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Correio Braziliense

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PF apura lavagem de dinheiro em patrimônio da família de governador de TO

A investigação apontou um esquema de fraudes em contratos de licitações públicas com empresas de familiares e pessoas de confiança de Marcelo Miranda (PMDB)

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postado em 28/11/2016 08:32 / atualizado em 28/11/2016 10:24

Suspeitos de integrarem uma quadrilha de lavagem de dinheiro em Tocantins são alvo da Operação Reis do Gado, da Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (28/11). A investigação aponta a existência de crimes contra a administração pública por meio da dissimulação e ocultação dos lucros ilícitos no patrimônio de membros da família do governador do Estado, Marcelo Miranda (PMDB). O ex-governador Siqueira Campos (PSDB) foi levado para depor devido a mandado de condução coercitiva. Ele já tinha sido alvo da Operação Ápia, em 13 de outubro, que também apura fraudes no estado.

 

A investigação da Reis do Gado apontou um esquema de fraudes em contratos de licitações públicas com empresas de familiares e pessoas de confiança do chefe do executivo estadual, que teria gerado enorme prejuízo aos cofres públicos. As autoridades identificaram, até o momento, um montante de mais de R$ 200 milhões efetivamente lavados.

 

Ao todo devem ser cumpridos 108 mandados judiciais expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sendo 8 de prisão temporária, 24 de condução coercitiva e 76 de busca e apreensão nas cidades de Palmas e Araguaína, no Tocantins, em Goiânia (GO), Caraguatatuba (SP), em Canãa dos Carajás, Redenção, Santa Maria, São Felix do Xingu e Sapucaia - no Pará - e no Distrito Federal.

Fraude

 

A ocultação do dinheiro desviado ilicitamente era feita por meio de transações imobiliárias fraudulentas, contratos de gaveta e manobras fiscais ilegais dentre os quais a compra de fazendas e de grandes quantidades de gado. Parte do valor teve por destino a formação de caixa dois para campanhas realizadas no Estado.

 

Chamou atenção dos policiais o volume de algumas transações financeiras do grupo que, pela sua desproporcionalidade, denotam claramente a intenção de dissimular as vultosas movimentações ilícitas do grupo. Em um dos casos foi identificada um contrato de compra de gado cujo volume, segundo a perícia realizada, não caberia sequer dentro da propriedade onde pretensamente deveriam se encontrar o rebanho. Essa técnica foi apelidada pelos investigadores como “Gados de Papel”.

 

Em outro caso, um contrato de prestação de serviços entre o governo e uma empresa de transportes aéreos alcançou valores tão exorbitantes que, sendo dimensionadas em horas de voo, obrigariam os aviões a serem abastecidos no ar para que se pudesse suprir o valor integral do contrato. Os investigados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção passiva, fraudes à licitação e organização criminosa.

 

O nome da operação “Reis do gado” foi dado em razão dos principais investigados serem grandes pecuaristas no Estado do Pará. O gado era a destinação de grande parte do dinheiro desviado, onde se operava a lavagem de dinheiro. 

Com informações de Eduardo Militão

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