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PT é o partido que mais recebeu recursos ilegais da Odebrecht: R$ 204,9 mi

Entre os acusados do partido estão dois ex-presidentes, ex-ministros, parlamentares e prefeitos

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postado em 13/04/2017 06:00 / atualizado em 13/04/2017 01:18

Miguel Schincariol/AFP
Dois ex-presidentes da República, ex-ministros, senadores, deputados, prefeitos, gestores de estatais, enfim, políticos que têm em comum mais do que a filiação ao mesmo partido. Após comandarem o país por 13 anos, passaram a protagonistas das denúncias, agora conhecidas, no maior acordo de delação premiada dentro das investigações da Operação Lava-Jato. São crimes de corrupção ativa e passiva, caixa dois, lavagem de dinheiro e fraude em licitação, além de propinas com nome de doação eleitoral.

 

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A maioria desses agora “ex” de seus antigos postos será investigada sem a salvaguarda do foro privilegiado. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou os processos para Justiça Federal do Paraná. Ou seja, a cargo do juiz federal Sérgio Moro, que capitaneia as investigações da operação em primeira instância.

Apesar de as denúncias envolverem quase uma dezena de partidos, o Partido dos Tralhadores (PT) foi quem que mais recebeu recursos supostamente ilegais da empresa Odebrecht. Um total de R$ 204,9 milhões. De acordo com os delatores da empreiteira, nessa conta está o dinheiro que irrigou as campanhas eleitorais de Dilma Rousseff e de parlamentares do partido.

Em troca das doações, recebiam benefícios, inclusive com a aprovação de medidas provisórias, como a MP 703/15, ainda no governo Lula. De acordo com as delações de Emilio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, e do executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho, houve conversas para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro Jaques Wagner editassem legislação que possibilitasse acordo de leniência entre o Poder Executivo e pessoas jurídicas envolvidas em infrações sem contar com a intervenção do Ministério Público. “Foi dito ao ministro que era importante que o governo e Congresso discutissem mecanismos de acordos de leniência”, disse Cláudio no depoimento ao Ministério Público.

Parentes

Do outro lado do Oceano Atlântico, a Odebrecht contratou, no âmbito de obras em Angola financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a empresa do sobrinho de Lula, Taiguara Rodrigues, a pedido do ex-presidente. De acordo com o Marcelo Odebrecht, o parente do petista criou a Exergia sem ter experiência na área de construção e somente para fazer uso da influência de Lula. O ex-presidente já é réu em processo, acusado de intermediar contratos para a empresa do sobrinho com a Odebrecht em obras realizadas em Angola, com financiamento do BNDES.

Entre as denúncias, até a imprensa se beneficiou das “doações” da empreiteira Odebrecht. A revista Carta Capital teria recebido R$ 3 milhões, a título de empréstimo. O repasse à revista teria sido intermediado pelo ex-presidente Lula e o então ministro Guido Mantega. O valor seria pago “na forma de compensação com espaços publicitários”.

O atual relator da comissão especial da reforma política na Câmara, o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), também teria sido beneficiado com caixa dois para a campanha em 2010. Da mesma forma, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) recebeu doações eleitorais para sua campanha à prefeitura de Nova Iguaçu, no Rio. Em troca, a empreiteira teria interesses atendidos no município fluminense.

A sede voraz por dinheiro do partido que comandou o país por mais de uma década chegou a ser verbalizada pelo empresário Emílio Odebrecht ao próprio Lula. Ele teria dito ao então presidente da República que o “pessoal” do petista tinha “goela muito aberta” e que mais pareciam “crocodilo” do que a “jacaré”.

 
Tucanos sob investigação

No PSDB, políticos tiveram pedidos de investigação autorizados, entre eles, os senadores Aécio Neves (MG), Antonio Anastasia (MG), José Serra (SP) e Ricardo Ferraço (ES); os deputados João Paulo Papa (SP) e Yeda Crusius (RS); o governador Geraldo Alckmin (SP), entre outros. A citação do envolvimento dos três principais nomes da legenda para a disputa presidencial do ano que vem traz incertezas para os filiados que cobram caminhos alternativos.


Contra o presidente da legenda, Aécio Neves, o ministro-relator da Lava-Jato no Supremo autorizou a abertura de cinco inquéritos. Em uma das peças, o 4.392, o político é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, cartel e fraude a licitações na construção da Cidade Administrativa de Minas Gerais, quando era governador. De acordo com as delações do diretor-presidente da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, e do diretor superintendente da empreiteira em Minas Gerais à época, Sérgio Neves, Aécio teria recebido R$ 5,2 milhões de propina só da empresa para fraudar a licitação e favorecê-la.

Sérgio Neves conta, em um dos depoimentos, que Aécio teria combinado com Benedicto que a empresa participaria da construção do empreendimento e o então presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Oswaldo Borges da Costa — alvo de dois inquéritos —, acertaria os detalhes com Sérgio Neves, diretor-superintendente da empreiteira em Minas, à época. O valor final do contrato ficou em R$ 360 milhões e a contrapartida era que as empreiteiras destinassem 3% de propina. Aécio nega irregularidades, por meio da assessoria, e afirma que “é falsa e absurda a acusação de que teria participado de algum ato ilícito envolvendo a licitação ou as obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais”. (Natália Lambert) 

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José
José - 16 de Abril às 09:38
Claro ! ! ! Só investigaram, só falaram sobre a época do governo dele ! ! ! Com tantos inimigos (EM-PRESIDIÁRIOS, OPOSIÇÃO DETENTORA DE TODOS OS MEIO DE COMUNICAÇÃO, PRIVILEGIADOS DE SÉCULOS, etc.). Judiciáriário que foi importunadoi pelo volume de trabalho que tiveram que fazer. Assim, era de esperar que os outros nem aparecessem - - - - - MAS APARECERAM E MUITO ao considerar que não eram cabeça ! ! ! Ou estou errado ? ? ?
 
José
José - 15 de Abril às 10:15
BANDO DE CANALHAS. NENHUM POLÍTICO VALE NADA, NENHUM PRESTA, UM SACO DE ESTERCO VALE MAIS QUE ESSAS PRAGAS.
 
José
José - 15 de Abril às 10:08
POLÍTICOS NÃO REPRESENTAM O POVO BRASILEIRO.