Após invasão, segurança é reforçada no Palácio da Alvorada

Após um adolescente invadir o palácio com um carro, GSI aumenta efetivo militar no prédio e aciona barreiras de contenção

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postado em 30/06/2017 06:00 / atualizado em 30/06/2017 07:36

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) reforçou a segurança no Palácio da Alvorada após um adolescente invadir o prédio com um veículo, na quarta-feira à noite. Militares do Exército armados tomaram conta ontem dos portões de entrada do Palácio. Os pinos de segurança, que estavam abaixados no momento do incidente, passaram a ficar erguidos também durante o dia.


A invasão ocorreu por volta das 19h (veja arte). O jovem, de 15 anos, avançou com o veículo, modelo Zafira, contra o portão de entrada do Palácio. Pegos de surpresa, soldados do Exército chegaram a disparar tiros de fuzil em direção ao automóvel, mas ele só parou dentro do prédio. O presidente Michel Temer não estava no local no momento do incidente.

A facilidade com que o adolescente entrou na área protegida causou espanto até mesmo a especialistas. O professor Antonio Flávio Testa — especialista em segurança pública da Universidade de Brasília (UnB) — apontou falhas graves. “O Brasil não é um país-alvo de atentados. No entanto, é preciso garantir a segurança do patrimônio público”, afirmou.

Para Testa, a própria arquitetura da cidade prejudica a garantia de segurança dos edifícios. “A estrutura dos prédios públicos em Brasília é antiga, e o acesso, aberto. Já tivemos casos de tentativas de invasão ao Palácio do Planalto e ao Palácio do Buriti”, lembrou. “No caso do Buriti, colocaram alguns alambrados em frente depois que um homem tentou entrar com uma faca. Mas isso é algo que não evitaria um ataque. No Brasil, geralmente esses atos são protagonizados por pessoas com problemas mentais, não terroristas.”

Após deter o jovem, a PF notou que se tratava de um menor de idade. Por conta disso, o caso ficou sob a responsabilidade da Polícia Civil, que realizou uma perícia para avaliar os danos no prédio. Em depoimento, os pais do adolescente afirmaram que ele recebe acompanhamento psiquiátrico e que pegou o veículo escondido. O caso foi encaminhado para a Vara da Infância e Juventude, e o menor deve responder por dano ao bem público.

Além de aumentar as equipes de segurança que atuam no Alvorada, o GSI colocou faixas de pregos (stinger) para furar o pneu de qualquer veículo que tente entrar sem autorização. Seguranças que são deslocados da PF, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e das Forças Armadas também foram alocados para o prédio.

O professor Newton de Oliveira, especialista em segurança da Universidade Mackenzie, ressaltou ser imprescindível melhorar o esquema de segurança na região. “As barreiras automáticas devem estar em todo o percurso, com a possibilidade de serem acionadas a qualquer momento”, frisou.

Temer

O presidente Michel Temer chegou a se mudar para o Palácio da Alvorada. No entanto, optou depois por permanecer no Palácio do Jaburu, um pouco mais distante da Esplanada dos Ministérios. Na época, a Presidência da República informou que Temer “não se adaptou” ao espaço. Diferentemente dele, os então presidentes Dilma Rousseff, Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney e Fernando Collor de Mello passaram boa parte de seus mandatos residindo no local.

Em 2 de abril de 1964, o então presidente Ranieri Mazzili se recusou a dormir no palácio. Na ocasião, o Brasil tinha acabado de entrar no Regime Militar. Ranieri, que era presidente da Câmara e estava substituindo o ex-presidente João Goulart, deposto pelos militares, não achou seguro ficar no local. Ele preferiu dormir na casa de seu barbeiro, num prédio da Asa Norte.
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