mas a consolidação se dará no segundo semestre do ano que vem. Todo mundo sabe do fel que enfrentamos. Não estamos parados, estamos trabalhando para melhorar o crescimento e isso se dará pouco a pouco", afirmou, neste domingo (27/11), em coletiva de imprensa.

O povo é que manda

"Verificamos que era preciso atender aquilo que se chama voz das ruas. O governo não é nosso. Não é do presidente da República, não é do presidente do Senado. Não é do presidente da Câmara dos Deputados. O poder é do povo. Então, quando o povo se manifesta, essa audiência há de ser tomada pelo poder Legislativo e igualmente pelo Poder Executivo”, disse Temer, referindo-se à posição dos três como “um ajuste institucional”.
 
O que o presidente da República chamou de “ajuste institucional”, Renan Calheiros chamou de acordo “no sentido de que não haverá apreciação de anistia ao caixa dois ou qualquer crime eleitoral”. Rodrigo Maia reforçou que, caso algum deputado tente apresentar uma proposta sobre a anistia, a votação será nominal, para que cada um assuma publicamente a sua posição a respeito. Renan, entretanto, reforçou que essa matéria “não deve tramitar” e que há outras prioridades, caso do ajuste fiscal e outros projetos relacionados à economia.
 
O objetivo principal do governo com esse anúncio é evitar a retomada de amplos movimentos de rua. A coluna Brasília-DF da edição impressa do Correio Braziliense de hoje trouxe um alerta dos analistas de redes sociais sobre o crescimento do mau humor do cidadão em relação ao governo, fruto da crise econômica. Os especialistas citaram inclusive o receio da volta das manifestações expressivas que tomaram as ruas em 2013 __ movimentos, aliás, lembrados ontem pelo presidente Michel Temer, ao explicar que não era a primeira vez que ele se posicionava a favor dos manifestantes: “ Em 2013, quando houve os movimentos de rua, embora muitos os criticassem, saímos em defesa dos movimentos. Dissemos que era legítimo. Fazíamos observação em relação ao movimento de depredação. A Constituição garante o movimento à livre manifestação, mas não tem uma passagem que garanta o direito de depredação”, informou.

Teto de gastos sem novo ministro

 
   Temer mencionou por diversas vezes o apoio que tem tido do Congresso Nacional nas questões de governo, citando a ampla maioria, 366 deputados, que aprovou o teto de gastos. Agora, espera que isso se repita no Senado. E, pelo andar da carruagem, o desfecho do teto de gastos no Senado virá sem que esteja escolhido o novo ministro da Secretaria de Governo. Temer não definiu data, mencionou apenas reconheceu que a demora na saída de Geddel não foi útil e falou do perfil do futuro ministro: Lisura no comportamento e diálogo com o Congresso. Temer reforçou que o fato de estar sem ministro não quer dizer que ele assumiu agora a articulação política: “Não é bem assim. Sempre fiz articulação política. Faço com muita naturalidade. Na democracia é assim. Tem que dialogar, em especial, com a força popular representada no Congresso Nacional”.

Gravar o presidente é “indignidade”

 
   Passado o episódio da gravação clandestina que teria sido feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que o presidente Michel Temer considerou “ilógica, agressiva, desarrazoada”, ele anunciou que pretende implantar a gravação de todas as audiências do presidente da República, o que mostra que o governo não pretende mais se expor à clandestinidade.“Um ministro gravar o presidente da República é gravíssimo. Indigno. Se gravou, espero que essa gravação venha à luz. Vocês me conhecem, sou muito cuidadoso nas palavras. Ele me disse que não queria entrar nessa questão.Eu disse que se ele não queria entrar, a lei diz que, quando há conflito, pode-se ouvir a AGU”, disse o presidente, disposto a “transformar o limão em limonada” instituindo a gravação obirigatória para evitar qualquer disse-me-disse em relação ás audiências presidenciais.

Estilo

 
 “A coisa que mais fiz na vida foi arbitrar conflitos”, lembrou Temer, “Especialmente, agora, que cheguei à Presidência da República. “Muitas vezes dizem, você precisa ser mais autoritário. Eu não farei isso nunca. Podem escrever o que quiser. Cheguei com um dever constitucional. Foi a Constituição que me trouxe à Presidência da República. Desde o início da minha carreira meu estilo foi esse. Não venham exigir que eu tome atitudes autoritárias. Eu sei como levar as coisas. Sei como conversar, sei que elas se resolvem com naturalidade, como sempre fiz. Não insistam que eu não tenho esse temperamento centralizador, autoritário. Faremos as coisas com diálogo”, disse Temer, marcando diferenças sobre o estilo da antecessora, Dilma Rousseff.
   

Odebrecht

 
  O presidente Michel Temer confirmou que o governo está preocupado com as delações, por causa da perspectiva de envolver 150 políticos ou mais. Porém, afirmou que é preciso esperar o que virá, e, com tranquilidade,  ver o que será feito., Não dá para resolver antes de saber quem está efetivamente envolvido. Se houver ministros envolvidos,l isso será avaliado no momento em que qualquer envolvimento seja comprovado. 

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