Delator diz enxergar doações a Lindbergh como 'troca'

O relato aparece em vídeo do delator, divulgado nesta quarta-feira (12/4), pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato na Corte, ter autorizado o levantamento do sigilo do caso

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postado em 12/04/2017 18:54

Em sua delação premiada, o ex-presidente da Construtora Norberto Odebrecht Benedicto Júnior disse ver "com clareza" uma "troca" entre doações eleitorais feitas pelo grupo ao hoje senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o atendimento de um interesse da empreiteira em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. O relato aparece em vídeo do delator, divulgado nesta quarta-feira (12/4), pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato na Corte, ter autorizado o levantamento do sigilo do caso.



O executivo, conhecido como BJ na empresa, revelou que a empresa apoiou com dinheiro de caixa 2 a campanha de Lindbergh à prefeitura de Nova Iguaçu em 2008 e, posteriormente, a campanha do petista ao Senado, em 2010. Enquanto o petista esteve à frente de prefeitura no Estado do Rio, a Odebrecht teve um apelo atendido: conseguiu unir em um consórcio só a execução de uma obra que era divida em três lotes. Isso gerou uma economia em custo para o grupo.

"Que eu me lembre, nós tínhamos ganhado uma concorrência que eram três lotes. (...) Foi feito um pleito a ele (Lindbergh) que três obras na mesma região, com mesmo objeto, gerava um custo administrativo expressivo, eram obras com preço muito apertado da Caixa Econômica. Foi feito um pleito a ele para que a gente pudesse juntar isso num consórcio só. E ele anuiu que os consórcios fossem consolidados", disse BJ ao MPF. "Enxergo com clareza essa relação nossa de ajudá-lo em campanha e a possibilidade de unir os consórcios como sendo uma troca que ele fez conosco, com os meus executivos lá no dia a dia", afirmou.

 

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O executivo, no entanto, disse que não encontrou registros do pagamento feito em 2008 para a campanha. Segundo ele, na época a empresa começava a usar o sistema Drousys, onde comunicavam os pagamentos.

Duda Mendonça


Sobre 2010, o executivo encontrou registros dos pagamentos e os apresentou ao Ministério Público. "Passada essa campanha (de 2008), em 2010, ele postulou uma candidatura a senador, voltou a me procurar pediu novamente um valor numa dimensão muito maior. Se eu não estou enganado o pedido foi de R$ 4 milhões e nós conseguimos fazer R$ 3,2 milhões. Nós encontramos algumas evidências que os pagamentos foram feitos através do marqueteiro dele à época", disse BJ. Na campanha de 2010, segundo o executivo, o marqueteiro do petista que recebeu os pagamentos em espécie, por meio de caixa 2, foi Duda Mendonça.

Os codinomes usados pela empreiteira nas planilhas eram "lindinho" ou "feio". BJ disse que só tratava com o político sobre repasses à campanha eleitoral. O dia a dia de discussão sobre obras era feito pelos demais executivos da construtora. "Eu nunca sentei para discutir como ia ser a obra, nem a junção dos consórcios eu discuti com ele", disse BJ.

Lindbergh é alvo de investigação aberta por Fachin em razão das delações da Odebrecht. Ele é suspeito de receber R$ 4,5 milhões em caixa 2, pagos pelo grupo Odebrecht entre os anos de 2008 e 2010.

Em nota oficial divulgada na terça-feira (11/4), o senador disse que as investigações vão esclarecer os fatos. "Estou convicto que o arquivamento será o único desfecho possível para esse processo. Novamente a justiça será feita", informou por meio de nota.

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