Em meio à crise, Michel Temer estrutura a defesa e a base do governo

O advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, amigo do presidente há 40 anos, diz que é "uma indignidade o que estão fazendo com o peemedebista"

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AFP PHOTO / EVARISTO SA


Um dia após garantir que não vai renunciar, o presidente Michel Temer começou a estudar meios de contra-atacar. Juridicamente e politicamente. Ontem pela manhã, se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para alinhar a estratégia de defesa no Congresso. A ideia é se agarrar aos parlamentares fiéis ao governo e convencer os que estão balançados a deixar a base de que os impactos da gravação não atingiram o governo na proporção inicialmente imaginada.



Parlamentares próximos de Temer garantem que ele está conduzindo pessoalmente o assunto. Mas com muito apoio dos ministros, como Padilha, que recebeu ontem o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS). O senador Tasso Jereissati (PSDB) disse em entrevista à Rádio CBN que o partido chegou a cogitar deixar a base assim que notícia sobre gravação foi revelada, mas recuou após divulgação de áudios. Para ele, havia intenção clara do dono da JBS em incriminar o presidente.

Pelo campo jurídico, a estratégia de Temer é provar que os áudios do diálogo entre Temer e Joesley foram adulterados. É o que declarou o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, amigo do presidente há 40 anos. Segundo ele, o governo tem “informações seguras” sobre a existência de montagens nos áudios divulgados. O advogado se reuniu ontem e na quinta-feira à noite com Temer e vai assumir a defesa do presidente. Nos encontros, ficou definido que uma das estratégias será pedir a perícia da gravação. “Soubemos que a fita foi editada e isso é gravíssimo”, afirmou Mariz. “É uma indignidade o que estão fazendo contra o presidente da República e contra o Brasil”, declarou Mariz.

Denúncia

Temer teria ficado, segundo afirmou o diretor da JBS Roberto Saud em delação premiada ao Ministério Público Federal, com R$ 1 milhão de um total de R$ 15 milhões repassados a ele pelo PT para financiamento da campanha de vice-presidente em 2014. De acordo com o lobista do grupo empresarial, Saud, além de Temer, Gilberto Kassab, — que deixou o governo Dilma em abril de 2016 e passou a apoiar o impeachment da petista, e hoje é ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações —, também usou dinheiro de caixa 2 de campanha em proveito próprio.

“Eu já vi o cara pegar o dinheiro da campanha e gastar na campanha. Agora, ganhar um dinheiro do PT e guardar pra ele no bolso dele, eu acho muito difícil. Aí, ele e o Kassab fizeram isso. Só o Temer e o Kassab guardaram o dinheiro pra eles usarem de outra forma”, afirmou Saud. No depoimento, o diretor da JBS disse que Temer negociou o valor junto ao PT e que os R$ 15 milhões foram repartidos em diversas frentes: R$ 9 milhões para o PMDB nacional; R$ 3 milhões para um intermediário do ex-deputado Eduardo Cunha; e R$ 2 milhões teriam sido repassados a Duda Mendonça como parte do pagamento pela campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo.

O R$ 1 milhão restante, que Saud afirma ter ficado com Temer, foi, segundo ele, entregue na sede da Argeplan Arquitetura e Engenharia, na Vila Madalena, em São Paulo. A empresa pertence a João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, e já foi alvo de investigações da Operação Lava-Jato. Procurada pelo Correio, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que “essa história é uma fantasia absoluta e que esse fato jamais existiu”.

Temer será investigado no Supremo por suspeita de crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e obstrução de Justiça. A Procuradoria-Geral da República afirmou, com base nas delações, que Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) — os dois são alvo do mesmo inquérito — têm atuado para impedir o avanço da Lava-Jato.

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