Temer mantém Serraglio no governo e tenta frear fortalecimento da oposição

A ideia do Planalto de manter Serraglio como ministro também é uma forma de deixar o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que é suplente, com o foro privilegiado

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postado em 29/05/2017 10:16 / atualizado em 29/05/2017 10:29

Marcelo Camargo/Ag?ncia Brasil


Ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio vai continuar no governo. Alvo de críticas por conta de aliados do Planalto à frente da pasta, o deputado federal do PMDB do Paraná será o substituto de Torquato Jardim na pasta da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU). Entre os motivos para a troca de comando na Justiça, segundo interlocutor do PMDB na Câmara, estaria a insatisfação dos parlamentares com a conduta do ministro, considerado alguém sem pulso e que não tem se pronunciado em defesa de Michel Temer no momento da maior crise enfrentada pelo governo.


Além disso, essa seria uma forma de “aproveitar melhor” Serraglio, uma vez que o ministro está com a imagem desgastada desde a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal. Na investigação, a PF interceptou uma conversa telefônica da fiscal Maria do Rocio Nascimento, presa preventivamente desde março deste ano, citando o nome “Serraglio” como “o velhinho que está conosco”. Em outro diálogo interceptado pela PF, desta vez entre o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, o ministro recebeu críticas e foi xingado por não intervir na PF.

Outro motivo para a transferência do peemedebista seria evitar o fortalecimento de alas contrárias ao governo no partido, tendo como exemplo o senador Roberto Requião, do PMDB paranaense, o mesmo estado de Serraglio. No início deste mês, Requião ignorou reunião convocada pelo Planalto e atacou a reforma trabalhista em sua página no Twitter.

Rocha Loures

A ideia do Planalto de manter Serraglio como ministro também é uma forma de deixar o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que é suplente, com o foro privilegiado. Caso não continue como ministro, Serraglio teria de reassumir o mandato na Câmara. Assim, ao transferir o ministro para a pasta da Transparência, responsável pelos acordos de leniência das empresas investigadas pela Lava-Jato, Michel Temer mantém a prerrogativa de foro a Loures, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal após ter sido flagrado recebendo propina de Joesley Batista.

De acordo com as gravações, Loures recebeu o dinheiro de um emissário de Joesley. A ligação dele com o presidente Temer está em um trecho do áudio gravado pelo empresário, no qual o presidente indica Loures para resolver demandas das empresas do grupo J&F no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Fontes do governo também afirmaram que era estudada a saída de Serraglio do Ministério da Justiça, no entanto, a decisão acabou adiada por questão de momento, tendo em vista o abalo provocado pelas delações dos irmãos Batista envolvendo o governo federal.
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