Base aliada tenta blindar as reformas do governo Temer e a economia

Parlamentares tocam as votações das reformas e tentam blindar a economia, mesmo sem a certeza de que Temer continuará no comando do país

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Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 12/5/17

A base aliada resolveu acelerar a votação das matérias econômicas e, se possível, das reformas trabalhista e econômica, mesmo sem a certeza de que o presidente Michel Temer permanecerá no cargo por causa da crise política. A intenção é blindar a economia das turbulências vividas pelo país, apesar da tentativa da oposição de obstruir os trabalhos — exceção feita ontem à aprovação da medida provisória que autoriza os saques do FGTS das contas inativas. Temer tenta obter dividendos políticos dessa ação, para mostrar que ainda tem sintonia com o parlamento para resistir. Mas não tem garantias de que esse discurso de parceria vai continuar. “Temos de pensar no Brasil e deixar que a Lava-Jato e a Polícia Federal façam o trabalho deles”, defendeu o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (DEM-GO).
 

Até o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem dado declarações explícitas de que é preciso separar a economia da crise política e, se preciso for, minimizar a presença de Temer no Palácio do Planalto. Ontem, durante seminário com investidores em São Paulo, o ministro garantiu que a economia vai continuar crescendo. “Estamos engajados nas reformas e vamos continuar”, afirmou Meirelles. “O Brasil viveu momentos diferentes e circunstâncias políticas diferentes no passado recente”, prosseguiu, mas completou que “estamos saindo da crise”. Meirelles acrescentou: “No Brasil, a crise política gera uma crise econômica quando gera incerteza sobre a orientação da política econômica no futuro”.

Na semana passada, quando estourou a crise política a partir da revelação da delação premiada do presidente da JBS, Joesley Batista, afirmando que Temer teria dado o aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, Meirelles já havia dado uma declaração delicada, garantindo que, com o presidente da República ou sem ele, o comando da equipe econômica não seria alterado.

“Essa afirmação serviu para dar um alento ao mercado, mas nada que resolva o problema”, garantiu o analista político da XP Investimentos, Richard Back. Ele lembra que a Bolsa de Valores voltou a oscilar e, atualmente, a expectativa é de que ela fique entre 55 mil e 57 mil pontos. “No auge da recuperação, falava-se que a bolsa poderia atingir até 75 mil pontos. A  nossa sorte é que o cenário internacional é favorável. Mas, se alguém der um espirro lá fora, vira bronquite aqui”, comparou o analista da XP.

Para o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), a Itália, em uma das várias crises políticas e éticas que enfrentou, decidiu blindar a economia para evitar que o país afundasse de vez. “Precisamos fazer com que as instituições continuem funcionando”, defendeu Trípoli. O tucano lembrou que é preciso pensar a longo prazo, não apenas na crise atual brasileira. “Nós recebemos um país destruído. Se nada for feito, quem vai querer assumir em 2018?”, questionou o líder tucano.

Cargos

No Congresso, a percepção é de que Temer já é página virada e que o fundamental, agora, é pensar no day after — ou o dia seguinte. “Por mim, o PSDB entregaria os cargos, incluindo os ministérios, mas apoiaria as reformas no parlamento. Temos que cuidar da economia, sob nova direção”, defendeu o relator da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), Ricardo Ferraço (PSDB-ES).

A oposição não tem o menor interesse de fazer a agenda andar. “Hoje (ontem) prenderam mais um assessor especial do presidente. O Planalto se transformou em um centro de crise e corrupção. Esse governo não tem mais a mínima condição de aprovar nada”, criticou o senador Otto Alencar (PSD-BA).

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que o governo errou ao tentar impor ao parlamento, no atual momento de desgaste, a votação de reformas impopulares. Para o analista da XP, todos os esforços atuais podem ser em vão. “O que interessa ao mercado é a aprovação da reforma da Previdência. E essa, dificilmente, será votada”, lamentou Richard Back.

Pedidos ao Supremo

A defesa do presidente Michel Temer estuda pedir a separação dos inquéritos do peemedebista e de Aécio Neves (PSDB-MG). Além disso, analisa solicitar a redistribuição dos processos dentro do Supremo Tribunal Federal. Nos dois casos, a justificativa é a inexistência de conexão entre os fatos imputados ao senador mineiro e ao presidente, explicou Antônio Cláudio Mariz. O advogado esclareceu que uma eventual redistribuição do processo não diz respeito ao ministro Edson Fachin. “Eu poderei requerer a nova distribuição e torço também para cair para ele de novo, porque é um ministro sereno, culto e trabalhador”, disse. Mariz criticou ainda as delações premiadas. “Delata, mente, põe inocentes na cadeia, termina com a imagem de alguém e vai embora”, afirmou o advogado do presidente. Mariz também explicou que vê o pedido de impeachment da OAB com muita “tristeza”. (Alessandra Modzeleski)

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