STF libera áudio de gravação de Temer com Joesley Batista; ouça

O áudio já foi enviado também ao Palácio do Planalto

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postado em 18/05/2017 18:45 / atualizado em 18/05/2017 20:19

O Supremo Tribunal Federal (STF) retirou parcialmente o sigilo das gravações entre um dos donos da JBS, Joesley Batista, e o presidente Michel Temer. O áudio foi enviado, no inicio da noite da tarde desta quinta-feira (18/5), ao Palácio do Planalto e foi, também, liberado para a imprensa.
 
A conversa começa com um clima amistoso, com Joesley lamentando ter tempo que não via o presidente. O fato de que os dois mantinham uma relação próxima fica ainda mais evidente com o decorrer do diálogo. Em dado momento, Temer e o empresário fazem as contas e chegam a conclusão de que o último encontro entre eles foi dez meses antes da conversa, antes de o peemedebista assumir o Palácio do Planalto. "Eu tive contigo no teu escritório dez dias antes, quando tava ali naquela briga, naquela guerra pelas redes sociais", diz Joesley. "É. Tem razão", confirma Temer.
 

Boa relação com Cunha 

A partir dos 11 minutos do áudio, Joesley ressalta o distanciamento do ex-ministro Geddel Lima, com o qual havia perdido contato desde que virou um dos investigados e que mantém uma boa relação com Eduardo Cunha: “Eu não posso encontrá-lo. O negócio dos vazamentos do telefone, que incitava meio tangenciando a nós. Eu estou lá me defendendo. Eu estou de bem com o Eduardo”. Temer, por sua vez, responde: "Tem que manter isso, viu?".
 
Além disso, o empresário conta para o presidente o que tem feito para atrasar a investigação da Justiça. Ele diz que “está segurando as pontas”, que “está meio enrolado no processo”. “Eu ainda não tenho denúncia. Dei conta do juiz para dar uma segurada, o juiz substituto também. Tô segurando os dois. Eu consegui um relator dentro da Força Tarefa que também está me dando informação”, acrescentou.
 
O empresário afirma ainda que estava para dar conta de trocar o procurador que estava atrás dele. “Se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim: da uma esfriada até o outro chegar. O lado ruim é que se vem um cara com raiva…”, ponderou.
 

Delações

Nos últimos dez minutos da conversa, o dono da JBS diz ao presidente Temer que tudo que aconteceu até agora com eles é um PIC - Procedimento Investigativo Criminal. A dupla ainda critica os procedimentos das delações. "A gente tinha que pensar porque eles não param. Um delata um, que delata o outro, que delata um, que delata outro. Essa delação não é verdade, não precisa provar nada. "É muito desproporcional. Acho que temos que criar, eu não sei o que também, mas alguma coisa."
 
Ao fim do papo, Temer comenta que Joesley Batista "está bem" e emagreceu. "Estou me alimentando bem, comendo mais saudável. Estou comendo bastante, mas menos doces e industrializados", responde o dono da JBS.
  

Calero

Durante a conversa, Temer também chama o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de “idiota”. Joesley dizia que, desde que encontrou com o presidente pela última vez, vinha conversando com o ex-secretário de Governo, Geddel Vieira Lima. É nesse momento que o presidente lembra “daquele problema” envolvendo Geddel. Em novembro do ano passado, Calero acusou o ex-secretário de pressioná-lo para liberar a construção de um prédio em Salvador (BA), onde ele havia comprado um apartamento. “Deu aquele problema com aquele idiota. Confiar nos outros é isso. Foi uma bobagem que fez. Uma bobagem se consequência nenhuma e o cara aproveitou para fazer um carnaval”, afirma o peemedebista. 
 
 

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