Noruega apura pagamento de propina a ex-diretores da Petrobras

Ministério Público da Suíça faz parte da força-tarefa

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postado em 20/06/2017 06:00

Um dos destinos do presidente Michel Temer nesta semana, a Noruega amplia a investigação sobre o pagamento de propina por parte de suas empresas para ex-diretores da Petrobras. Na quinta-feira, Temer terá um encontro com empresas do país para incentivá-las a investir no Brasil. De acordo com o governo, Oslo já é o oitavo maior investidor no país, principalmente no setor de petróleo.


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Em março, os tribunais suíços deram o sinal verde para que extratos bancários e documentos sobre três ex-diretores da Petrobras e operadores envolvidos em transações fossem enviados para procuradores em Oslo. O caso envolveria quatro contas bancárias em Zurique e em Genebra, que teriam sido alimentadas com recursos ilegais. A suspeita é de que os ex-funcionários da estatal brasileira tenham recorrido a intermediários de empresas escandinavas para abastecer as contas com dinheiro oriundo de propinas pagas em esquema de conluio e desvios revelado no Brasil pelas investigações da força-tarefa da Operação Lava-Jato. Os nomes dos beneficiados pelo dinheiro suspeito, porém, não foram revelados.

"Podemos informar que o escritório do Procurador-Geral da Suíça recebeu e está executando um pedido de assistência mútua por parte da Noruega", afirmou o Ministério Público suíço em um comunicado. O MP de Oslo pediu a ajuda dos suíços e os dados já chegaram até o gabinete da procuradora anticorrupção da Noruega, Marianne Djupesland. Uma cooperação entre procuradores noruegueses e brasileiros já foi estabelecida desde o ano passado. O fornecimento de informações pelas autoridades suíças amplia as apurações em outros países.

No Brasil, por exemplo, a colaboração dos suíços possibilitou o avanço das investigações sobre a Odebrecht, com a revelação de contas no país europeu e do armazenamento de dados no servidor do Setor de Operações Estruturadas — o chamado “Departamento da Propina” — em Genebra. Dinheiro suspeito de desvios também está congelado na Suíça, como é o caso de conta de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara que está preso em Curitiba.

Contratos


No ano passado, as investigações iniciais na Noruega apontaram para a suspeita de que mais de R$ 140 milhões (300 milhões de coroas norueguesas) teriam sido pagos em propinas para ex-diretores da Petrobras, agentes políticos e autoridades no Brasil para permitir que empresas do país escandinavo fechassem contratos com a estatal.

No centro da investigação firmada entre Noruega e Brasil, estava a Sevan Drilling — companhia especializada em exploração de petróleo em alto-mar com representação no Rio. De acordo com a empresa, uma apuração interna realizada concluiu que a companhia “provavelmente” pagou milhões em propinas para garantir negócios com a Petrobras.

O caso da Sevan Drilling, no entanto, não é o único. Novos documentos da Justiça suíça apontam para a existência de mais movimentações suspeitas em três contas em Genebra e outra em Zurique. “As autoridades (da Noruega) se interessam em especial por uma sociedade norueguesa e suas filiais que teriam feito parte de um vasto esquema de corrupção de funcionários no Brasil”, indicou o documento, também sem citar o nome da empresa envolvida.
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