Torres sobre desembarque do PSDB: "não é hora de fazer algo precipitado"

Secretário-geral do partido afirma que reunião desta segunda-feira será "mais para ouvir os diretórios"

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postado em 12/06/2017 06:00 / atualizado em 11/06/2017 23:21

Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

 
Devagar com o andor que a economia ainda é de barro e a oposição já está ocupada por adversários dos tucanos nas eleições do ano que vem. Com base nessas duas premissas, o PSDB decidirá hoje que não é hora de decidir. Debaterá a crise, criticará atitudes, mas não abandonará o governo de Michel Temer à própria sorte. Pelo menos, nesse momento. Jogará tudo mais para frente. “A reunião será mais para ouvir os diretórios. Não é hora de se fazer algo precipitado”, avalia o secretário-geral do partido, Sílvio Torres. A ideia é nem fazer uma votação, a fim de evitar que haja vitoriosos e perdedores no partido, embora o ninho continue rachado.
 
 
Essa saída para a dúvida que assola o PSDB vem sendo construída desde que o partido adiou a reunião da sua comissão executiva. Porém, foi consolidada apenas nas últimas 48 horas, depois que o  Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao não cassar a chapa Dilma-Temer, optou, na prática, por preservar o mandato de Temer no Planalto. A realidade, comentam alguns, é que o país vive hoje o dilema do “ruim com Temer, pior sem ele” e os tucanos não querem correr o risco de ficar à deriva, no meio do nada, sem nem trabalhar para melhorar a economia, nem ser o principal protagonista na oposição.

Até chegar a essa construção de transformar a reunião num encontro de debates foi um mar de conversas. Na sexta-feira anterior à decisão do TSE, o presidente Michel Temer esteve em São Paulo e aproveitou para conversar com o governador Geraldo Alckmin. Pediu apoio. Neste fim de semana, passada a decisão do tribunal, interlocutores de Temer estiveram com o prefeito de São Paulo, João Doria. Foram dizer a ele que não é hora de romper com o PMDB e sim de tentar demonstrar um protagonismo para fazer pulsar a economia. A conversa deu certo. Afinal, Doria hoje está mais preocupado com a situação do crack no centro paulistano do que propriamente para onde vai o próprio partido no cenário nacional.

Além dos apelos dos peemedebistas, as próprias rodadas de conversas do PSDB levam em conta que não dá para ficar à deriva. E, nesse sentido, eles se faziam algumas perguntas. A primeira delas, era: o governo tem legitimidade? Tem, foi eleito na chapa Dilma-Temer, corroborada pelo TSE. Ok, muitos podem discordar, mas o fato é que, por aí, Temer não será cassado.(Leia na página 3 sobre os recursos que a Procuradoria-Geral Eleitoral apresentará ao STF).

As conversas também giraram em torno dos compromissos de Temer com o PSDB, no ano passado, quando o partido decidiu integrar o primeiro escalão do governo. Naquele período, o presidente se comprometeu com 15 pontos colocados pelo partido. Nesse rol, estavam as reformas trabalhista e da Previdência Social, que ainda estão em curso, o teto de gastos, revisão dos subsídios fiscais, e, em primeiro luga, o combate à corrupção.


Perguntas

Nesse quesito, os tucanos incluíram nas conversas das últimas 48 horas, a segunda pergunta: E quanto à parte ética e moral? A resposta é que primeiro é preciso concluir as investigações e aguardar seus desdobramentos. Afinal, dizem alguns, se o PSDB optasse hoje por se afastar totalmente do governo com base na delação superpremiada da JBS, jogaria a mesma pá de cal do fato consumado, sem condições de defesa, a estrelas do partido citadas nas mesmas delações.

É nesse contexto que entra, por exemplo, o caso do presidente licenciado do partido, Aécio Neves, que pesará na reunião de hoje no sentido de fazer com que os tucanos pensem em pisar no freio e atuar para evitar qualquer movimento brusco em relação ao presidente Michel Temer. Aécio foi gravado por Joesley Batista, inclusive em situações que sugerem uma tentativa de freio à Lava-Jato, quando a defesa da operação foi colocada como primeiro ponto no documento que o PSDB entregou a Temer.

Portanto, não daria para o PSDB sair do governo nesse momento sem expulsar seu próprio presidente, hoje afastado e dedicado à própria defesa. Essa defesa hoje inclui ainda um pedido de cassação de mandato entregue ao Conselho de Ética, colegiado presidido pelo senador João Alberto, que é do PMDB do Maranhão, ligado ao ex-presidente José Sarney. “Se eles saírem, Aécio fica sem qualquer tábua de salvação interna e externa”, avaliam alguns.

Caso Aécio à parte, a avaliação dos tucanos é de que todos os quesitos de recuperação econômica sustentados pelo PSDB são cumpridos pelo presidente Michel Temer ou dependem do partido para que sejam concluídos. Leiam-se, as reformas. O PSDB tem informações do mercado de que a economia tende a melhorar no segundo semestre, portanto, se eles saírem e houver uma piora no cenário, correm o risco de serem vistos como os responsáveis pelo agravamento da crise.

A última pergunta que os tucanos se fazem é se o eterno adversário, o PT, hoje na oposição, é quem mais ganha com a permanência do PSDB no governo. A avaliação interna é a de que as duas coisas não estão relacionadas. Afinal, o PT era o chefe do PMDB nos tempos em que a Petrobras, segundo o ministro Herman Benjamin, se viu invadida por uma “manada de elefantes” e a “matriarca” era a Odebrecht. Nesse sentido, avalia boa parte dos tucanos, por mais que Temer esteja em dificuldades de natureza moral e ética, há uma parcela expressiva do partido que acredita ser possível, se a economia melhorar, dar ao PSDB o mérito de ter devolvido empregos aos brasileiros. Nesse sentido, dizem alguns tucanos, enquanto houver chance de salvar a economia, o PSDB está como Temer: Vai ficando.
 
“A reunião será mais para ouvir os diretórios. Não é hora de se fazer algo precipitado”
Sílvio Torres, secretário-geral do partido

Ed Alves/CB/D.A Press

 

Estratégia para ir à Rússia 

Depois dos momentos de tensão nos dias de votação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente Michel Temer tirou a manhã para se exercitar. Caminhou, com roupa de ginástica e boné pelos jardins do Palácio do Jaburu (foto). Mas o alívio do resultado da última sexta-feira se mostrou momentâneo. A batalha da vez é como enfrentar uma possível denúncia da Procuradoria-Geral da República, estando em viagem oficial a Rússia. Na semana passada, foi confirmada a ida de Temer ao país. Desde então, a equipe do presidente busca saídas jurídicas para que ele não viaje como denunciado. A expectativa, em Brasília, é de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente denúncia ainda nesta semana.
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