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Lista do STF: Lula, Aécio e Temer, os políticos mais criticados nas redes

Críticas vieram nas primeiras 24 horas após a divulgação da lista de inquéritos abertos por Fachin, segundo uma análise da Diretoria de Políticas Públicas

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postado em 14/04/2017 06:00 / atualizado em 14/04/2017 16:29

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o presidente Michel Temer foram os políticos mais criticados nas redes sociais nas primeiras 24 horas após a divulgação da lista de inquéritos abertos pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das delações realizadas pela empreiteira Odebrecht. 


É o que diz uma recente análise feita pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas, centro de estudo da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), feita com base em mais de 1 milhão de interações no Twitter e no Facebook após a divulgação da lista. “A divulgação da lista de alvos de abertura de inquéritos foi percebida como uma ‘bomba atômica’”, ressalta o estudo. 

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Uma nota não bastou para colocar água na fervura. As gravações com os depoimentos de ex-executivos da Odebrecht levaram o Palácio do Planalto a divulgar, na tarde de ontem, um vídeo de pouco mais de um minuto com o presidente Michel Temer negando ter tratado de uma propina de US$ 40 milhões para o PMDB em um contrato da empreiteira com a Petrobras em 2010. “Eu jamais colocaria a minha biografia em risco”, disse Temer, que viajou a São Paulo na tarde de ontem e só deverá retornar a Brasília no domingo. Na agenda, não há compromissos oficiais na capital paulista.

Na gravação, o presidente inicia o breve pronunciamento dizendo que “não tem medo dos fatos” e o que lhe causa repulsa é a mentira. “É fato que participei de uma reunião, em 2010, com representante de uma das maiores empresas do país. A mentira é que nessa reunião eu teria ouvido referência a valores financeiros da empresa com políticos”, disse. “Isso jamais aconteceu e nem em outra reunião da vida pública ou jurídica”, completou.

A fala de Temer buscou rebater a veiculação do depoimento feito por Marcelo Faria, ex-executivo da Odebrecht, aos investigadores da Operação Lava-Jato, no qual ele relatou que Temer sentou-se à “cabeceira da mesa” em um encontro com os ex-presidentes da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — agora cassado e preso em Curitiba — e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), sem mandato eletivo. Faria também disse que, em 2014, Temer levantou-se da mesa para deixar a negociação formal de R$ 10 milhões para a campanha eleitoral do partido, dos quais R$ 6 milhões iriam para o candidato ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), com o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Na última quarta-feira, quando os vídeos da Odebrecht tornaram-se públicos, o Planalto soltou uma nota na qual Temer contestava qualquer envolvimento do nome dele em “negócios escusos” e afirmava que “jamais tratou de valores com o senhor Marcelo Faria”. O documento dizia ainda que o presidente “nunca atuou em defesa de interesses particulares na Petrobras, nem defendeu pagamento de valores indevidos a terceiros” e que a alegação estava baseada em uma “mentira absoluta”.

Na opinião do cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), na política, quando se tenta explicar muito uma mentira, ela costuma ter um fundo de verdade. Para Fleischer, por mais que Temer tente desmentir que não negociou propina, o abalo na base aliada da lista das investigações será inevitável e Temer terá de ceder ainda mais na proposta da reforma da Previdência para tentar aprová-la. “A torneira das emendas parlamentares será aberta, assim como cargos e outros agrados aos parlamentares, que estão de olho na cobrança das urnas em 2018 se a reforma previdenciária for aprovada”, explica o acadêmico.

Com isso, Temer terá de deixar de lado a meta fiscal deste ano. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) permite um rombo fiscal nas contas do governo federal, sem contar estados, municípios e estatais, de até R$ 139 bilhões em 2017. E, para cumprir a meta, o governo anunciou um corte de gastos de R$ 42,1 bilhões, dos quais, R$ 5,5 bilhões são de emendas parlamentares. “Temer vai liberar as emendas e optar em não fazer a meta ou, talvez, aumentar alguma contribuição ou imposto, como o ministro Henrique Meirelles (da Fazenda) já sinalizou”, afirmou o professor da UnB, lembrando que o presidente deverá ter menos dificuldade com a reforma trabalhista. “O setor privado nacional e internacional está de olho nas reformas. Para atrair investimentos, elas são necessárias e, assim, reduzir o desemprego e fazer a economia crescer”, diz.

“Perseguição”


Outro que se utilizou do recurso visual para se defender foi o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Na tarde de ontem, Renan publicou um vídeo nas redes sociais para negar as acusações. “De novo a procuradoria me investiga tentando criminalizar doação legal a pretexto de obra cuja gestão é de governo adversário. Eu confio na Justiça. A chance de ter me favorecido é zero”, afirmou. Segundo o delator Carlos Fadigas, entretanto, um dos pagamentos ao peemedebista teria sido feito fora do período eleitoral, em 2013.

Alegando ser inocente, Renan diz ser alvo de um “abuso” e de uma “perseguição”. “As minhas contas são auditadas desde 2003, não há um centavo ilegal. O meu patrimônio é compatível e não tenho conta no exterior. Essas denúncias serão arquivadas por falta de provas, por falta de materialidade. Mas seria o caso de perguntar: a quem serve esse abuso? a quem serve essa perseguição?”, declarou o parlamentar no vídeo. O projeto de autoria do senador que endurece as penas para os crimes de abuso de autoridade deve ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na próxima quarta-feira.


Dilma alega mentira


A ex-presidente da República Dilma Rousseff reagiu à delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht, que atribuiu a ela conhecimento da prática de caixa 2. “O senhor Marcelo Odebrecht faltou com a verdade”, disse Dilma, em nota divulgada pela assessoria de imprensa. Ela declarou enfaticamente que “nunca pediu recursos para a campanha ao empresário”. Refutou também “as insinuações de que tenha beneficiado a construtora”.

Relação distante
“É fato notório que Dilma Rousseff nunca manteve relação de amizade ou de proximidade com o senhor Marcelo Odebrecht. Muitas vezes os pleitos da empresa não foram atendidos por decisões do governo, em respeito ao interesse público. Essa relação distante, e em certa medida conflituosa, ficou evidenciada em passagens do depoimento prestado pelo senhor Marcelo Odebrecht”, assinala o texto da equipe da ex-presidente.
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