Temer contra-ataca e denuncia provas 'manipuladas' para tirá-lo do poder

Presidente Michel Temer alegou neste sábado (20/5) que as provas apresentadas contra ele foram manipuladas

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postado em 20/05/2017 17:31

Evaristo Sá / AFP
 

O presidente Michel Temer decidiu resistir à enxurrada de acusações de corrupção e aos pedidos de renúncia feitos por sua própria base aliada alegando, neste sábado (20/5), que as provas apresentadas contra ele foram manipuladas.

 

As acusações se baseiam em uma "gravação clandestina manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos", afirmou. "Continuarei à frente do governo", assinalou o presidente, em seu segundo pronunciamento à nação desde que o jornal O Globo revelou, na última quarta-feira, o conteúdo de uma gravação em que Temer dava um suposto aval a um empresário para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, preso por corrupção.

 

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As acusações se baseiam, principalmente, em delações premiadas de executivos da gigante mundial da alimentação JBS, entre eles seus donos, Joesley e Wesley Batista. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma investigação sobre o caso, e a Procuradoria-Geral da República acusou Temer ontem de obstrução da Justiça para impedir o avanço da operação Lava Jato.

 

O presidente afirmou que "não existe isso na gravação, mesmo tendo sido ela adulterada. E não existe porque nunca comprei o silêncio de ninguém", assinalou, em um discurso sem direito a perguntas. Citando uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o presidente disse que sua conversa com Joesley Batista foi editada, e que a gravação "foi incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação".

 

Por isso, prosseguiu, "estamos entrando com petição no STF para suspender o inquérito proposto, até que seja verificada em definitivo a autenticidade da gravação clandestina". Em sua defesa, o presidente chamou Joesley de "falastrão" e disse que não acreditou na narrativa do empresário de que teria segurado juízes.

 

Temer foi além e assinalou que o empresário cometeu "o crime perfeito", porque, ciente do caos que sua gravação geraria no país, obteve um lucro milionário "em menos de 24 horas" ao vender ações e comprar milhões de dólares antes da queda dos mercados na última quinta-feira.

 

"O autor do grampo está livre e solto, passeando pelas ruas de Nova York", criticou o presidente.  

 

Erosão política

Temer tenta conter a erosão de sua maioria no Congresso, que, até agora, permitiu a votação das polêmicas medidas de austeridade com as quais espera tirar o país da pior recessão de sua história. Neste sábado (20/5), o PSB decidiu deixar o governo.

 

"Vamos pedir a renúncia imediata do presidente", declarou o membro da Executiva e deputado Júlio Delgado, após uma reunião do partido em Brasília. O partido tem 35 deputados e o Ministério de Minas e Energia, cujo titular ainda não se sabe se pedirá demissão ou será expulso do partido.

 

Partidos políticos, sindicatos e organizações sociais convocaram para este domingo protestos em todo o país sob o lema "Fora, Temer!". O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado (20/5) que Michel Temer tem que deixar o cargo "logo", e considerou que seu substituto deve ser definido por eleições diretas.

 

"Nós queremos que o Temer saia logo, mas não queremos um presidente eleito indiretamente", disse Lula durante a posse dos novos integrantes do diretório municipal do PT em São Bernardo do Campo, São Paulo. "O que queremos é uma eleição direta!", proclamou Lula, que, segundo as pesquisas de opinião, era o favorito, semanas atrás, para vencer as eleições presidenciais de outubro de 2018, apesar das investigações por corrupção.

 

Este foi o primeiro pronunciamento do ex-presidente desde o escândalo das delações da JBS. Lula disse que "o golpe" que pôs fim, em 2016, ao mandato de sua sucessora, Dilma Rousseff, revelou-se "uma mentira" e levou o país à crise atual. Depois de convidar os presentes a comparecer neste domingo à Avenida Paulista para pedir eleições diretas, Lula, 71, indicou, pela primeira vez, que talvez não possa se candidatar novamente, porque isto "vai depender de muita coisa". O ex-sindicalista, 71, disse que o fará apenas se "a Justiça e sua saúde" permitirem.

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