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Correio Braziliense

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Um quinto da lista de Fachin é formada por parentes

Pais e filhos, maridos e esposas e até uma dupla de irmãos são delatados pelos executivos da Odebrecht aos investigadores

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postado em 12/04/2017 20:20

Mais de um quinto dos investigados na lista do relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Edson Fachin, tem parentesco entre si. Pais e filhos, maridos e esposas e até uma dupla de irmãos são delatados pelos executivos da Odebrecht aos investigadores.
 
 
A lista tem, por exemplo, quatro casais que, segundo os delatores, receberam caixa 2 para campanhas eleitorais. Um dos pares é formado pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) e o marido, Moisés Pinto Gomes. Segundo a Procuradoria-Geral da República, há indícios de que Gomes tenha recebido R$ 500 mil, divididos em duas parcelas, para a campanha eleitoral em 2014. 

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também é apontada como beneficiária, por intermédio do marido, Eron Bezerra, de caixa 2 para a campanha eleitoral de 2012. Outro casal que, de acordo com as delações, também está envolvido é a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e seu marido e arrecadador de campanhas, Márcio Toledo. As campanhas eleitorais de Marta à Prefeitura de São Paulo, em 2008, e ao Senado, em 2010, foram, segundos os delatores, instrumento para o recebimento de R$ 550 mil e, posteriormente, R$ 500 mil, em caixa 2. Os repasses foram feitos a Toledo.

Dois delatores afirmaram também em depoimento que o deputado federal Décio Lima (PT-SC) pediu dinheiro para a campanha da esposa, a deputada estadual de Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC), à prefeitura de Blumenau em 2012. O pagamento foi de R$ 500 mil.

As delações trazem ainda várias situações em que pais pediram dinheiro em nome de seus filhos. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o filho dele, Renan Calheiros Filho, receberam dinheiro da Odebrecht. Em negociação direta com os executivos da construtora, o senador solicitou o pagamento de R$ 1,2 milhão ao PMDB. Desse valor, pelo menos R$ 800 mil foram transferidos para o filho. Em contrapartida, o senador deveria facilitar a aprovação de leis que favoreciam a companhia.

Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também teria, segundo os delatores, atuado para aprovar legislação favorecendo negócios da Odebrecht. Em 2014, Jucá pediu R$ 150 mil em forma de doação eleitoral para o filho, Rodrigo Jucá (PMDB-RR), então candidato a vice-governador de Roraima. Os dois são acusados de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública. A chapa de Rodrigo, que tinha como candidato a governador Chico Rodrigues, do PSB, ficou em segundo lugar na disputa de 2014 pelo governo do Estado, com pouco mais de 45% dos votos.

O vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM-RJ) foi citado junto do filho, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em cinco delações. Elas apontam que em 2008, Rodrigo Maia recebeu R$ 350 mil para campanhas eleitorais. Mas naquele ano ele e o pai não foram candidatos. Posteriormente, em 2010, Rodrigo solicitou dinheiro para a campanha do pai. De acordo com as delações, ele recebeu R$ 600 mil. Em 2014, pai e filho voltaram a receber pagamentos, dessa vez para apoiar a aprovação de medida provisória de interesse da construtora. Ambos serão agora investigados pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

Outra dupla de pai e filho é a do senador José Agripino Maia (DEM-RN) e seu filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM-RN). Delatores declararam que eles cobraram, respectivamente, R$ 100 mil e R$ 50 mil, em recursos de caixa 2. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu também é alvo de pedido de investigação junto do filho, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR). De acordo com a Procuradoria, o pai pediu doações para a campanha do filho em 2010 e 2014. Duas parcelas de R$ 250 mil teriam sido pagas pelo setor de propinas da Odebrecht. Pai e filho são acusados de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

Daniel Vilela, deputado federal pelo PMDB-GO, é filho de Maguito Vilela, ex-senador e prefeito de Aparecida de Goiânia (GO), também pelo PMDB. Maguito é acusado por dois delatores de receber R$ 1 milhão para a campanha do filho à Câmara Federal. Os dois serão investigados por prática de caixa dois.

Por fim, consta das delações uma parceria fraterna. A lista traz o senador Jorge Viana (PT-AC) e seu irmão Tião Viana (PT-AC), governador do Acre. Juntos, delatores apontam que eles receberam R$ 2 milhões da Odebrecht em forma de doação para a campanha de Tião ao governo, em 2010. Desses, R$ 500 mil foram repassados oficialmente. Os fatos foram narrados em duas delações, uma delas do ex-presidente da companhia Marcelo Odebrecht. Os irmãos serão investigados por falsidade ideológica para fins eleitorais
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